ANÁLISE DA ESPECIFICIDADE DE ANTICORPOS DAS GESTANTES ATENDIDAS NUM CENTRO DE REFERÊNCIA PARA DOENÇA HEMOLÍTICA PERINATAL NO RIO DE JANEIRO
- 1Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Abstract
Introdução: A Doença Hemolítica Perinatal (DHPN) decorre da destruição de hemácias fetais por anticorpos maternos transplacentários, estimulados por antígenos eritrocitários paternos. A causa mais comum é pelo anticorpo anti-D, apesar da profilaxia com imunoglobulina anti-RhD estar disponível desde a década de 1960. Clinicamente, a DHPN pode evoluir com anemia intensa, hidropisia fetal e hiperbilirrubinemia neonatal; esta última associada ao risco de kernicterus e sequelas neurológicas permanentes. O manejo atual baseia-se no rastreio pré-natal via Pesquisa de Anticorpos Irregulares (PAI). Casos com titulação crítica (ex: anti-D>16) demandam acompanhamento por dopplerfluxometria da artéria cerebral média para detecção não invasiva de anemia fetal, subsidiando a indicação de transfusão intrauterina. No período pós-natal, o tratamento clínico inclui fototerapia, transfusão simples ou exsanguineotransfusão. Diante da alta complexidade da patologia, o direcionamento das gestantes aloimunizadas para centros de referência — como o Instituto Fernandes Figueira (IFF) no Rio de Janeiro — torna-se imperativo para a otimização dos desfechos perinatais. Objetivo: O objetivo deste trabalho é descrever e analisar a frequência dos anticorpos identificados no Serviço entre janeiro de 2020 e dezembro de 2025. Material e métodos: Os exames de PAI e de identificação de anticorpos foram realizados em metodologia GEL CENTRIFUGAÇÃO marca BIORAD. As análises foram realizadas com o programa Epi Info. Resultados: Nesse período foram realizados 4497 exames de PAI em gestantes e 259 PAI foram positivas. Foram identificados anticorpos de 15 diferentes especificidades. O anticorpo mais frequente foi o anti-D (50,9%), seguido por anti-M (16,2%) e anti-Lea (16,2%). Outros anticorpos identificados foram Anti-E (6,5%), anti-C (2,7%), anti-Dia (1,15%), anti-Jka (1,15%), anti-S (0,77%), anti-Leb (0,77%), anti-N (0,38%), anti-c (0,38%), anti-K (0,38%), anti-G (0,38%), anti-Cw (0,38%), anti-Fya (0,38%). Em 4 casos (1,54%) não foi possível definir a especificidade do anticorpo. Discussão: Os resultados corroboram a literatura ao demonstrar a maior prevalência do anticorpo anti-D. No entanto, aproximadamente 50% dos anticorpos identificados apresentaram outras especificidades, incluindo algumas associadas a casos graves de DHPN. Esse achado reforça a importância da anamnese com investigação de gestações, abortamentos e transfusões prévias, bem como da realização da pesquisa de anticorpos irregulares (PAI) em todas as gestantes, e não apenas nas RhD negativo, visto que gestantes com fenótipo RhD positivo também podem apresentar anticorpos clinicamente significativos. Destaca-se ainda a necessidade de diferenciar anti-M IgG de IgM, pois apesar de relativamente frequente, apenas a classe IgG está associada à DHPN. Conclusão: Embora a profilaxia tenha reduzido sua incidência, a DHPN por anti-D permanece como a principal causa de Doença Hemolítica Perinatal clinicamente relevante, desconsiderando os casos decorrentes de incompatibilidade ABO, que, em geral, apresentam manifestações mais leves. Entretanto, é fundamental considerar a possibilidade de DHPN causada por outros anticorpos eritrocitários. Dessa forma, gestantes com pesquisa de anticorpos irregulares (PAI) positiva durante o pré-natal devem ser prontamente encaminhadas a um centro de referência para avaliação e acompanhamento especializados, independentemente do resultado da titulação dos anticorpos.
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SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
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