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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

CONDIÇÕES DERMATOLÓGICAS COMO CAUSA DE INAPTIDÃO PARA DOAÇÃO DE SANGUE: ANÁLISE EM UM SERVIÇO DE HEMOTERAPIA NO SUL DO BRASIL

  1. 1Faculdade de Medicina, Universidade de Passo Fundo, Passo Fundo, RS, Brasil
  2. 2Hospital São Vicente de Paulo, Serviço de Hemoterapia, Passo Fundo, RS, Brasil
  3. 3Hospital São Vicente de Paulo, Serviço de Hemoterapia; Faculdade de Medicina, Universidade de Passo Fundo, Passo Fundo, RS, Brasil

Abstract

Introdução: Doenças dermatológicas podem impactar a elegibilidade de doadores de sangue de modo temporário ou definitivo. A aptidão para doação é regulamentada no Brasil pelas diretrizes do Ministério da Saúde (Portaria de Consolidação GM/MS nº 5/2017, Anexo IV, atualizada pela Portaria GM/MS nº 11.685/2026) e pela Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 34/2014 da ANVISA, que estabelecem normas para garantir a segurança do doador e do receptor. Nesse contexto, conhecer o perfil dessas inaptidões contribui para o aperfeiçoamento da triagem clínica e das estratégias de orientação em hemoterapia. Objetivos: Avaliar as causas de inaptidão temporária ou definitiva por condições dermatológicas em potenciais candidatos à doação de sangue. Material e métodos: Estudo observacional, retrospectivo e transversal, realizado a partir de dados do sistema e-Delphyn do Serviço de Hemoterapia do Hospital São Vicente de Paulo (Passo Fundo/RS), entre julho de 2023 e dezembro de 2025. Incluíram-se potenciais doadores de 16 a 69 anos, de ambos os sexos, considerados inaptos por condições dermatológicas segundo a legislação brasileira vigente. Os dados foram analisados no programa Microsoft Excel. Resultados: No período, registraram-se 26.385 doadores cadastrados e 1.678 candidatos inelegíveis, dos quais 118 apresentavam condições dermatológicas (7,0% dos inaptos). Entre os inaptos por causa dermatológica, 57,6% eram do sexo masculino e 42,4% do sexo feminino. As afecções incluíram 6 casos de neoplasias cutâneas (3 melanomas e 3 carcinomas espinocelulares), 19 de doenças dermatológicas crônicas/inflamatórias (10 psoríases, 5 vitiligos e 4 dermatites atópicas), 1 de escabiose, 16 de herpes labial ativo e 28 de lesões cutâneas não especificadas. Em relação ao uso de medicamentos/procedimentos dermatológicos, 15 candidatos utilizavam Minoxidil, 5 Isotretinoína e 1 havia sido submetido recentemente à aplicação de toxina botulínica. Outros 27 relataram uso de medicação de finalidade dermatológica sem especificar o princípio ativo. Discussão: A triagem clínica representa uma etapa fundamental da hemoterapia, sendo responsável por identificar condições que comprometam a segurança transfusional. As doenças dermatológicas e seus tratamentos configuram causas relevantes de inaptidão. Observou-se a predominância de condições potencialmente reversíveis e impedimentos temporários (como lesões ativas e uso de medicações teratogênicas/específicas), permitindo o retorno futuro do candidato após o período de carência. Em contrapartida, neoplasias cutâneas não basocelulares e determinadas afecções autoimunes graves determinaram inaptidão definitiva. Esses achados reforçam a importância da aplicação criteriosa dos regulamentos técnicos, minimizando riscos e otimizando a captação de doadores. Conclusão: As condições dermatológicas corresponderam a uma parcela expressiva das causas de inaptidão clínica, com predominância de situações temporárias. Os resultados destacam a relevância da triagem clínica rigorosa e respaldada pela legislação vigente. A orientação adequada sobre o tempo de espera para uma nova doação pode favorecem o retorno do doador e a fidelização, assegurando a manutenção dos estoques sanguíneos com segurança transfusional.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
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