INTEGRAÇÃO DA HEMORREDE COMO ESTRATÉGIA PARA AMPLIAR A OFERTA DE PLASMA EXCEDENTE À INDÚSTRIA NACIONAL DE HEMODERIVADOS
- 1Hemobrás, Goiânia, PE, Brasil
Abstract
Introdução: O sangue total, após processamento, é separado em concentrado de hemácias, concentrado de plaquetas e plasma. Cerca de 30% do plasma obtido é aproveitado para uso transfusional, enquanto o excedente pode ser destinado à produção industrial de hemoderivados. A Lei nº 10.205/2001 e a Portaria de Consolidação nº 5/2017 estabelecem as diretrizes para utilização desse plasma e os requisitos aplicáveis aos serviços de hemoterapia. Nesse contexto, a qualificação dos serviços, a cadeia fria, a rastreabilidade e o cumprimento das Boas Práticas de Fabricação (BPF) são fundamentais para transformar o excedente em matéria-prima adequada ao processamento industrial. Objetivo: Discutir a importância da integração entre hemocentros públicos e serviços de hemoterapia privados para ampliar a disponibilidade de plasma excedente qualificado à indústria nacional, considerando fatores estruturais e operacionais que limitam seu aproveitamento. Métodos: Realizou-se revisão narrativa e documental da legislação federal e de dados públicos sobre a hemorrede e a gestão do plasma, considerando documentos publicados entre 2017 e 2026. Foram analisados a Lei nº 10.205/2001, a Portaria de Consolidação nº 5/2017 e alterações, dados do Boletim de Avaliação Sanitária da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), informações da Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás) e divulgações do Ministério da Saúde. Resultados: O Brasil possui 2.097 serviços de hemoterapia, dos quais 443 realizam coleta de sangue total. Atualmente, 72 serviços estão qualificados para fornecer à Hemobrás plasma excedente destinado ao fracionamento industrial. A captação nacional passou de 200,2 mil litros em 2024 para 217,7 mil litros em 2025, enquanto as metas preveem 300 mil litros em 2026 e 500 mil litros até 2030. Esse crescimento depende da capacidade da hemorrede em coletar, processar, congelar, armazenar e transportar o plasma dentro dos requisitos de qualidade. O Novo PAC Saúde destinou R$ 116 milhões à aquisição de 604 equipamentos para 125 serviços em 22 estados, ampliando a capacidade de congelamento e mitigando gargalos operacionais, com expectativa de aumento inicial de 30% no aproveitamento do plasma. Paralelamente, a qualificação de serviços privados, como Sírio-Libanês e A.C.Camargo, amplia a participação da rede privada e reforça a integração da cadeia de fornecimento. Os achados indicam que limitações de infraestrutura de congelamento e armazenamento, capacitação das equipes, logística e padronização dos processos podem restringir a expansão da disponibilidade de plasma industrial. Conclusão: A consolidação de uma hemorrede integrada e qualificada constitui elemento estratégico para ampliar a disponibilidade de plasma destinado à produção nacional de hemoderivados. A expansão da cadeia fria, a qualificação dos serviços, a capacitação das equipes, a rastreabilidade e a articulação público-privada são determinantes para reduzir perdas, aumentar o aproveitamento do plasma e sustentar a ampliação da produção nacional. O fortalecimento desses componentes contribui para a soberania sanitária e a redução gradual da dependência externa de medicamentos hemoderivados.
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PY - 2026
DA - 2026/10/23
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AB - Introdução: O sangue total, após processamento, é separado em concentrado de hemácias, concentrado de plaquetas e plasma. Cerca de 30% do plasma obtido é aproveitado para uso transfusional, enquanto o excedente pode ser destinado à produção industrial de hemoderivados. A Lei nº 10.205/2001 e a Portaria de Consolidação nº 5/2017 estabelecem as diretrizes para utilização desse plasma e os requisitos aplicáveis aos serviços de hemoterapia. Nesse contexto, a qualificação dos serviços, a cadeia fria, a rastreabilidade e o cumprimento das Boas Práticas de Fabricação (BPF) são fundamentais para transformar o excedente em matéria-prima adequada ao processamento industrial. Objetivo: Discutir a importância da integração entre hemocentros públicos e serviços de hemoterapia privados para ampliar a disponibilidade de plasma excedente qualificado à indústria nacional, considerando fatores estruturais e operacionais que limitam seu aproveitamento. Métodos: Realizou-se revisão narrativa e documental da legislação federal e de dados públicos sobre a hemorrede e a gestão do plasma, considerando documentos publicados entre 2017 e 2026. Foram analisados a Lei nº 10.205/2001, a Portaria de Consolidação nº 5/2017 e alterações, dados do Boletim de Avaliação Sanitária da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), informações da Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás) e divulgações do Ministério da Saúde. Resultados: O Brasil possui 2.097 serviços de hemoterapia, dos quais 443 realizam coleta de sangue total. Atualmente, 72 serviços estão qualificados para fornecer à Hemobrás plasma excedente destinado ao fracionamento industrial. A captação nacional passou de 200,2 mil litros em 2024 para 217,7 mil litros em 2025, enquanto as metas preveem 300 mil litros em 2026 e 500 mil litros até 2030. Esse crescimento depende da capacidade da hemorrede em coletar, processar, congelar, armazenar e transportar o plasma dentro dos requisitos de qualidade. O Novo PAC Saúde destinou R$ 116 milhões à aquisição de 604 equipamentos para 125 serviços em 22 estados, ampliando a capacidade de congelamento e mitigando gargalos operacionais, com expectativa de aumento inicial de 30% no aproveitamento do plasma. Paralelamente, a qualificação de serviços privados, como Sírio-Libanês e A.C.Camargo, amplia a participação da rede privada e reforça a integração da cadeia de fornecimento. Os achados indicam que limitações de infraestrutura de congelamento e armazenamento, capacitação das equipes, logística e padronização dos processos podem restringir a expansão da disponibilidade de plasma industrial. Conclusão: A consolidação de uma hemorrede integrada e qualificada constitui elemento estratégico para ampliar a disponibilidade de plasma destinado à produção nacional de hemoderivados. A expansão da cadeia fria, a qualificação dos serviços, a capacitação das equipes, a rastreabilidade e a articulação público-privada são determinantes para reduzir perdas, aumentar o aproveitamento do plasma e sustentar a ampliação da produção nacional. O fortalecimento desses componentes contribui para a soberania sanitária e a redução gradual da dependência externa de medicamentos hemoderivados.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -