IDENTIFICAÇÃO DE LEVEDURAS E PSEUDOHIFAS FAGOCITADAS POR NEUTRÓFILOS NO SANGUE PERIFÉRICO EM CANDIDEMIA POR CANDIDA PARAPSILOSIS: RELATO DE CASO
- 1Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP), Cascavel, PR, Brasil
- 2Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Cascavel, PR, Brasil
Abstract
A candidemia é uma infecção grave, associada a elevada mortalidade em pacientes críticos. Embora a hemocultura seja o método de referência, a identificação de leveduras ou pseudohifas fagocitadas por neutrófilos no sangue periférico é rara e sugestiva de fungemia ativa. Relata-se candidemia por Candida parapsilosis com identificação de estruturas fúngicas intracelulares durante a revisão morfológica do hemograma. Paciente masculino, 47 anos, internado em unidade de terapia intensiva com pancreatite aguda grave biliar e resposta inflamatória sistêmica. Apresentava cateter venoso central, nutrição parenteral, ventilação mecânica, traqueostomia, lesão por pressão necrótica e uso de antimicrobianos de amplo espectro por 43 dias. Após episódios febris, hemoculturas periférica e do cateter positivaram em cerca de 24 horas, identificando C. parapsilosis por Bact/Alert e VITEK® 2 COMPACT, sensível à anfotericina B e ao fluconazol. O hemograma de 30 de maio evidenciou hemoglobina de 6,8 g/dL, hematócrito de 21,6%, VCM de 93,9 fL, RDW de 16,2%, leucócitos de 17.600/mm 3 , neutrófilos de 15.135/mm 3 e plaquetas de 245.000/mm 3 . A revisão microscópica demonstrou anisocitose, policromasia, leveduras e pseudohifas no citoplasma de neutrófilos. Algumas pseudohifas sobrepostas ao núcleo simulavam lobulação ou hipersegmentação, porém a presença de leveduras intracitoplasmáticas confirmou fagocitose de estruturas fúngicas. O achado foi comunicado à equipe em dez minutos, reforçando a evidência de fungemia ativa. Foi instituído fluconazol intravenoso conforme o teste de sensibilidade, e o cateter venoso central foi trocado em 1º de junho. Hemoculturas de controle permaneceram positivas para C. parapsilosis em seis coletas entre 3 e 21 de junho. Apesar do tratamento e do suporte intensivo, o paciente evoluiu com choque séptico e disfunções orgânicas, falecendo após 89 dias de internação e 39 dias após o diagnóstico. A visualização de leveduras e pseudohifas fagocitadas por neutrófilos é incomum e pode refletir elevada carga fúngica circulante. A sobreposição de pseudohifas ao núcleo pode simular hipersegmentação, exigindo revisão criteriosa da lâmina e correlação com brotamento, localização intracitoplasmática e microbiologia. Embora não substitua a hemocultura, esse achado constitui sinal de alerta para fungemia ativa e deve ser imediatamente comunicado. O caso reforça a integração entre Hematologia Laboratorial, Microbiologia e equipe clínica no reconhecimento e manejo oportunos da candidemia.
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TI - IDENTIFICAÇÃO DE LEVEDURAS E PSEUDOHIFAS FAGOCITADAS POR NEUTRÓFILOS NO SANGUE PERIFÉRICO EM CANDIDEMIA POR CANDIDA PARAPSILOSIS: RELATO DE CASO
AU - Rafaela Milena SIGNORINI
AU - Isadora De Borba BINI
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PY - 2026
DA - 2026/10/23
JO - Hematology, Transfusion and Cell Therapy
DO - 10.1016/j.htct.2026.106738
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AB - A candidemia é uma infecção grave, associada a elevada mortalidade em pacientes críticos. Embora a hemocultura seja o método de referência, a identificação de leveduras ou pseudohifas fagocitadas por neutrófilos no sangue periférico é rara e sugestiva de fungemia ativa. Relata-se candidemia por Candida parapsilosis com identificação de estruturas fúngicas intracelulares durante a revisão morfológica do hemograma. Paciente masculino, 47 anos, internado em unidade de terapia intensiva com pancreatite aguda grave biliar e resposta inflamatória sistêmica. Apresentava cateter venoso central, nutrição parenteral, ventilação mecânica, traqueostomia, lesão por pressão necrótica e uso de antimicrobianos de amplo espectro por 43 dias. Após episódios febris, hemoculturas periférica e do cateter positivaram em cerca de 24 horas, identificando C. parapsilosis por Bact/Alert e VITEK® 2 COMPACT, sensível à anfotericina B e ao fluconazol. O hemograma de 30 de maio evidenciou hemoglobina de 6,8 g/dL, hematócrito de 21,6%, VCM de 93,9 fL, RDW de 16,2%, leucócitos de 17.600/mm 3 , neutrófilos de 15.135/mm 3 e plaquetas de 245.000/mm 3 . A revisão microscópica demonstrou anisocitose, policromasia, leveduras e pseudohifas no citoplasma de neutrófilos. Algumas pseudohifas sobrepostas ao núcleo simulavam lobulação ou hipersegmentação, porém a presença de leveduras intracitoplasmáticas confirmou fagocitose de estruturas fúngicas. O achado foi comunicado à equipe em dez minutos, reforçando a evidência de fungemia ativa. Foi instituído fluconazol intravenoso conforme o teste de sensibilidade, e o cateter venoso central foi trocado em 1º de junho. Hemoculturas de controle permaneceram positivas para C. parapsilosis em seis coletas entre 3 e 21 de junho. Apesar do tratamento e do suporte intensivo, o paciente evoluiu com choque séptico e disfunções orgânicas, falecendo após 89 dias de internação e 39 dias após o diagnóstico. A visualização de leveduras e pseudohifas fagocitadas por neutrófilos é incomum e pode refletir elevada carga fúngica circulante. A sobreposição de pseudohifas ao núcleo pode simular hipersegmentação, exigindo revisão criteriosa da lâmina e correlação com brotamento, localização intracitoplasmática e microbiologia. Embora não substitua a hemocultura, esse achado constitui sinal de alerta para fungemia ativa e deve ser imediatamente comunicado. O caso reforça a integração entre Hematologia Laboratorial, Microbiologia e equipe clínica no reconhecimento e manejo oportunos da candidemia.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -