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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

LINFOMA DE CÉLULAS DO MANTO NO BRASIL: HETEROGENEIDADE NO MANEJO E DESIGUALDADES DE ACESSO AO TRATAMENTO

5 more authors
11 affiliations
  1. 1Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
  2. 2Centro de Tratamento Oncológico, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
  3. 3Registro Brasileiro de Linfoma de Células do Manto, Departamento de Registros, Associação de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular, São Paulo, SP, Brasil
  4. 4Hospital Beneficiência Portuguesa, São Paulo, SP, Brasil
  5. 5Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
  6. 6Hospital Universitário de Brasília, Brasília, DF, Brasil
  7. 7Hospital Ophir Loyola, Belém, PA, Brasil
  8. 8Hospital Universitário Gaffrée e Guinle, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
  9. 9Hospital Universitário Antônio Pedro, Niterói, RJ, Brasil
  10. 10Hospital Nove de Julho, São Paulo, SP, Brasil
  11. 11Instituto de Oncologia de Sorocaba, Sorocaba, SP, Brasil

Abstract

O linfoma de células do manto (LCM) é uma neoplasia incurável que apresenta características clínicas heterogêneas. No Brasil, as diferenças de acesso terapêuticos entre os sistemas público e privado ampliam desafios, tendo potencial de impacto sobre os desfechos dos pacientes. Este estudo retrospectivo multicêntrico tem como objetivo caracterizar os desafios do manejo do LCM no Brasil e avaliar a associação do sistema de saúde com o prognóstico. Foi coletado dados de 227 pacientes diagnosticados com LCM entre 2007 e 2025 em15 centros parceiros através dos prontuários eletrônicos e físicos. A idade mediana foi 64,7a. 68,7% eram homens e 92,2% dos pacientes com estadiamento disponível apresentavam doença estádio III–IV. A SG mediana da coorte foi 52,8 m.O tratamento realizado na 1º linha foi heterogêneo: 53,3% receberam esquemas intensivos com citarabina, 32,2% CHOP sem citarabina, 4,7% bendamustina e 9,8% receberam outros esquemas. Pacientes tratados no sistema privado apresentaram maior SG mediana do que aqueles no público (101,1 vs 43,6 meses; P=0,003), além de taxas maiores de resposta completa (70,2% vs 50,6%; P=0,009). Uso de citarabina em regimes intensivos foi semelhante entre privado e público (58,3% vs 48,6%; P=0,172). Houve diferenças no acesso ao rituximabe em primeira linha (92,2% vs 42,2%; P<0,001), TMO entre pacientes elegíveis (56,3% vs 35,4%; P=0,009) e BTKi em pacientes que apresentaram recidiva (59,6% vs 15,8%; P<0,001). Realizamos ajuste por idade, sexo, ECOG, estadiamento e ano do diagnóstico e o sistema privado permaneceu associado a menor risco de morte (HR 0,38; IC95% 0,20–0,74; P=0,005), maior probabilidade de receber rituximabe em 1º linha (OR 12,82; IC95% 4,46–36,86; P<0,001), realizar TMO entre elegíveis (OR 2,61; IC95% 1,11–6,13; P=0,028) e alcançar resposta completa (OR 3,51; IC95% 1,48–8,33; P=0,004). Apenas 1,8% dos pacientes participaram de estudos clínicos. Observamos que a taxa de atrito aumentou nas linhas terapêuticas subsequentes, sendo de 19,5% após a primeira linha de tratamento, 37,9% após a segunda e 56,0% após a terceira; embora não tenha atingido significância estatisticamente entre os sistemas. 1,8% dos pacientes participaram de estudos clínicos. O LCM no Brasil apresenta um manejo marcado por heterogeneidade clínica e terapêutica e por importantes desigualdades de acesso.

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AB  - O linfoma de células do manto (LCM) é uma neoplasia incurável que apresenta características clínicas heterogêneas. No Brasil, as diferenças de acesso terapêuticos entre os sistemas público e privado ampliam desafios, tendo potencial de impacto sobre os desfechos dos pacientes. Este estudo retrospectivo multicêntrico tem como objetivo caracterizar os desafios do manejo do LCM no Brasil e avaliar a associação do sistema de saúde com o prognóstico. Foi coletado dados de 227 pacientes diagnosticados com LCM entre 2007 e 2025 em15 centros parceiros através dos prontuários eletrônicos e físicos. A idade mediana foi 64,7a. 68,7% eram homens e 92,2% dos pacientes com estadiamento disponível apresentavam doença estádio III–IV. A SG mediana da coorte foi 52,8 m.O tratamento realizado na 1º linha foi heterogêneo: 53,3% receberam esquemas intensivos com citarabina, 32,2% CHOP sem citarabina, 4,7% bendamustina e 9,8% receberam outros esquemas. Pacientes tratados no sistema privado apresentaram maior SG mediana do que aqueles no público (101,1 vs 43,6 meses; P=0,003), além de taxas maiores de resposta completa (70,2% vs 50,6%; P=0,009). Uso de citarabina em regimes intensivos foi semelhante entre privado e público (58,3% vs 48,6%; P=0,172). Houve diferenças no acesso ao rituximabe em primeira linha (92,2% vs 42,2%; P<0,001), TMO entre pacientes elegíveis (56,3% vs 35,4%; P=0,009) e BTKi em pacientes que apresentaram recidiva (59,6% vs 15,8%; P<0,001). Realizamos ajuste por idade, sexo, ECOG, estadiamento e ano do diagnóstico e o sistema privado permaneceu associado a menor risco de morte (HR 0,38; IC95% 0,20–0,74; P=0,005), maior probabilidade de receber rituximabe em 1º linha (OR 12,82; IC95% 4,46–36,86; P<0,001), realizar TMO entre elegíveis (OR 2,61; IC95% 1,11–6,13; P=0,028) e alcançar resposta completa (OR 3,51; IC95% 1,48–8,33; P=0,004). Apenas 1,8% dos pacientes participaram de estudos clínicos. Observamos que a taxa de atrito aumentou nas linhas terapêuticas subsequentes, sendo de 19,5% após a primeira linha de tratamento, 37,9% após a segunda e 56,0% após a terceira; embora não tenha atingido significância estatisticamente entre os sistemas. 1,8% dos pacientes participaram de estudos clínicos. O LCM no Brasil apresenta um manejo marcado por heterogeneidade clínica e terapêutica e por importantes desigualdades de acesso.
SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
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