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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

EXPOSIÇÃO COMBINADA A CONCENTRADOS DE PLAQUETAS ABO IDÊNTICOS E NÃO IDÊNTICOS COMPATÍVEIS: ASSOCIAÇÃO COM RENDIMENTO PLAQUETÁRIO E DESFECHOS CLÍNICOS

  1. 1Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, São José do Rio Preto, SP, Brasil
  2. 2Hemocentro de São José do Rio Preto, São José do Rio Preto, SP, Brasil

Abstract

Introdução: A transfusão de concentrado de plaquetas (CP) ABO idêntico é preferível por gerar maior incremento plaquetário e menor risco de interação plasmática entre grupos ABO. Contudo, pela curta validade e oscilações de estoque, CP ABO não idênticos compatíveis são amplamente utilizados. A interação entre antígenos plaquetários, anticorpos anti-ABO e antígenos solúveis pode reduzir o rendimento e aumentar reações transfusionais (1,2). Objetivos: Avaliar se a exposição combinada a CP ABO idêntico e não idêntico compatível (G3) se associa a alterações no rendimento plaquetário médio (RPM), reações transfusionais (RT), tempo médio de internação (TMI) e taxa de óbito hospitalar (TOH), em comparação ao CP ABO idêntico exclusivo (G1). Material e métodos: Coorte retrospectiva aprovada pelo CEP-FAMERP (CAAE: 79901824600005415). Casuística: 4.243 receptores (18.289 transfusões [tx]), Hospital de Base de São José do Rio Preto, 2020–2025. Grupos: G1, CP ABO idêntico exclusivo (n = 2.421; 4.362 tx); G3, exposição combinada a CP ABO idêntico e não idêntico compatível (n = 564; 5.345 tx). G2, CP ABO não idêntico compatível exclusivo (n = 265; 342 tx), foi apenas descrito pela baixa representatividade. Desfechos: RPM em incrementos válidos medidos 1–48h após a tx; RT: reação febril não hemolítica, reação alérgica, sobrecarga circulatória e outras reações imediatas; TMI; TOH. Análises: teste t de Welch, qui-quadrado com correção de Yates, teste exato de Fisher; RR com IC95%; p < 0,05. Resultados: RPM: G3 apresentou RPM menor que G1 (16,57 vs. 25,89 ×10³/µL; Δ = 9,31; IC95% 8,28–10,35; p < 0,001), em contexto de maior carga transfusional (9,48 vs. 1,80 tx/receptor). RT: taxa global de 9,3‰. G3 apresentou maior frequência de RT que G1 (15,3‰ vs. 8,7‰; RR = 1,76; IC95% 1,20–2,58; p = 0,003), especialmente reação alérgica (RR = 2,40; p = 0,001). TMI/TOH: G3 apresentou maior TMI (32,0 vs. 30,0 dias; p < 0,001) e maior TOH (43,1% vs. 29,1%; p < 0,001), achados interpretados considerando a maior carga transfusional. Discussão: A interpretação concentrou-se em G3, pois G2 teve baixa representatividade. A literatura favorece CP ABO idêntico por maior recuperação plaquetária e menor risco de perda de eficácia, febre, alergia e necessidade de novas tx quando ABO não idênticos (1,3,5). Evidências recentes mostram discreto aumento de reações febris e alérgicas em CP ABO não idênticos, sustentando os achados observados (4). Em G3, a exposição combinada, em cenário de maior carga transfusional e complexidade clínica, pode ampliar efeitos discretos da incompatibilidade ABO sobre RPM, RT, TMI e TOH, indicando maior vulnerabilidade. Assim, G3 pode ser interpretado como marcador de exposição ABO não idêntica, carga transfusional e vulnerabilidade clínica. Conclusão: A exposição combinada ABO (G3) associou-se a menor RPM, maior RT alérgica, maior TMI e maior TOH versus G1. G2 isolado foi insuficiente para interpretação conclusiva. Os achados sustentam priorizar CP ABO idênticos e considerar a exposição combinada na avaliação de risco de pacientes politransfundidos, como marcador de maior vulnerabilidade clínica.

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AB  - Introdução: A transfusão de concentrado de plaquetas (CP) ABO idêntico é preferível por gerar maior incremento plaquetário e menor risco de interação plasmática entre grupos ABO. Contudo, pela curta validade e oscilações de estoque, CP ABO não idênticos compatíveis são amplamente utilizados. A interação entre antígenos plaquetários, anticorpos anti-ABO e antígenos solúveis pode reduzir o rendimento e aumentar reações transfusionais (1,2). Objetivos: Avaliar se a exposição combinada a CP ABO idêntico e não idêntico compatível (G3) se associa a alterações no rendimento plaquetário médio (RPM), reações transfusionais (RT), tempo médio de internação (TMI) e taxa de óbito hospitalar (TOH), em comparação ao CP ABO idêntico exclusivo (G1). Material e métodos: Coorte retrospectiva aprovada pelo CEP-FAMERP (CAAE: 79901824600005415). Casuística: 4.243 receptores (18.289 transfusões [tx]), Hospital de Base de São José do Rio Preto, 2020–2025. Grupos: G1, CP ABO idêntico exclusivo (n = 2.421; 4.362 tx); G3, exposição combinada a CP ABO idêntico e não idêntico compatível (n = 564; 5.345 tx). G2, CP ABO não idêntico compatível exclusivo (n = 265; 342 tx), foi apenas descrito pela baixa representatividade. Desfechos: RPM em incrementos válidos medidos 1–48h após a tx; RT: reação febril não hemolítica, reação alérgica, sobrecarga circulatória e outras reações imediatas; TMI; TOH. Análises: teste t de Welch, qui-quadrado com correção de Yates, teste exato de Fisher; RR com IC95%; p < 0,05. Resultados: RPM: G3 apresentou RPM menor que G1 (16,57 vs. 25,89 ×10³/µL; Δ = 9,31; IC95% 8,28–10,35; p < 0,001), em contexto de maior carga transfusional (9,48 vs. 1,80 tx/receptor). RT: taxa global de 9,3‰. G3 apresentou maior frequência de RT que G1 (15,3‰ vs. 8,7‰; RR = 1,76; IC95% 1,20–2,58; p = 0,003), especialmente reação alérgica (RR = 2,40; p = 0,001). TMI/TOH: G3 apresentou maior TMI (32,0 vs. 30,0 dias; p < 0,001) e maior TOH (43,1% vs. 29,1%; p < 0,001), achados interpretados considerando a maior carga transfusional. Discussão: A interpretação concentrou-se em G3, pois G2 teve baixa representatividade. A literatura favorece CP ABO idêntico por maior recuperação plaquetária e menor risco de perda de eficácia, febre, alergia e necessidade de novas tx quando ABO não idênticos (1,3,5). Evidências recentes mostram discreto aumento de reações febris e alérgicas em CP ABO não idênticos, sustentando os achados observados (4). Em G3, a exposição combinada, em cenário de maior carga transfusional e complexidade clínica, pode ampliar efeitos discretos da incompatibilidade ABO sobre RPM, RT, TMI e TOH, indicando maior vulnerabilidade. Assim, G3 pode ser interpretado como marcador de exposição ABO não idêntica, carga transfusional e vulnerabilidade clínica. Conclusão: A exposição combinada ABO (G3) associou-se a menor RPM, maior RT alérgica, maior TMI e maior TOH versus G1. G2 isolado foi insuficiente para interpretação conclusiva. Os achados sustentam priorizar CP ABO idênticos e considerar a exposição combinada na avaliação de risco de pacientes politransfundidos, como marcador de maior vulnerabilidade clínica.
SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -