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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

RESPOSTA AO EPCORITAMAB EM PACIENTE COM LINFOMA DIFUSO DE GRANDES CÉLULAS B REFRATÁRIO A MÚLTIPLAS LINHAS DE TRATAMENTO: RELATO DE CASO

  1. 1Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
  2. 2Hospital Pan Americano, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
  3. 3Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Abstract

Introdução: O Linfoma Difuso de Grandes Células B (LDGCB) é o subtipo mais frequente de Linfoma Não Hodgkin (LNH) e apresenta comportamento clínico agressivo. Embora o tratamento com R-CHOP proporcione elevadas taxas de resposta, pacientes com doença recidivada ou refratária podem apresentar prognóstico desfavorável (1), tornando necessária a adoção de novas estratégias terapêuticas, como o epcoritamabe, anticorpo biespecífico anti-CD3 e anti-CD20 (2–4). Relata-se um caso de resposta precoce ao epcoritamabe após radioterapia em uma paciente com doença altamente refratária. Descrição do caso: Paciente do sexo feminino, 71 anos, com diagnóstico de LDGCB, subtipo células B ativadas (ABC), estádio Ann Arbor IIIBX, apresentando massa cervical bulky e sintomas B. Evoluiu com refratariedade a múltiplas linhas de tratamento, incluindo R-CHOP, R-GEMOX e dois ciclos de R-DHAOx, cursando com rápida progressão local, extensa massa em palato, microstomia e risco iminente de comprometimento das vias aéreas. A tomografia evidenciou volumosa lesão infiltrativa expansiva centrada na cavidade nasal e nos seios paranasais, com extensão para tecidos moles, órbita esquerda, base do crânio e glândula parótida direita, além de linfonodomegalias cervicais e retrofaríngeas, determinando compressão da orofaringe e proptose à esquerda. Foi submetida à citorredução com ciclofosfamida e dexametasona, seguida de radioterapia local, posteriormente interrompida para início de epcoritamabe subcutâneo em esquema de escalonamento (D1: 0,16 mg em 23/06/2026; D8: 0,8 mg; D15: 48 mg) (2). Após a primeira dose plena, no D15, apresentou síndrome de liberação de citocinas (CRS) grau 2, caracterizada por febre e hipotensão responsiva à expansão volêmica, associada a tumor flare orbitário. O quadro foi controlado com dose única de tocilizumabe (480 mg) e dexametasona (10 mg a cada 6 horas), permitindo a manutenção do tratamento. Por suspeita de infecção associada, recebeu antibioticoterapia de amplo espectro e fluconazol para candidíase oral. Reavaliação clínica e tomográfica em 11/07/2026 demonstrou resposta parcial precoce, com redução da massa intraorbitária, regressão da proptose, diminuição do acometimento da glândula parótida direita e regressão das linfonodomegalias axilares e cervicais. Atualmente, mantém boa resposta clínica ao epcoritamabe, com melhora do estado geral e involução progressiva das massas faciais. Conclusão: Diante da elevada agressividade da doença, da refratariedade a múltiplos esquemas quimioterápicos e do risco iminente de comprometimento das vias aéreas, o tratamento com radioterapia seguido de epcoritamabe foi acompanhado de expressiva regressão clínica e radiológica das lesões e rápida melhora sintomática. As complicações foram prontamente reconhecidas e tratadas com tocilizumabe e corticoterapia, permitindo a manutenção da estratégia terapêutica. Este caso ilustra o potencial dos anticorpos biespecíficos como opção terapêutica de resgate em linfomas agressivos multirrefratários e evidencia a importância do reconhecimento e manejo precoces das toxicidades imunomediadas.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
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