DOENÇA DO ENXERTO CONTRA O HOSPEDEIRO CRÔNICA ORAL GRAVE E INFECÇÃO PERSISTENTE POR HSV-1 APÓS TRANSPLANTE DE CÉLULAS-TRONCO HEMATOPOÉTICAS: UM DESAFIO DIAGNÓSTICO
- 1Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC-UFPR), Curitiba, PR, Brasil
Abstract
Introdução: A doença do enxerto contra o hospedeiro crônica (DECHc) é uma importante complicação do transplante alogênico de células-tronco hematopoéticas (TCTH), podendo acometer a cavidade oral com lesões liquenoides, ulcerações, dor e comprometimento funcional. O diagnóstico das manifestações orais pode ser desafiador pela sobreposição clínica com infecções oportunistas e reações medicamentosas, especialmente em pacientes sob intensa imunossupressão e polimedicação. Relato de Caso: Paciente do sexo feminino, 8 anos, com anemia aplástica muito grave, submetida ao segundo TCTH haploidêntico após falha primária de enxertia, evoluiu com DECHc grave envolvendo pele, intestino, fígado, olhos e cavidade oral. Aproximadamente 290 dias após o transplante, apresentou ulcerações extensas e difusas em toda a mucosa oral, limitação da abertura bucal, dor intensa, incapacidade de ingestão de alimentos sólidos e crostas hemorrágicas labiais. A extensão e a gravidade das manifestações tornaram o diagnóstico desafiador. A investigação citológica identificou HSV-1, sendo instituída terapia antiviral. Considerando a intensa imunossupressão e a polimedicação, também foram consideradas lesões associadas a efeitos adversos medicamentosos. Como abordagem odontológica adjuvante, foram realizadas fotobiomodulação para analgesia, terapia fotodinâmica antimicrobiana (aPDT) com azul de metileno e hidratação labial. Apesar da terapia sistêmica e antiviral, houve progressão das alterações orais e persistência da positividade para HSV-1 em novo swab após 10 dias. O diagnóstico diferencial incluiu DECHc oral e reações mucocutâneas medicamentosas, como eritema multiforme e síndrome de Stevens-Johnson. Embora não tenha sido realizada biópsia oral, a DECHc oral foi considerada o diagnóstico mais provável diante do acometimento multiorgânico, da confirmação histopatológica de DECH cutânea e da ausência de manifestações sistêmicas compatíveis com reações medicamentosas graves. Durante o acompanhamento odontológico, observou-se redução da dor após as sessões de fotobiomodulação, proporcionando maior conforto e melhor aceitação dos cuidados orais, embora sem resolução das lesões. A paciente apresentou agravamento sistêmico e evoluiu para óbito no D+305. Conclusão: Manifestações orais graves após o TCTH representam um desafio diagnóstico pela possível coexistência e sobreposição entre DECHc, infecções oportunistas e reações medicamentosas. Neste caso, a integração dos achados orais, sistêmicos e laboratoriais foi fundamental para a interpretação diagnóstica, evidenciando a coexistência de DECHc oral e infecção persistente por HSV-1. O acompanhamento odontológico, particularmente a fotobiomodulação, contribuiu para o controle da dor e maior conforto da paciente, reforçando a importância da atuação multiprofissional no manejo de pacientes com DECHc grave.
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AB - Introdução: A doença do enxerto contra o hospedeiro crônica (DECHc) é uma importante complicação do transplante alogênico de células-tronco hematopoéticas (TCTH), podendo acometer a cavidade oral com lesões liquenoides, ulcerações, dor e comprometimento funcional. O diagnóstico das manifestações orais pode ser desafiador pela sobreposição clínica com infecções oportunistas e reações medicamentosas, especialmente em pacientes sob intensa imunossupressão e polimedicação. Relato de Caso: Paciente do sexo feminino, 8 anos, com anemia aplástica muito grave, submetida ao segundo TCTH haploidêntico após falha primária de enxertia, evoluiu com DECHc grave envolvendo pele, intestino, fígado, olhos e cavidade oral. Aproximadamente 290 dias após o transplante, apresentou ulcerações extensas e difusas em toda a mucosa oral, limitação da abertura bucal, dor intensa, incapacidade de ingestão de alimentos sólidos e crostas hemorrágicas labiais. A extensão e a gravidade das manifestações tornaram o diagnóstico desafiador. A investigação citológica identificou HSV-1, sendo instituída terapia antiviral. Considerando a intensa imunossupressão e a polimedicação, também foram consideradas lesões associadas a efeitos adversos medicamentosos. Como abordagem odontológica adjuvante, foram realizadas fotobiomodulação para analgesia, terapia fotodinâmica antimicrobiana (aPDT) com azul de metileno e hidratação labial. Apesar da terapia sistêmica e antiviral, houve progressão das alterações orais e persistência da positividade para HSV-1 em novo swab após 10 dias. O diagnóstico diferencial incluiu DECHc oral e reações mucocutâneas medicamentosas, como eritema multiforme e síndrome de Stevens-Johnson. Embora não tenha sido realizada biópsia oral, a DECHc oral foi considerada o diagnóstico mais provável diante do acometimento multiorgânico, da confirmação histopatológica de DECH cutânea e da ausência de manifestações sistêmicas compatíveis com reações medicamentosas graves. Durante o acompanhamento odontológico, observou-se redução da dor após as sessões de fotobiomodulação, proporcionando maior conforto e melhor aceitação dos cuidados orais, embora sem resolução das lesões. A paciente apresentou agravamento sistêmico e evoluiu para óbito no D+305. Conclusão: Manifestações orais graves após o TCTH representam um desafio diagnóstico pela possível coexistência e sobreposição entre DECHc, infecções oportunistas e reações medicamentosas. Neste caso, a integração dos achados orais, sistêmicos e laboratoriais foi fundamental para a interpretação diagnóstica, evidenciando a coexistência de DECHc oral e infecção persistente por HSV-1. O acompanhamento odontológico, particularmente a fotobiomodulação, contribuiu para o controle da dor e maior conforto da paciente, reforçando a importância da atuação multiprofissional no manejo de pacientes com DECHc grave.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -