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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

AVALIAÇÃO DE EVENTOS TROMBOEMBÓLICOS EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES DE ZERO A DEZOITO ANOS EM UM HOSPITAL PEDIÁTRICO: ANÁLISE RETROSPECTIVA DE 2018 A 2024

  1. 1Sabará Hospital Infantil, Instituto Pensi, Fundação José Luiz Setúbal, São Paulo, SP, Brasil

Abstract

Introdução: Nas últimas décadas, observou-se aumento dos eventos tromboembólicos em hospitais pediátricos associado à maior complexidade dos pacientes. A ocorrência é bimodal por idade, predominando em lactentes e adolescentes, e está fortemente relacionada ao uso de cateter venoso central e doenças crônicas de base. Objetivos: Avaliar a frequência de eventos tromboembólicos em pacientes pediátricos internados, descrever características e manifestações clínicas, perfil epidemiológico, localização da trombose e fatores de risco associados. Material e Métodos: Estudo observacional, retrospectivo, com análise de prontuários eletrônicos de pacientes de 0 a 18 anos incompletos internados em um hospital pediátrico terciário em São Paulo, entre 2018 e 2024, que receberam enoxaparina em dose terapêutica (a cada 12 horas) para tratamento de tromboembolismo agudo. Excluíram-se casos de anticoagulação por indicações não terapêuticas ou distintas do tratamento do tromboembolismo venoso, bem como tromboses arteriais do sistema nervoso central, tromboses crônicas e tromboflebites. Resultados: Dos 337 registros identificados, 142 casos de trombose preencheram os critérios de inclusão. Os outros 195 pacientes tiveram indicações terapêuticas não relacionadas ao tromboembolismo, como cardiopatias. Houve predomínio do sexo masculino (86;60,6%). A idade mediana foi de 1,9 anos, com maior concentração em lactentes (69;48,6%), seguidos de pré-escolares (28), adolescentes (24), escolares (16) e recém-nascidos (5). Quanto a localização, predominou o acometimento venoso (119;83,8%), seguido de arterial (18) e intracardíaco (17). Cerca de metade dos casos foi sintomática (70;49,3%), sendo edema a manifestação mais frequente. Os principais fatores de risco foram cateter venoso central e infecção (118 cada; 83,1%) seguidos por internação em terapia intensiva (110;77,5%), uso de corticoesteroides (54;38,0%), cirurgias recentes (48;33,8%) e cardiopatias (42;29,6%). Em média, cada paciente apresentou 4,6 fatores de risco associados. A mediana de internação foi de 26 dias. Houve 10 casos de tromboembolismo pulmonar e 13 óbitos. A mortalidade esteve associada à menor faixa etária (p = 0,04), presença de cardiopatia (p < 0,001), instabilidade hemodinâmica (p < 0,01) e maior tempo de internação (p < 0,01). Discussão: Os resultados são consistentes com a literatura, com predomínio de trombose em lactentes, reproduzindo um dos picos da distribuição bimodal. O acometimento venoso e a forte associação ao uso de cateter venoso central, infecção e comorbidades reforçam o caráter multifatorial e adquirido da trombose em pediatria no contexto hospitalar. A ocorrência de sintomas em apenas metade dos casos sugere uma proporção significativa de eventos oligossintomáticos ou detectados incidentalmente por exames de imagem, entretanto, diante da escassez de evidências sobre sua história natural e relevância clínica, o rastreamento sistemático de trombose assintomática em crianças criticamente enfermas permanece controverso. Desfechos desfavoráveis pareceram refletir a gravidade da doença de base. Conclusão: O tromboembolismo pediátrico mostrou-se uma condição adquirida e multifatorial, associada principalmente à hospitalização e aos pacientes clinicamente enfermos. O aumento da frequência desses eventos reforça a necessidade de protocolos institucionais para estratificação de risco, diagnóstico precoce e prevenção nas populações pediátricas mais vulneráveis.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
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