ANÁLISE LONGITUDINAL DOS PARÂMETROS DO TESTE DE GERAÇÃO DE TROMBINA EM GESTANTES COM FATORES DE RISCO PARA PRÉ- ECLÂMPSIA: ECLIPSE-BRASIL
- 1Universidade Federal de São João del-Rei, Campus Centro Oeste Dona Lindu, Divinópolis, MG, Brasil
- 2Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Divinópolis, MG, Brasil
Abstract
Introdução: A pré-eclâmpsia (PE) está associada à inflamação sistêmica, disfunção endotelial e exacerbação do estado pró-trombótico fisiológico da gestação. Entretanto, o papel das alterações hemostáticas na fisiopatologia da síndrome permanece incerto. O teste de geração de trombina (TGT) permite avaliação global do equilíbrio entre mecanismos pró- e anticoagulantes, podendo contribuir para melhor compreensão do perfil hemostático na PE. Objetivo: Avaliar os parâmetros do TGT e sua associação com a PE em gestantes de alto risco. Materiais e métodos: Estudo de coorte prospectivo (ECLIPSE-Brasil), conduzido entre 2021 e 2025 com gestantes de alto risco atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em dois municípios de Minas Gerais. O TGT foi realizado em plasma pobre em plaquetas, utilizando baixa e intermediária concentração de fator tecidual (FT), em quatro períodos gestacionais (12–19, 20–29, 30–34 e >34 semanas). Foram analisados lagtime, time to peak, peak e potencial endógeno de trombina (ETP). As comparações entre os grupos (sem PE, PE precoce e PE tardia) foram realizadas por testes não paramétricos e modelos lineares de efeitos mistos, em análises univariadas e multivariadas ajustadas por covariáveis. Resultados: Foram incluídas 174 gestantes, das quais 50 (28,7%) desenvolveram PE (14 precoce e 36 tardia). Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas nos parâmetros do TGT entre os grupos em nenhuma idade gestacional ou concentração de FT. Entretanto, entre as gestantes sem PE, observou-se aumento progressivo do estado de hipercoagulabilidade ao longo da gestação, especialmente entre 20–29 semanas e ≥34 semanas. Na análise multivariada, essas diferenças permaneceram significativas para peak, lagtime e time to peak em baixa concentração de FT, e para ETP, peak e lagtime em concentração intermediária. Nos grupos com PE, não foram observadas variações significativas ao longo da gestação. Discussão: O aumento progressivo da geração de trombina observado nas gestantes sem PE é compatível com as adaptações fisiológicas pró-trombóticas da gravidez descritas na literatura. Em contraste, as gestantes com PE não apresentaram o aumento esperado da geração de trombina ao final da gestação. Embora sem significância estatística, análises descritivas sugeriram tendência a aumento do ETP na PE precoce antes da manifestação clínica e no final da gestação, enquanto o peak permaneceu semelhante entre os grupos. Esses achados podem refletir alterações sutis dos mecanismos anticoagulantes naturais, mais evidentes em baixa concentração de FT, além de possível consumo de fatores de coagulação decorrente de ativação hemostática sustentada e disfunção endotelial. A ausência de diferenças significativas pode estar relacionada à homogeneidade da população de alto risco estudada e ao uso frequente de profilaxia com ácido acetilsalicílico e suplementação de cálcio. Conclusão: Em gestantes de alto risco, a PE não se associou a alterações longitudinais significativas nos parâmetros do TGT. Os achados sugerem que o TGT, nas condições avaliadas, reflete predominantemente adaptações hemostáticas fisiológicas da gestação, apresentando limitada capacidade discriminatória para predição ou estratificação fenotípica da PE. Apoio financeiro: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas (FAPEMIG); Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) código: 001; Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
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AB - Introdução: A pré-eclâmpsia (PE) está associada à inflamação sistêmica, disfunção endotelial e exacerbação do estado pró-trombótico fisiológico da gestação. Entretanto, o papel das alterações hemostáticas na fisiopatologia da síndrome permanece incerto. O teste de geração de trombina (TGT) permite avaliação global do equilíbrio entre mecanismos pró- e anticoagulantes, podendo contribuir para melhor compreensão do perfil hemostático na PE. Objetivo: Avaliar os parâmetros do TGT e sua associação com a PE em gestantes de alto risco. Materiais e métodos: Estudo de coorte prospectivo (ECLIPSE-Brasil), conduzido entre 2021 e 2025 com gestantes de alto risco atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em dois municípios de Minas Gerais. O TGT foi realizado em plasma pobre em plaquetas, utilizando baixa e intermediária concentração de fator tecidual (FT), em quatro períodos gestacionais (12–19, 20–29, 30–34 e >34 semanas). Foram analisados lagtime, time to peak, peak e potencial endógeno de trombina (ETP). As comparações entre os grupos (sem PE, PE precoce e PE tardia) foram realizadas por testes não paramétricos e modelos lineares de efeitos mistos, em análises univariadas e multivariadas ajustadas por covariáveis. Resultados: Foram incluídas 174 gestantes, das quais 50 (28,7%) desenvolveram PE (14 precoce e 36 tardia). Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas nos parâmetros do TGT entre os grupos em nenhuma idade gestacional ou concentração de FT. Entretanto, entre as gestantes sem PE, observou-se aumento progressivo do estado de hipercoagulabilidade ao longo da gestação, especialmente entre 20–29 semanas e ≥34 semanas. Na análise multivariada, essas diferenças permaneceram significativas para peak, lagtime e time to peak em baixa concentração de FT, e para ETP, peak e lagtime em concentração intermediária. Nos grupos com PE, não foram observadas variações significativas ao longo da gestação. Discussão: O aumento progressivo da geração de trombina observado nas gestantes sem PE é compatível com as adaptações fisiológicas pró-trombóticas da gravidez descritas na literatura. Em contraste, as gestantes com PE não apresentaram o aumento esperado da geração de trombina ao final da gestação. Embora sem significância estatística, análises descritivas sugeriram tendência a aumento do ETP na PE precoce antes da manifestação clínica e no final da gestação, enquanto o peak permaneceu semelhante entre os grupos. Esses achados podem refletir alterações sutis dos mecanismos anticoagulantes naturais, mais evidentes em baixa concentração de FT, além de possível consumo de fatores de coagulação decorrente de ativação hemostática sustentada e disfunção endotelial. A ausência de diferenças significativas pode estar relacionada à homogeneidade da população de alto risco estudada e ao uso frequente de profilaxia com ácido acetilsalicílico e suplementação de cálcio. Conclusão: Em gestantes de alto risco, a PE não se associou a alterações longitudinais significativas nos parâmetros do TGT. Os achados sugerem que o TGT, nas condições avaliadas, reflete predominantemente adaptações hemostáticas fisiológicas da gestação, apresentando limitada capacidade discriminatória para predição ou estratificação fenotípica da PE. Apoio financeiro: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas (FAPEMIG); Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) código: 001; Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -