TRIAGEM DE DOADORES DE SANGUE COMO ESTRATÉGIA PARA IDENTIFICAÇÃO DE PORTADORES DE BETA-TALASSEMIA HETEROZIGOTA NA HEMORREDE PÚBLICA DO MARANHÃO
- 1Centro de Hematologia e Hemoterapia do Maranhão (HEMOMAR), São Luís, MA, Brasil
- 2Universidade Estadual Paulista (UNESP), São José do Rio Preto, SP, Brasil
- 3Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Três Lagoas, MS, Brasil
Abstract
Introdução: A beta-talassemia heterozigota é uma alteração hereditária da síntese da cadeia beta da hemoglobina, geralmente assintomática, o que leva muitos portadores a desconhecer sua condição genética. Nesse contexto, os serviços de hemoterapia representam uma importante oportunidade para a identificação desses indivíduos, contribuindo para o diagnóstico, a vigilância epidemiológica e o encaminhamento para orientação e aconselhamento genético. Objetivo: Determinar a frequência da beta-talassemia heterozigota entre doadores de sangue da hemorrede pública do Maranhão e discutir a relevância de sua identificação na rotina dos serviços de hemoterapia. Material e métodos: Estudo retrospectivo realizado com 88.064 doadores de sangue únicos atendidos pela hemorrede pública do Maranhão em 2023. A investigação incluiu cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC), eletroforese de hemoglobinas em pH alcalino e ácido e, quando indicada, análise molecular. Resultados: Foram identificados 69 casos de β-talassemia heterozigota, o que corresponde a uma prevalência de 0,08% (1:1.276,4 doadores), constituindo a terceira hemoglobinopatia mais frequente e a alteração quantitativa da síntese das globinas de maior prevalência na população estudada. O perfil laboratorial foi caracterizado por Hb A₂ elevada (5,33 ± 0,89%), associada a discreto aumento da Hb F (2,65 ± 2,08%), compatível com β-talassemia heterozigota. Também foram identificados três casos de δβ-talassemia, o que ressalta a importância do diagnóstico diferencial entre as alterações quantitativas na síntese das globinas. Conclusão: A beta-talassemia heterozigota representou a alteração quantitativa da síntese das globinas mais frequente e a terceira hemoglobinopatia mais prevalente entre os doadores estudados. Como o traço beta-talassêmico não é detectado na triagem neonatal devido à baixa expressão das cadeias delta e, consequentemente, à baixa concentração da HbA2 nesta idade, muitos portadores permanecem sem diagnóstico até a vida adulta. Nesse contexto, a triagem de doadores de sangue amplia o papel dos serviços de hemoterapia para além da segurança transfusional, permitindo identificar indivíduos frequentemente assintomáticos, favorecendo a orientação dos doadores, o aconselhamento genético e a ampliação do conhecimento epidemiológico das hemoglobinopatias hereditárias no Maranhão.
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TI - TRIAGEM DE DOADORES DE SANGUE COMO ESTRATÉGIA PARA IDENTIFICAÇÃO DE PORTADORES DE BETA-TALASSEMIA HETEROZIGOTA NA HEMORREDE PÚBLICA DO MARANHÃO
AU - Gabriela Alves BERNARDINO
AU - Elda Pereira Noronha AVILA
AU - Amanda Cristina Meneguetti BERTI
AU - Bárbara Braga Vieira MARQUES
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AU - Lucas Nathan De Souza NUNES
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PY - 2026
DA - 2026/10/23
JO - Hematology, Transfusion and Cell Therapy
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AB - Introdução: A beta-talassemia heterozigota é uma alteração hereditária da síntese da cadeia beta da hemoglobina, geralmente assintomática, o que leva muitos portadores a desconhecer sua condição genética. Nesse contexto, os serviços de hemoterapia representam uma importante oportunidade para a identificação desses indivíduos, contribuindo para o diagnóstico, a vigilância epidemiológica e o encaminhamento para orientação e aconselhamento genético. Objetivo: Determinar a frequência da beta-talassemia heterozigota entre doadores de sangue da hemorrede pública do Maranhão e discutir a relevância de sua identificação na rotina dos serviços de hemoterapia. Material e métodos: Estudo retrospectivo realizado com 88.064 doadores de sangue únicos atendidos pela hemorrede pública do Maranhão em 2023. A investigação incluiu cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC), eletroforese de hemoglobinas em pH alcalino e ácido e, quando indicada, análise molecular. Resultados: Foram identificados 69 casos de β-talassemia heterozigota, o que corresponde a uma prevalência de 0,08% (1:1.276,4 doadores), constituindo a terceira hemoglobinopatia mais frequente e a alteração quantitativa da síntese das globinas de maior prevalência na população estudada. O perfil laboratorial foi caracterizado por Hb A₂ elevada (5,33 ± 0,89%), associada a discreto aumento da Hb F (2,65 ± 2,08%), compatível com β-talassemia heterozigota. Também foram identificados três casos de δβ-talassemia, o que ressalta a importância do diagnóstico diferencial entre as alterações quantitativas na síntese das globinas. Conclusão: A beta-talassemia heterozigota representou a alteração quantitativa da síntese das globinas mais frequente e a terceira hemoglobinopatia mais prevalente entre os doadores estudados. Como o traço beta-talassêmico não é detectado na triagem neonatal devido à baixa expressão das cadeias delta e, consequentemente, à baixa concentração da HbA2 nesta idade, muitos portadores permanecem sem diagnóstico até a vida adulta. Nesse contexto, a triagem de doadores de sangue amplia o papel dos serviços de hemoterapia para além da segurança transfusional, permitindo identificar indivíduos frequentemente assintomáticos, favorecendo a orientação dos doadores, o aconselhamento genético e a ampliação do conhecimento epidemiológico das hemoglobinopatias hereditárias no Maranhão.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -