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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

CONHECIMENTO SOBRE CRITÉRIOS DE ELEGIBILIDADE PARA DOAÇÃO DE SANGUE E FATORES ASSOCIADOS ENTRE ESTUDANTES DE MEDICINA

  1. 1Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Abstract

Introdução: A doação voluntária de sangue é fundamental para a manutenção dos estoques hemoterápicos e para a segurança transfusional. Estudantes de Medicina devem conhecer adequadamente os critérios de elegibilidade para atuar tanto na prática clínica quanto na promoção da doação. Entretanto, evidências demonstram que futuros profissionais ainda apresentam lacunas de conhecimento e baixa adesão à prática. Objetivos: Avaliar o conhecimento teórico de estudantes de Medicina sobre os critérios de elegibilidade para doação de sangue e analisar sua associação com a prática de doação. Material e Métodos: Estudo transversal realizado com 51 estudantes por meio de questionário eletrônico contendo dados sociodemográficos, histórico de doação, autopercepção do conhecimento, barreiras à doação e teste objetivo composto por 11 questões sobre critérios de elegibilidade. O escore de conhecimento foi classificado em baixo (0–4), intermediário (5–8) e elevado (9–11). As análises estatísticas foram realizadas no Jamovi 2.7 utilizando os testes t de Student, Qui-quadrado de Pearson, Exato de Fisher e Kruskal-Wallis, adotando-se nível de significância de 5%. Resultados: Dos participantes, 70,6% eram mulheres e 52,9% relataram doação prévia de sangue. O escore médio de conhecimento foi de 7,47±2,40, caracterizando conhecimento intermediário. Foram observados elevados índices de acerto para idade mínima, peso mínimo, jejum, consumo de álcool e elegibilidade de casais homoafetivos (> 80%). Os menores índices ocorreram para limite de idade do doador recorrente (33,3%), intervalo entre doações para homens (45,1%) e mulheres (49,0%) e critérios laboratoriais para anemia (56,9%). Estudantes com histórico de doação apresentaram maior escore de conhecimento que aqueles sem experiência prévia (8,19±2,26 vs . 6,72±2,42; t(49) = -2,24, p = 0,029, d de Cohen = 0,63). Alunos do ciclo clínico também obtiveram desempenho superior aos do ciclo básico (8,42±2,23 vs . 6,33±2,20; t(48) = -3,33, p = 0,002, d de Cohen = -0,943). Não houve associação entre sexo e histórico de doação (p = 1,000), nem entre autopercepção do conhecimento e desempenho objetivo (p = 0,823). Entre os não doadores, os principais motivos para a não doação foram: impedimentos clínicos, ausência de incentivo, falta de tempo e medo do procedimento. Discussão: Embora os estudantes apresentem conhecimento satisfatório sobre critérios gerais de elegibilidade, persistem deficiências importantes em aspectos específicos da triagem clínica. A associação entre maior conhecimento e experiência prévia como doador, além do melhor desempenho dos estudantes do ciclo clínico, reforça o papel da vivência prática e da formação acadêmica na consolidação desse conhecimento. Por outro lado, a ausência de relação entre autopercepção e desempenho evidencia que a percepção individual não reflete o conhecimento real, destacando a necessidade de estratégias educacionais. Conclusão: Os estudantes analisados apresentaram conhecimento intermediário sobre os critérios de doação de sangue, com lacunas em aspectos específicos da elegibilidade. A experiência prévia como doador e a progressão para o ciclo clínico associaram-se a um maior conhecimento, enquanto a autopercepção não refletiu o desempenho objetivo. Os achados reforçam a importância da medicina transfusional na matriz curricular obrigatória de forma prática e aplicada, incentivando a formação de futuros profissionais mais aptos a promover essa prática.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -