ANÁLISE DAS CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E TEMPO DE ESPERA PARA REGULAÇÃO E AVALIAÇÃO DA HEMATOLOGIA EM PACIENTES INTERNADOS EM SERVIÇO DE REFERÊNCIA NA CIDADE DE SÃO PAULO
- 1Santa Marcelina Saúde, São Paulo, SP, Brasil
- 2Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), Campo Grande, MS, Brasil
Abstract
As doenças hematológicas frequentemente exigem diagnóstico e tratamento especializados, sendo a regulação do acesso um componente essencial para garantir assistência oportuna aos pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Este estudo teve como objetivo analisar o tempo de espera para avaliação em Hematologia de pacientes encaminhados por meio da Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (CROSS), na modalidade Vaga Zero, bem como caracterizar seu perfil clínico e os desfechos assistenciais. Trata-se de um estudo observacional, descritivo e retrospectivo, realizado no Hospital Santa Marcelina Itaquera, referência em Hematologia na cidade de São Paulo. Foram analisadas 144 solicitações de regulação encaminhadas entre janeiro e junho de 2026, utilizando-se dados das fichas da CROSS e dos prontuários eletrônicos dos pacientes transferidos. A mediana de idade dos pacientes foi de 53,5 anos, com distribuição semelhante entre os sexos. Os principais motivos de encaminhamento foram as neoplasias hematológicas (63,9%), seguidas pelas coagulopatias (14,6%) e pelas anemias (13,9%), conforme a Classificação Internacional de Doenças – 10ª Revisão (CID-10). Metade dos pacientes era proveniente da cidade de São Paulo, enquanto os demais foram encaminhados de municípios como Guarulhos, Itaquaquecetuba e Mogi das Cruzes, no estado de São Paulo. O tempo médio de espera entre a internação no serviço de origem e a primeira avaliação hematológica no hospital de referência foi de seis dias. Após a avaliação especializada, 70,8% dos pacientes foram internados no hospital de referência, 21,5% foram avaliados e retornaram ao serviço de origem, e 7,7% não foram transferidos. Dos 31 pacientes (21,5%) que retornaram ao serviço de origem após a avaliação inicial, 21 foram agendados para seguimento ambulatorial devido à suspeita de neoplasia hematológica e à necessidade de continuidade da investigação diagnóstica ou do tratamento no serviço de referência. Entre os 102 pacientes internados, 25% receberam diagnóstico de leucemia aguda, 16% de linfoma, 12% de mieloma múltiplo, 9% de neoplasias mieloproliferativas ou síndromes mielodisplásicas, 7% de trombocitopenia imune, 2% de anemia falciforme e os demais apresentaram anemias ou doenças infecciosas e inflamatórias. A maioria dos pacientes internados (75,5%) recebeu alta hospitalar com encaminhamento para acompanhamento ambulatorial em Hematologia após definição diagnóstica e planejamento terapêutico; 19,6% evoluíram para óbito durante a internação; 3,9% permaneciam internados ao término da coleta de dados; e 1% recebeu alta sem seguimento hematológico por apresentar diagnóstico não relacionado à especialidade. Os resultados evidenciam elevada demanda por atendimento hematológico especializado, especialmente em Onco-Hematologia, e demonstram que a CROSS desempenha papel fundamental na organização do acesso aos serviços de alta complexidade, com elevada capacidade de seleção dos casos prioritários para regulação. Entretanto, o tempo de espera observado evidencia a necessidade de aprimoramento dos fluxos regulatórios e da integração entre os diferentes níveis de atenção à saúde, com potencial para reduzir atrasos diagnósticos e terapêuticos, contribuindo para maior segurança assistencial e melhor prognóstico dos pacientes.
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AB - As doenças hematológicas frequentemente exigem diagnóstico e tratamento especializados, sendo a regulação do acesso um componente essencial para garantir assistência oportuna aos pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Este estudo teve como objetivo analisar o tempo de espera para avaliação em Hematologia de pacientes encaminhados por meio da Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (CROSS), na modalidade Vaga Zero, bem como caracterizar seu perfil clínico e os desfechos assistenciais. Trata-se de um estudo observacional, descritivo e retrospectivo, realizado no Hospital Santa Marcelina Itaquera, referência em Hematologia na cidade de São Paulo. Foram analisadas 144 solicitações de regulação encaminhadas entre janeiro e junho de 2026, utilizando-se dados das fichas da CROSS e dos prontuários eletrônicos dos pacientes transferidos. A mediana de idade dos pacientes foi de 53,5 anos, com distribuição semelhante entre os sexos. Os principais motivos de encaminhamento foram as neoplasias hematológicas (63,9%), seguidas pelas coagulopatias (14,6%) e pelas anemias (13,9%), conforme a Classificação Internacional de Doenças – 10ª Revisão (CID-10). Metade dos pacientes era proveniente da cidade de São Paulo, enquanto os demais foram encaminhados de municípios como Guarulhos, Itaquaquecetuba e Mogi das Cruzes, no estado de São Paulo. O tempo médio de espera entre a internação no serviço de origem e a primeira avaliação hematológica no hospital de referência foi de seis dias. Após a avaliação especializada, 70,8% dos pacientes foram internados no hospital de referência, 21,5% foram avaliados e retornaram ao serviço de origem, e 7,7% não foram transferidos. Dos 31 pacientes (21,5%) que retornaram ao serviço de origem após a avaliação inicial, 21 foram agendados para seguimento ambulatorial devido à suspeita de neoplasia hematológica e à necessidade de continuidade da investigação diagnóstica ou do tratamento no serviço de referência. Entre os 102 pacientes internados, 25% receberam diagnóstico de leucemia aguda, 16% de linfoma, 12% de mieloma múltiplo, 9% de neoplasias mieloproliferativas ou síndromes mielodisplásicas, 7% de trombocitopenia imune, 2% de anemia falciforme e os demais apresentaram anemias ou doenças infecciosas e inflamatórias. A maioria dos pacientes internados (75,5%) recebeu alta hospitalar com encaminhamento para acompanhamento ambulatorial em Hematologia após definição diagnóstica e planejamento terapêutico; 19,6% evoluíram para óbito durante a internação; 3,9% permaneciam internados ao término da coleta de dados; e 1% recebeu alta sem seguimento hematológico por apresentar diagnóstico não relacionado à especialidade. Os resultados evidenciam elevada demanda por atendimento hematológico especializado, especialmente em Onco-Hematologia, e demonstram que a CROSS desempenha papel fundamental na organização do acesso aos serviços de alta complexidade, com elevada capacidade de seleção dos casos prioritários para regulação. Entretanto, o tempo de espera observado evidencia a necessidade de aprimoramento dos fluxos regulatórios e da integração entre os diferentes níveis de atenção à saúde, com potencial para reduzir atrasos diagnósticos e terapêuticos, contribuindo para maior segurança assistencial e melhor prognóstico dos pacientes.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
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