CAPTAÇÃO DE DOADORES EM HOSPITAL DE REFERÊNCIA EM ONCOLOGIA DA AMAZÔNIA: IMPACTO DA COLETA MÓVEL REGULAR E DA ARTICULAÇÃO INTERSETORIAL SOBRE O ÍNDICE DE REPOSIÇÃO
- 1Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará, Belém, PA, Brasil
- 2PROHEMO, Belém, PA, Brasil
- 3Hospital Ophir Loyola, Belém, PA, Brasil
Abstract
Introdução: O Hospital Ophir Loyola (HOL), referência oncológica no Pará, apresenta demanda transfusional média de cerca de 800 hemocomponentes/mês. O perfil oncológico impõe barreiras à reposição, uma vez que o próprio paciente é inapto à doação e a demanda é continuada, recaindo sobre uma rede de apoio restrita e sobrecarregada pelo cuidado, o que comprometeu historicamente o alcance da meta pactuada pela Fundação HEMOPA, superior a 50%. Objetivos: Descrever o impacto de estratégias de captação de doadores implantadas em 2026 sobre o índice de reposição da Agência Transfusional do HOL. Material e métodos: Estudo descritivo, retrospectivo, com dados secundários agregados do indicador Fornecimento/Doação da Fundação HEMOPA, de 2021 a junho de 2026. O índice de reposição foi calculado pela razão entre doações captadas e hemocomponentes fornecidos, conforme indicador pactuado pela Fundação HEMOPA, cuja meta é superior a 50%; utilizaram-se dados sem identificação de indivíduos, mediante autorização institucional. As estratégias implantadas foram: presença mensal fixa da Unidade Móvel de Coleta (dois dias/mês) em frente ao hospital, substituindo o modelo anterior de campanhas estratégicas (três vezes/ano); inserção de assistente social para coordenação das ações junto à médica hemoterapeuta do Serviço de Hemoterapia; orientação e sensibilização sistemática de pacientes e familiares; e construção de parcerias com Corpo de Bombeiros, Forças Armadas, Polícia Rodoviária Federal e demais organizações da sociedade paraense. Resultados: O índice de reposição variou entre 46,9% e 54,3% de 2021 a 2024, com queda para 31,9% em 2025 (3.027/9.483). No primeiro semestre de 2026 alcançou 76,0% (3.655/4.810), aumento relativo de 138,1% (44,1 pontos percentuais) em relação a 2025 e superior a toda a série histórica. Janeiro registrou o maior valor (147,9%), atribuído à mobilização intensiva durante desabastecimento regional que motivou cancelamento de reservas cirúrgicas. Excluído esse mês, o índice de fevereiro a junho manteve-se em 59,0% (27,1 pontos percentuais acima de 2025). A média mensal de doadores captados passou de 252 para 609, com fornecimento estável (790 versus 802/mês). A meta foi superada em cinco dos seis meses avaliados. Discussão: A estabilidade do fornecimento indica que o ganho decorreu da ampliação da captação e não da redução da demanda transfusional. A regularidade e a previsibilidade da coleta intramuros reduziram barreiras logísticas de deslocamento do doador e permitiram vincular a orientação assistencial ao ato da doação. A coordenação por assistente social qualificou a abordagem de pacientes e familiares, e as parcerias intersetoriais ampliaram a base de doadores para além do círculo familiar do paciente, aspecto crítico em serviços oncológicos com demanda continuada e rede de apoio restrita. A manutenção do resultado após o mês de crise sugere efeito sustentado da estratégia, e não fenômeno isolado de comoção pública. Como limitações, o desenho descritivo não permite inferência causal e o período de 2026 é parcial. Conclusão: A regularidade da coleta móvel intramuros, associada à coordenação multiprofissional e às parcerias intersetoriais, mostrou-se estratégia efetiva e de baixo custo para reverter a queda da captação em hospital oncológico amazônico, com potencial de replicação em outras unidades de alta complexidade.
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AB - Introdução: O Hospital Ophir Loyola (HOL), referência oncológica no Pará, apresenta demanda transfusional média de cerca de 800 hemocomponentes/mês. O perfil oncológico impõe barreiras à reposição, uma vez que o próprio paciente é inapto à doação e a demanda é continuada, recaindo sobre uma rede de apoio restrita e sobrecarregada pelo cuidado, o que comprometeu historicamente o alcance da meta pactuada pela Fundação HEMOPA, superior a 50%. Objetivos: Descrever o impacto de estratégias de captação de doadores implantadas em 2026 sobre o índice de reposição da Agência Transfusional do HOL. Material e métodos: Estudo descritivo, retrospectivo, com dados secundários agregados do indicador Fornecimento/Doação da Fundação HEMOPA, de 2021 a junho de 2026. O índice de reposição foi calculado pela razão entre doações captadas e hemocomponentes fornecidos, conforme indicador pactuado pela Fundação HEMOPA, cuja meta é superior a 50%; utilizaram-se dados sem identificação de indivíduos, mediante autorização institucional. As estratégias implantadas foram: presença mensal fixa da Unidade Móvel de Coleta (dois dias/mês) em frente ao hospital, substituindo o modelo anterior de campanhas estratégicas (três vezes/ano); inserção de assistente social para coordenação das ações junto à médica hemoterapeuta do Serviço de Hemoterapia; orientação e sensibilização sistemática de pacientes e familiares; e construção de parcerias com Corpo de Bombeiros, Forças Armadas, Polícia Rodoviária Federal e demais organizações da sociedade paraense. Resultados: O índice de reposição variou entre 46,9% e 54,3% de 2021 a 2024, com queda para 31,9% em 2025 (3.027/9.483). No primeiro semestre de 2026 alcançou 76,0% (3.655/4.810), aumento relativo de 138,1% (44,1 pontos percentuais) em relação a 2025 e superior a toda a série histórica. Janeiro registrou o maior valor (147,9%), atribuído à mobilização intensiva durante desabastecimento regional que motivou cancelamento de reservas cirúrgicas. Excluído esse mês, o índice de fevereiro a junho manteve-se em 59,0% (27,1 pontos percentuais acima de 2025). A média mensal de doadores captados passou de 252 para 609, com fornecimento estável (790 versus 802/mês). A meta foi superada em cinco dos seis meses avaliados. Discussão: A estabilidade do fornecimento indica que o ganho decorreu da ampliação da captação e não da redução da demanda transfusional. A regularidade e a previsibilidade da coleta intramuros reduziram barreiras logísticas de deslocamento do doador e permitiram vincular a orientação assistencial ao ato da doação. A coordenação por assistente social qualificou a abordagem de pacientes e familiares, e as parcerias intersetoriais ampliaram a base de doadores para além do círculo familiar do paciente, aspecto crítico em serviços oncológicos com demanda continuada e rede de apoio restrita. A manutenção do resultado após o mês de crise sugere efeito sustentado da estratégia, e não fenômeno isolado de comoção pública. Como limitações, o desenho descritivo não permite inferência causal e o período de 2026 é parcial. Conclusão: A regularidade da coleta móvel intramuros, associada à coordenação multiprofissional e às parcerias intersetoriais, mostrou-se estratégia efetiva e de baixo custo para reverter a queda da captação em hospital oncológico amazônico, com potencial de replicação em outras unidades de alta complexidade.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -