TRANSFUSÃO DE PLAQUETAS POR AFÉRESE COM REDUÇÃO PLASMÁTICA COMO ALTERNATIVA SEGURA EM PACIENTE COM REAÇÃO DE HIPERSENSIBILIDADE TRANSFUSIONAL GRAVE: RELATO DE CASO
- 1Grupo GSH, Brasília, DF, Brasil
Abstract
Introdução: As reações transfusionais alérgicas graves associadas ao concentrado de plaquetas, embora raras, constituem um desafio à segurança transfusional. A redução do plasma residual tem sido usada como estratégia para mitigação desses eventos, promovendo maior segurança transfusional em pacientes com histórico de reações adversas. Objetivo: Apresentar o relato de caso de uma paciente com reação transfusional grave associada à transfusão de plaquetas, evidenciando a aplicação do protocolo institucional da redução plasmática na prevenção de novos eventos adversos. Relato de caso: Paciente do sexo feminino, 76 anos, portadora de leucemia mieloide aguda, com necessidade recorrente de transfusão de plaquetas e histórico de reação anafilática caracterizada por prurido sistêmico e dispneia, evoluindo para insuficiência respiratória, necessidade de intubação orotraqueal e suporte com drogas vasoativas em Unidade de Terapia Intensiva. Em decorrência do antecedente clínico, foram utilizados concentrados de plaquetas por aférese submetidos à redução do plasma residual, associados à pré-medicação antialérgica, conforme protocolo institucional. Foram analisados registros transfusionais, ocorrência de reações, resposta clínica e incremento plaquetário pós-transfusional. A paciente permaneceu monitorizada durante e após as transfusões, mantendo sinais vitais dentro dos parâmetros esperados. Discussão: Em 10/04/2026, iniciamos o protocolo com plaquetas por aférese submetidas à redução do plasma residual. Durante o período analisado, foram realizadas 18 transfusões, sendo possível avaliar o incremento plaquetário em 11 episódios (61,1%). O incremento absoluto variou de 6.000 a 41.000 plaquetas/µL, com média de 19.909 plaquetas/µL e mediana de 18.000 plaquetas/µL. Em todos os episódios houve aumento da contagem plaquetária. Nos demais sete episódios (38,9%), não houve exame pós-transfusional disponível. Não foram observadas recorrências de reações transfusionais graves após a implementação da estratégia. Embora não haja disponível um registro mundial unificado de reações anafiláticas relacionadas exclusivamente à transfusão de plaquetas, estudos apontam incidência entre 1,2 e 5,9 casos por 100.000 hemocomponentes transfundidos. As plaquetas figuram entre os hemocomponentes mais frequentemente associados a reações alérgicas em razão do maior conteúdo proteico plasmático. Conclusão: A utilização de plaquetas por aférese com redução do plasma residual, associada à pré-medicação, mostrou-se eficaz na prevenção de novas reações transfusionais graves, mantendo a efetividade transfusional. Os achados reforçam a importância da hemovigilância e da individualização das condutas em pacientes de alto risco.
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AU - Pâmella Fernanda de Sousa BATISTA
AU - Yananda Victoria dos Santos SOUSA
AU - Sanny Marcele da Costa LIRA
AU - João Paulo de Lima DE AMORIM
AU - Erich De Conde FERREIRA
PY - 2026
DA - 2026/10/23
JO - Hematology, Transfusion and Cell Therapy
DO - 10.1016/j.htct.2026.107346
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AB - Introdução: As reações transfusionais alérgicas graves associadas ao concentrado de plaquetas, embora raras, constituem um desafio à segurança transfusional. A redução do plasma residual tem sido usada como estratégia para mitigação desses eventos, promovendo maior segurança transfusional em pacientes com histórico de reações adversas. Objetivo: Apresentar o relato de caso de uma paciente com reação transfusional grave associada à transfusão de plaquetas, evidenciando a aplicação do protocolo institucional da redução plasmática na prevenção de novos eventos adversos. Relato de caso: Paciente do sexo feminino, 76 anos, portadora de leucemia mieloide aguda, com necessidade recorrente de transfusão de plaquetas e histórico de reação anafilática caracterizada por prurido sistêmico e dispneia, evoluindo para insuficiência respiratória, necessidade de intubação orotraqueal e suporte com drogas vasoativas em Unidade de Terapia Intensiva. Em decorrência do antecedente clínico, foram utilizados concentrados de plaquetas por aférese submetidos à redução do plasma residual, associados à pré-medicação antialérgica, conforme protocolo institucional. Foram analisados registros transfusionais, ocorrência de reações, resposta clínica e incremento plaquetário pós-transfusional. A paciente permaneceu monitorizada durante e após as transfusões, mantendo sinais vitais dentro dos parâmetros esperados. Discussão: Em 10/04/2026, iniciamos o protocolo com plaquetas por aférese submetidas à redução do plasma residual. Durante o período analisado, foram realizadas 18 transfusões, sendo possível avaliar o incremento plaquetário em 11 episódios (61,1%). O incremento absoluto variou de 6.000 a 41.000 plaquetas/µL, com média de 19.909 plaquetas/µL e mediana de 18.000 plaquetas/µL. Em todos os episódios houve aumento da contagem plaquetária. Nos demais sete episódios (38,9%), não houve exame pós-transfusional disponível. Não foram observadas recorrências de reações transfusionais graves após a implementação da estratégia. Embora não haja disponível um registro mundial unificado de reações anafiláticas relacionadas exclusivamente à transfusão de plaquetas, estudos apontam incidência entre 1,2 e 5,9 casos por 100.000 hemocomponentes transfundidos. As plaquetas figuram entre os hemocomponentes mais frequentemente associados a reações alérgicas em razão do maior conteúdo proteico plasmático. Conclusão: A utilização de plaquetas por aférese com redução do plasma residual, associada à pré-medicação, mostrou-se eficaz na prevenção de novas reações transfusionais graves, mantendo a efetividade transfusional. Os achados reforçam a importância da hemovigilância e da individualização das condutas em pacientes de alto risco.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -