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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

CARACTERIZAÇÃO CLÍNICA DOS PACIENTE COM LINFOMAS NÃO-HODGKIN ACOMPANHADOS NO AMBULATÓRIO DE HEMATOLOGIA NO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO GAFFRÉE E GUINLE

  1. 1Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), Rio de Janeiro, RJ, Brasil
  2. 2Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Abstract

Introdução: Os Linfomas Não-Hodgkin (LNH) constituem um grupo heterogêneo de neoplasias hematológicas, com comportamento clínico, tratamento e prognóstico variáveis conforme o subtipo. Dados brasileiros de vida real sobre resposta terapêutica e sobrevida ainda são limitados, especialmente no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS). Objetivo: Caracterizar o perfil clínico e terapêutico de pacientes com LNH tratados em um hospital universitário do Rio de Janeiro e avaliar resposta à primeira linha, recaída/refratariedade, sobrevida e fatores prognósticos. Materiais e Métodos: Estudo observacional retrospectivo com pacientes adultos, com diagnóstico anatomopatológico confirmado de LNH, acompanhados e tratados no Hospital Universitário Gaffrée e Guinle entre 2014 e 2024. Dos 152 prontuários inicialmente identificados, 99 pacientes compuseram a amostra final. Foram avaliadas variáveis demográficas, histológicas, terapêuticas e desfechos clínicos. A resposta à primeira linha foi avaliada por PET-CT conforme os critérios de Lugano. A sobrevida global (SG) e a sobrevida livre de progressão (SLP) foram estimadas pelo método de Kaplan-Meier e comparadas pelo teste log-rank. Modelos de regressão de Cox foram utilizados para investigar fatores associados à mortalidade, adotando-se p < 0,05. Resultados: A mediana de idade ao diagnóstico foi de 61 anos, com distribuição semelhante entre os sexos (50,5% do sexo feminino). O linfoma difuso de grandes células B foi o subtipo mais frequente (42,4%), seguido pelos linfomas folicular (16,2%) e do manto (12,1%). O R-CHOP foi o esquema de primeira linha mais utilizado (58,6%), seguido por outros esquemas (27,3%) e mini-R-CHOP (14,1%). Resposta completa (RC) após a primeira linha ocorreu em 49,5% dos pacientes; 31,3% apresentaram doença progressiva, 16,2% resposta parcial e 3,0% evoluíram a óbito durante o tratamento. Recaída/refratariedade foi observada em 42,4% da coorte. As estimativas de SG foram de 89,9% em 1 ano e 72,8% em 5 anos; para SLP, de 83,8% e 61,5%, respectivamente. As medianas de SG e SLP não foram atingidas. Na regressão de Cox multivariada, a obtenção de RC após a primeira linha associou-se a menor risco de óbito (HR = 0,05; 95% IC 0,01–0,24; p = 0,0001). Idade, sexo e esquema terapêutico não apresentaram associação estatisticamente significativa com mortalidade no modelo multivariado. O grupo de histologias classificadas como “outros” apresentou maior risco de óbito (HR = 8,76; 95% IC 1,11–68,9; p = 0,039), com ampla imprecisão da estimativa. Discussão e Conclusão: Nesta coorte de pacientes com LNH tratados em um serviço universitário do SUS, a obtenção de RC após a primeira linha esteve associada a maior sobrevida global. A ocorrência de doença progressiva após a primeira linha e de recaída/refratariedade durante o acompanhamento reforça a relevância de maximizar a resposta inicial e garantir acompanhamento longitudinal e acesso oportuno a estratégias de resgate. A associação observada no grupo de histologias classificadas como “outros” deve ser interpretada com cautela devido ao pequeno número de pacientes e ao amplo intervalo de confiança. O caráter retrospectivo, a heterogeneidade histológica e o tamanho reduzido de alguns subgrupos limitam a generalização dos resultados, mas os achados fornecem dados de vida real sobre desfechos do LNH em um hospital universitário brasileiro.

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AB  - Introdução: Os Linfomas Não-Hodgkin (LNH) constituem um grupo heterogêneo de neoplasias hematológicas, com comportamento clínico, tratamento e prognóstico variáveis conforme o subtipo. Dados brasileiros de vida real sobre resposta terapêutica e sobrevida ainda são limitados, especialmente no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS). Objetivo: Caracterizar o perfil clínico e terapêutico de pacientes com LNH tratados em um hospital universitário do Rio de Janeiro e avaliar resposta à primeira linha, recaída/refratariedade, sobrevida e fatores prognósticos. Materiais e Métodos: Estudo observacional retrospectivo com pacientes adultos, com diagnóstico anatomopatológico confirmado de LNH, acompanhados e tratados no Hospital Universitário Gaffrée e Guinle entre 2014 e 2024. Dos 152 prontuários inicialmente identificados, 99 pacientes compuseram a amostra final. Foram avaliadas variáveis demográficas, histológicas, terapêuticas e desfechos clínicos. A resposta à primeira linha foi avaliada por PET-CT conforme os critérios de Lugano. A sobrevida global (SG) e a sobrevida livre de progressão (SLP) foram estimadas pelo método de Kaplan-Meier e comparadas pelo teste log-rank. Modelos de regressão de Cox foram utilizados para investigar fatores associados à mortalidade, adotando-se p < 0,05. Resultados: A mediana de idade ao diagnóstico foi de 61 anos, com distribuição semelhante entre os sexos (50,5% do sexo feminino). O linfoma difuso de grandes células B foi o subtipo mais frequente (42,4%), seguido pelos linfomas folicular (16,2%) e do manto (12,1%). O R-CHOP foi o esquema de primeira linha mais utilizado (58,6%), seguido por outros esquemas (27,3%) e mini-R-CHOP (14,1%). Resposta completa (RC) após a primeira linha ocorreu em 49,5% dos pacientes; 31,3% apresentaram doença progressiva, 16,2% resposta parcial e 3,0% evoluíram a óbito durante o tratamento. Recaída/refratariedade foi observada em 42,4% da coorte. As estimativas de SG foram de 89,9% em 1 ano e 72,8% em 5 anos; para SLP, de 83,8% e 61,5%, respectivamente. As medianas de SG e SLP não foram atingidas. Na regressão de Cox multivariada, a obtenção de RC após a primeira linha associou-se a menor risco de óbito (HR = 0,05; 95% IC 0,01–0,24; p = 0,0001). Idade, sexo e esquema terapêutico não apresentaram associação estatisticamente significativa com mortalidade no modelo multivariado. O grupo de histologias classificadas como “outros” apresentou maior risco de óbito (HR = 8,76; 95% IC 1,11–68,9; p = 0,039), com ampla imprecisão da estimativa. Discussão e Conclusão: Nesta coorte de pacientes com LNH tratados em um serviço universitário do SUS, a obtenção de RC após a primeira linha esteve associada a maior sobrevida global. A ocorrência de doença progressiva após a primeira linha e de recaída/refratariedade durante o acompanhamento reforça a relevância de maximizar a resposta inicial e garantir acompanhamento longitudinal e acesso oportuno a estratégias de resgate. A associação observada no grupo de histologias classificadas como “outros” deve ser interpretada com cautela devido ao pequeno número de pacientes e ao amplo intervalo de confiança. O caráter retrospectivo, a heterogeneidade histológica e o tamanho reduzido de alguns subgrupos limitam a generalização dos resultados, mas os achados fornecem dados de vida real sobre desfechos do LNH em um hospital universitário brasileiro.
SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
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