PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA MORTALIDADE POR TRANSTORNOS FALCIFORMES NO ESTADO DA BAHIA: ESTUDO DE SÉRIE TEMPORAL DE 2014 A 2024
- 1Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), Feira de Santana, BA, Brasil
Abstract
Introdução: Os Transtornos Falciformes constituem um grupo de doenças genéticas hereditárias decorrentes da presença da hemoglobina S (HbS), constituindo a hemoglobinopatia hereditária de maior prevalência no Brasil. Devido ao fator genético condicionante, a população negra apresenta maior prevalência quando comparada com outros grupos populacionais. Em razão da elevada proporção de indivíduos com ascendência africana, o estado da Bahia apresenta uma das maiores frequências dessas doenças no país, configurando importante desafio para a saúde pública. Apesar dos avanços, a mortalidade por transtornos falciformes permanece elevada, tornando a análise de seu perfil epidemiológico fundamental para subsidiar políticas públicas e estratégias de cuidado. Objetivos: Analisar o perfil epidemiológico e a tendência temporal da mortalidade por Transtornos Falciformes (CID 10 – D57), entre janeiro de 2014 e dezembro de 2024, no estado da Bahia. Material e Métodos: Trata-se de um estudo epidemiológico descritivo, retrospectivo e de série temporal, realizado com base em dados secundários do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), disponibilizados na plataforma DATASUS. As variáveis analisadas compreenderam sexo, faixa etária, cor/raça e ano do óbito. Os dados foram organizados em planilhas eletrônicas e submetidos à análise descritiva e comparativa por meio de frequências absolutas e relativas. Resultados: Na Bahia, foram registradas 877 mortes por Transtornos Falciformes no espaço temporal analisado, o que correspondeu a 16,05% do total de mortes no Brasil. Na análise anual do número de óbitos, houveram pequenas variações de 2014 a 2021. Em 2022, as mortes foram 37,87% maiores que no ano anterior, e se mantiveram em ascensão nos anos de 2023 e 2024; este último registrou o maior número anual de óbitos do espaço de tempo analisado. Em relação ao sexo, observou-se distribuição semelhante entre os sexos, sendo que 52,22% foram do sexo masculino e 47,77% do sexo feminino. Além disso, a mortalidade concentrou-se em indivíduos com idade entre 15 e 59 anos (71,03%). Na faixa etária menor que 1 ano, a mortalidade correspondeu a 2,62% do total no estado, sendo proporcionalmente maior quando comparada ao cenário nacional. Quanto ao aspecto cor/raça, houve destaque para a cor/raça parda (56,78%) e preta (31,69%), seguida pela branca (5,58%) e um pequeno percentual de mortes para amarela e indígena juntas (0,34%). Em 49 óbitos, a cor/raça foi ignorada. Discussão: O aumento da mortalidade observado a partir de 2022 pode refletir fatores relacionados às dificuldades de acesso e continuidade do cuidado durante e após a pandemia de COVID-19. A predominância de óbitos entre indivíduos de 15 a 59 anos evidencia o impacto dos transtornos falciformes na população com menor concentração de hemoglobina fetal, enquanto a elevada frequência entre pessoas pardas e pretas acompanha a distribuição epidemiológica característica da doença. Conclusão: A mortalidade por Transtornos Falciformes na Bahia mantém importante impacto na saúde pública, com distribuição desigual entre os grupos sociodemográficos. Os resultados reforçam a necessidade do fortalecimento do diagnóstico precoce, do acompanhamento especializado e de mais estudos para aprimoramento das políticas públicas com o objetivo de ampliar o acesso ao cuidado integral dos grupos mais vulneráveis a essa condição.
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PY - 2026
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AB - Introdução: Os Transtornos Falciformes constituem um grupo de doenças genéticas hereditárias decorrentes da presença da hemoglobina S (HbS), constituindo a hemoglobinopatia hereditária de maior prevalência no Brasil. Devido ao fator genético condicionante, a população negra apresenta maior prevalência quando comparada com outros grupos populacionais. Em razão da elevada proporção de indivíduos com ascendência africana, o estado da Bahia apresenta uma das maiores frequências dessas doenças no país, configurando importante desafio para a saúde pública. Apesar dos avanços, a mortalidade por transtornos falciformes permanece elevada, tornando a análise de seu perfil epidemiológico fundamental para subsidiar políticas públicas e estratégias de cuidado. Objetivos: Analisar o perfil epidemiológico e a tendência temporal da mortalidade por Transtornos Falciformes (CID 10 – D57), entre janeiro de 2014 e dezembro de 2024, no estado da Bahia. Material e Métodos: Trata-se de um estudo epidemiológico descritivo, retrospectivo e de série temporal, realizado com base em dados secundários do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), disponibilizados na plataforma DATASUS. As variáveis analisadas compreenderam sexo, faixa etária, cor/raça e ano do óbito. Os dados foram organizados em planilhas eletrônicas e submetidos à análise descritiva e comparativa por meio de frequências absolutas e relativas. Resultados: Na Bahia, foram registradas 877 mortes por Transtornos Falciformes no espaço temporal analisado, o que correspondeu a 16,05% do total de mortes no Brasil. Na análise anual do número de óbitos, houveram pequenas variações de 2014 a 2021. Em 2022, as mortes foram 37,87% maiores que no ano anterior, e se mantiveram em ascensão nos anos de 2023 e 2024; este último registrou o maior número anual de óbitos do espaço de tempo analisado. Em relação ao sexo, observou-se distribuição semelhante entre os sexos, sendo que 52,22% foram do sexo masculino e 47,77% do sexo feminino. Além disso, a mortalidade concentrou-se em indivíduos com idade entre 15 e 59 anos (71,03%). Na faixa etária menor que 1 ano, a mortalidade correspondeu a 2,62% do total no estado, sendo proporcionalmente maior quando comparada ao cenário nacional. Quanto ao aspecto cor/raça, houve destaque para a cor/raça parda (56,78%) e preta (31,69%), seguida pela branca (5,58%) e um pequeno percentual de mortes para amarela e indígena juntas (0,34%). Em 49 óbitos, a cor/raça foi ignorada. Discussão: O aumento da mortalidade observado a partir de 2022 pode refletir fatores relacionados às dificuldades de acesso e continuidade do cuidado durante e após a pandemia de COVID-19. A predominância de óbitos entre indivíduos de 15 a 59 anos evidencia o impacto dos transtornos falciformes na população com menor concentração de hemoglobina fetal, enquanto a elevada frequência entre pessoas pardas e pretas acompanha a distribuição epidemiológica característica da doença. Conclusão: A mortalidade por Transtornos Falciformes na Bahia mantém importante impacto na saúde pública, com distribuição desigual entre os grupos sociodemográficos. Os resultados reforçam a necessidade do fortalecimento do diagnóstico precoce, do acompanhamento especializado e de mais estudos para aprimoramento das políticas públicas com o objetivo de ampliar o acesso ao cuidado integral dos grupos mais vulneráveis a essa condição.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -