IMPACTO DA CENTRALIZAÇÃO DA HIDROXIURÉIA NO MT-HEMOCENTRO E DA PARCERIA COM ASSOCIAÇÃO DE PACIENTES NA ADESÃO AO TRATAMENTO DA DOENÇA FALCIFORME
- 1MT-Hemocentro, Cuiabá, MT, Brasil
Abstract
Introdução: A doença falciforme (DF) exige manejo multidisciplinar contínuo e elevada adesão à hidroxiureia (HU). Até 2024, a dispensação em Mato Grosso dependia do deslocamento do paciente à Farmácia de ‘Alto Custo’ (Componente Especializado), impondo barreiras geográficas e burocráticas que favoreciam o abandono terapêutico. Em 2025, o MT-Hemocentro implantou fluxo de dispensação centralizada, com captação institucional do medicamento e entrega na própria unidade, associado à intensificação da parceria com a Associação de Pessoas com Doença Falciforme de Mato Grosso (ASFAMT) em ações de educação continuada. Objetivos: Avaliar o impacto da centralização da dispensação da HU no MT-Hemocentro e da articulação sistemática com associação de pacientes sobre a adesão terapêutica e a satisfação dos usuários com DF acompanhados no MT-Hemocentro. Material e Métodos: Estudo observacional, longitudinal e retrospectivo, comparando indicadores de pacientes com DF em uso de HU em dois períodos: pré-intervenção (2024) e pós-intervenção (2026). Desfechos primários: taxa de adesão à HU (regularidade das retiradas e registros em prontuário) e nível de satisfação. Resultados: Dos 586 pacientes elegíveis para HU, 321 (54,78%) receberam prescrição médica. Entre estes, 179 retiraram efetivamente o medicamento, correspondendo a taxa de dispensação de 55,76% dos prescritos e a acesso efetivo de 30,55% (179/586) sobre o total de elegíveis. A cascata de cuidado revelou perda acumulada de 69,45% entre elegibilidade e obtenção da medicação, atribuída à não emissão de receita (45,22% dos elegíveis) e à não retirada após prescrição (24,23% dos elegíveis; 44,24% dos prescritos). Entre os pacientes com retirada regular após o novo fluxo, a adesão ao tratamento atingiu 89,7%. A avaliação de satisfação evidenciou elevada aprovação da centralização como fator determinante para a continuidade do tratamento, com oportunidades de melhoria na infraestrutura física, no tempo de espera para consultas e na ampliação da equipe multidisciplinar. DISCUSSÃO: A centralização da retirada da HU eliminou gargalos logísticos e burocráticos, refletindo-se em adesão (89,7%). A atuação integrada com a ASFAMT, por meio de reuniões com a gestão institucional, rodas de conversa e ações educativas, é importante para o controle social e a autonomia dos pacientes. Persistem, contudo, desafios no manejo global da doença: ampliação da prescrição para todos os pacientes com indicação clínica, manejo da sobrecarga de ferro em politransfundidos e acesso a terapias curativas, como o Transplante de Células-Tronco Hematopoéticas. Conclusão: A centralização da dispensação da HU associada à parceria com a associação de pacientes promoveu incremento expressivo na adesão terapêutica (89,7%) e na satisfação dos usuários. Contudo, a cascata de cuidado revelou perdas significativas: apenas 54,78% dos elegíveis receberam prescrição e somente 30,55% alcançaram acesso efetivo à medicação, evidenciando que barreiras na etapa elegibilidade-prescrição e na retirada pós-receita ainda limitam o impacto populacional. Estratégias de gestão logística e suporte socioeducacional mostram-se tão determinantes quanto as intervenções farmacológicas, sendo necessário avançar na busca ativa de prescrições, no combate à não adesão primária na retirada e no acesso a terapias curativas.
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AU - Luciano MAFIOLETI
AU - Susana Sandim BORGES
AU - Renata Brandão DIAS
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PY - 2026
DA - 2026/10/23
JO - Hematology, Transfusion and Cell Therapy
DO - 10.1016/j.htct.2026.108178
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AB - Introdução: A doença falciforme (DF) exige manejo multidisciplinar contínuo e elevada adesão à hidroxiureia (HU). Até 2024, a dispensação em Mato Grosso dependia do deslocamento do paciente à Farmácia de ‘Alto Custo’ (Componente Especializado), impondo barreiras geográficas e burocráticas que favoreciam o abandono terapêutico. Em 2025, o MT-Hemocentro implantou fluxo de dispensação centralizada, com captação institucional do medicamento e entrega na própria unidade, associado à intensificação da parceria com a Associação de Pessoas com Doença Falciforme de Mato Grosso (ASFAMT) em ações de educação continuada. Objetivos: Avaliar o impacto da centralização da dispensação da HU no MT-Hemocentro e da articulação sistemática com associação de pacientes sobre a adesão terapêutica e a satisfação dos usuários com DF acompanhados no MT-Hemocentro. Material e Métodos: Estudo observacional, longitudinal e retrospectivo, comparando indicadores de pacientes com DF em uso de HU em dois períodos: pré-intervenção (2024) e pós-intervenção (2026). Desfechos primários: taxa de adesão à HU (regularidade das retiradas e registros em prontuário) e nível de satisfação. Resultados: Dos 586 pacientes elegíveis para HU, 321 (54,78%) receberam prescrição médica. Entre estes, 179 retiraram efetivamente o medicamento, correspondendo a taxa de dispensação de 55,76% dos prescritos e a acesso efetivo de 30,55% (179/586) sobre o total de elegíveis. A cascata de cuidado revelou perda acumulada de 69,45% entre elegibilidade e obtenção da medicação, atribuída à não emissão de receita (45,22% dos elegíveis) e à não retirada após prescrição (24,23% dos elegíveis; 44,24% dos prescritos). Entre os pacientes com retirada regular após o novo fluxo, a adesão ao tratamento atingiu 89,7%. A avaliação de satisfação evidenciou elevada aprovação da centralização como fator determinante para a continuidade do tratamento, com oportunidades de melhoria na infraestrutura física, no tempo de espera para consultas e na ampliação da equipe multidisciplinar. DISCUSSÃO: A centralização da retirada da HU eliminou gargalos logísticos e burocráticos, refletindo-se em adesão (89,7%). A atuação integrada com a ASFAMT, por meio de reuniões com a gestão institucional, rodas de conversa e ações educativas, é importante para o controle social e a autonomia dos pacientes. Persistem, contudo, desafios no manejo global da doença: ampliação da prescrição para todos os pacientes com indicação clínica, manejo da sobrecarga de ferro em politransfundidos e acesso a terapias curativas, como o Transplante de Células-Tronco Hematopoéticas. Conclusão: A centralização da dispensação da HU associada à parceria com a associação de pacientes promoveu incremento expressivo na adesão terapêutica (89,7%) e na satisfação dos usuários. Contudo, a cascata de cuidado revelou perdas significativas: apenas 54,78% dos elegíveis receberam prescrição e somente 30,55% alcançaram acesso efetivo à medicação, evidenciando que barreiras na etapa elegibilidade-prescrição e na retirada pós-receita ainda limitam o impacto populacional. Estratégias de gestão logística e suporte socioeducacional mostram-se tão determinantes quanto as intervenções farmacológicas, sendo necessário avançar na busca ativa de prescrições, no combate à não adesão primária na retirada e no acesso a terapias curativas.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -