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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

AVALIAÇÃO DA UTILIZAÇÃO DA FRAÇÃO DE PLAQUETAS IMATURAS (IPF) NA ROTINA LABORATORIAL DE UM HOSPITAL TERCIÁRIO

  1. 1Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Campinas, SP, Brasil

Abstract

Introdução: A Fração de Plaquetas Imaturas (Immature Platelet Fraction – IPF) é um marcador indireto da atividade trombopoética medular obtido automaticamente durante o hemograma. Estudos demonstram sua utilidade no diagnóstico diferencial das trombocitopenias, especialmente entre causas de destruição periférica e hipoprodução medular e entre púrpura trombocitopênica imune (PTI) e trombocitopenias hereditárias (TH). Entretanto, existem poucos dados sobre sua utilização em condições reais de prática clínica após sua incorporação à rotina laboratorial. Objetivos: Avaliar retrospectivamente a utilização do IPF na rotina laboratorial do Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas, descrevendo seu padrão de solicitação e investigando seu desempenho no diagnóstico diferencial entre PTI e trombocitopenias hereditárias. Materiais e Métodos: Estudo observacional retrospectivo incluindo pacientes submetidos à determinação do IPF entre 2017 e 2025 no Hospital de Clínicas e Hemocentro da UNICAMP. Foram coletados dados demográficos, laboratoriais e clínicos de 282 pacientes por meio dos sistemas AGHUse, sistema informatizado do Hemocentro e registros laboratoriais. Foram incluídos todos os pacientes submetidos ao teste de IPF no período estudado. Foram excluídos pacientes cujos registros não continham informações clínicas suficientes para identificar o motivo da solicitação do exame. As variáveis contínuas foram avaliadas pelo teste de Shapiro-Wilk e comparadas pelos testes de Mann-Whitney, Kruskal-Wallis, teste t ou ANOVA, conforme apropriado. O desempenho diagnóstico foi avaliado por curvas ROC, com determinação da área sob a curva (AUC). Resultados: Foram incluídos 282 pacientes, com mediana de idade de 56,8 anos (IIQ 38,9–70,3), distribuição semelhante entre os sexos (50,7% masculino) e mediana da contagem plaquetária de 47,5 ×10 3 /µL (IIQ 15,0–92,8). O IPF foi solicitado principalmente para investigação de trombocitopenias e pancitopenias, seguido do diagnóstico diferencial entre PTI e TH, demonstrando ampla incorporação do exame à rotina laboratorial. Em uma análise ainda preliminar que comparou pacientes com PTI (n=100) e TH (n=12), o IPF absoluto apresentou desempenho superior ao IPF percentual. O IPF percentual apresentou AUC de 0,662 (95% IC 0,465–0,858). O IPF absoluto apresentou AUC de 0,793 (95% IC 0,615–0,950). O IPF absoluto foi significativamente maior no grupo TH (p<0,001), enquanto o IPF percentual apresentou tendência à diferença entre os grupos (p=0,069). Discussão e Conclusão: Os resultados demonstram que o IPF foi incorporado de forma consistente à rotina laboratorial de um hospital terciário, sendo utilizado em diferentes cenários da investigação das trombocitopenias. O melhor desempenho observado para o IPF absoluto sugere que a quantificação absoluta das plaquetas imaturas representa um parâmetro mais robusto que o IPF percentual para auxiliar o diagnóstico diferencial entre PTI e TH, embora o número de pacientes incluídos no grupo TH confira um caráter ainda preliminar a esta conclusão. Esses achados corroboram estudos prévios em uma população representativa da prática clínica, reforçando o potencial do IPF como ferramenta complementar na investigação laboratorial das trombocitopenias. Estudos prospectivos e multicêntricos são necessários para validar esses resultados e definir pontos de corte com maior precisão.

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AB  - Introdução: A Fração de Plaquetas Imaturas (Immature Platelet Fraction – IPF) é um marcador indireto da atividade trombopoética medular obtido automaticamente durante o hemograma. Estudos demonstram sua utilidade no diagnóstico diferencial das trombocitopenias, especialmente entre causas de destruição periférica e hipoprodução medular e entre púrpura trombocitopênica imune (PTI) e trombocitopenias hereditárias (TH). Entretanto, existem poucos dados sobre sua utilização em condições reais de prática clínica após sua incorporação à rotina laboratorial. Objetivos: Avaliar retrospectivamente a utilização do IPF na rotina laboratorial do Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas, descrevendo seu padrão de solicitação e investigando seu desempenho no diagnóstico diferencial entre PTI e trombocitopenias hereditárias. Materiais e Métodos: Estudo observacional retrospectivo incluindo pacientes submetidos à determinação do IPF entre 2017 e 2025 no Hospital de Clínicas e Hemocentro da UNICAMP. Foram coletados dados demográficos, laboratoriais e clínicos de 282 pacientes por meio dos sistemas AGHUse, sistema informatizado do Hemocentro e registros laboratoriais. Foram incluídos todos os pacientes submetidos ao teste de IPF no período estudado. Foram excluídos pacientes cujos registros não continham informações clínicas suficientes para identificar o motivo da solicitação do exame. As variáveis contínuas foram avaliadas pelo teste de Shapiro-Wilk e comparadas pelos testes de Mann-Whitney, Kruskal-Wallis, teste t ou ANOVA, conforme apropriado. O desempenho diagnóstico foi avaliado por curvas ROC, com determinação da área sob a curva (AUC). Resultados: Foram incluídos 282 pacientes, com mediana de idade de 56,8 anos (IIQ 38,9–70,3), distribuição semelhante entre os sexos (50,7% masculino) e mediana da contagem plaquetária de 47,5 ×10 3 /µL (IIQ 15,0–92,8). O IPF foi solicitado principalmente para investigação de trombocitopenias e pancitopenias, seguido do diagnóstico diferencial entre PTI e TH, demonstrando ampla incorporação do exame à rotina laboratorial. Em uma análise ainda preliminar que comparou pacientes com PTI (n=100) e TH (n=12), o IPF absoluto apresentou desempenho superior ao IPF percentual. O IPF percentual apresentou AUC de 0,662 (95% IC 0,465–0,858). O IPF absoluto apresentou AUC de 0,793 (95% IC 0,615–0,950). O IPF absoluto foi significativamente maior no grupo TH (p<0,001), enquanto o IPF percentual apresentou tendência à diferença entre os grupos (p=0,069). Discussão e Conclusão: Os resultados demonstram que o IPF foi incorporado de forma consistente à rotina laboratorial de um hospital terciário, sendo utilizado em diferentes cenários da investigação das trombocitopenias. O melhor desempenho observado para o IPF absoluto sugere que a quantificação absoluta das plaquetas imaturas representa um parâmetro mais robusto que o IPF percentual para auxiliar o diagnóstico diferencial entre PTI e TH, embora o número de pacientes incluídos no grupo TH confira um caráter ainda preliminar a esta conclusão. Esses achados corroboram estudos prévios em uma população representativa da prática clínica, reforçando o potencial do IPF como ferramenta complementar na investigação laboratorial das trombocitopenias. Estudos prospectivos e multicêntricos são necessários para validar esses resultados e definir pontos de corte com maior precisão.
SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -