O EFEITO WARBURG COMO DEPENDÊNCIA METABÓLICA ESTRITA OU VIA BIOENERGÉTICA FACULTATIVA REGULADA PELO MICROAMBIENTE EM NEOPLASIAS: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA
- 1Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Uberlândia, MG, Brasil
Abstract
Introdução: O Efeito Warburg caracteriza-se pelo aumento da glicólise aeróbica, com elevada captação de glicose e produção de lactato mesmo em condições de normóxia. Esse padrão metabólico é descrito em tumores sólidos e neoplasias hematológicas e foi historicamente atribuído à disfunção mitocondrial irreversível. Evidências contemporâneas, entretanto, indicam preservação da fosforilação oxidativa e ocorrência de plasticidade bioenergética, inclusive mediante intercâmbio de metabólitos entre os compartimentos tumoral e estromal. Objetivos: Avaliar se o Efeito Warburg constitui dependência glicolítica estrita ou via facultativa regulada pelo microambiente e caracterizar os mecanismos de comutação entre glicólise e fosforilação oxidativa e de simbiose metabólica. Material e Métodos: Revisão sistemática conduzida conforme o PRISMA 2020 e registrada na Open Science Framework (10.17605/OSF.IO/KC982). Incluíram-se estudos primários in vitro, in vivo, in silico e clínico-observacionais, publicados entre janeiro de 2015 e julho de 2026, que avaliaram funcionalmente a glicólise aeróbica, a função mitocondrial, a flexibilidade ou a simbiose metabólica em modelos oncológicos. As buscas foram realizadas em PubMed/MEDLINE, Scopus, Web of Science, ScienceDirect, SciELO e LILACS. A seleção e a extração foram conduzidas independentemente por dois revisores. Devido à heterogeneidade dos modelos e desfechos, realizou-se síntese narrativa e mecanística. O risco de viés foi avaliado por abordagem adaptativa baseada nas ferramentas OHAT e SYRCLE. Resultados: Foram identificados 237 registros e incluídos 38 estudos. A fosforilação oxidativa tumoral foi descrita como funcional em 21 estudos, suprimida em cinco e não avaliada diretamente em 12. A plasticidade metabólica foi identificada em 32 estudos: 25 relataram comutação entre glicólise e fosforilação oxidativa em resposta a pressões terapêuticas ou microambientais, e sete documentaram simbiose metabólica. Destes, cinco descreveram o Efeito Warburg Reverso clássico, com transferência estromal de metabólitos, e dois identificaram simbiose espacial intratumoral associada aos transportadores de monocarboxilatos MCT1 e MCT4. Globalmente, 33 estudos classificaram o fenótipo glicolítico como dependência facultativa, um como dependência estrita e quatro apresentaram resultados inconclusivos. Quanto ao risco de viés, 31 estudos foram classificados como baixo risco e sete como risco moderado. Discussão: Os achados indicam que a glicólise aeróbica constitui predominantemente uma adaptação metabólica regulada, e não uma consequência passiva de falência mitocondrial. A redundância bioenergética e o intercâmbio de lactato podem contribuir para escape fenotípico e resistência à inibição isolada de uma rota metabólica. Conclusão: O Efeito Warburg apresentou caráter predominantemente facultativo e plástico, modulado pelo microambiente e pelas interações metabólicas entre compartimentos celulares. Entretanto, a dependência glicolítica estrita permanece possível em contextos tumorais específicos. Os resultados fundamentam a investigação de estratégias combinatórias direcionadas simultaneamente à glicólise, à fosforilação oxidativa e à comunicação metabólica tumor-estroma. Apoio Financeiro: Este trabalho foi financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
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RIS
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TI - O EFEITO WARBURG COMO DEPENDÊNCIA METABÓLICA ESTRITA OU VIA BIOENERGÉTICA FACULTATIVA REGULADA PELO MICROAMBIENTE EM NEOPLASIAS: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA
AU - Luiza De Oliveira e SILVA
AU - Allan Ramos COSTA
PY - 2026
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AB - Introdução: O Efeito Warburg caracteriza-se pelo aumento da glicólise aeróbica, com elevada captação de glicose e produção de lactato mesmo em condições de normóxia. Esse padrão metabólico é descrito em tumores sólidos e neoplasias hematológicas e foi historicamente atribuído à disfunção mitocondrial irreversível. Evidências contemporâneas, entretanto, indicam preservação da fosforilação oxidativa e ocorrência de plasticidade bioenergética, inclusive mediante intercâmbio de metabólitos entre os compartimentos tumoral e estromal. Objetivos: Avaliar se o Efeito Warburg constitui dependência glicolítica estrita ou via facultativa regulada pelo microambiente e caracterizar os mecanismos de comutação entre glicólise e fosforilação oxidativa e de simbiose metabólica. Material e Métodos: Revisão sistemática conduzida conforme o PRISMA 2020 e registrada na Open Science Framework (10.17605/OSF.IO/KC982). Incluíram-se estudos primários in vitro, in vivo, in silico e clínico-observacionais, publicados entre janeiro de 2015 e julho de 2026, que avaliaram funcionalmente a glicólise aeróbica, a função mitocondrial, a flexibilidade ou a simbiose metabólica em modelos oncológicos. As buscas foram realizadas em PubMed/MEDLINE, Scopus, Web of Science, ScienceDirect, SciELO e LILACS. A seleção e a extração foram conduzidas independentemente por dois revisores. Devido à heterogeneidade dos modelos e desfechos, realizou-se síntese narrativa e mecanística. O risco de viés foi avaliado por abordagem adaptativa baseada nas ferramentas OHAT e SYRCLE. Resultados: Foram identificados 237 registros e incluídos 38 estudos. A fosforilação oxidativa tumoral foi descrita como funcional em 21 estudos, suprimida em cinco e não avaliada diretamente em 12. A plasticidade metabólica foi identificada em 32 estudos: 25 relataram comutação entre glicólise e fosforilação oxidativa em resposta a pressões terapêuticas ou microambientais, e sete documentaram simbiose metabólica. Destes, cinco descreveram o Efeito Warburg Reverso clássico, com transferência estromal de metabólitos, e dois identificaram simbiose espacial intratumoral associada aos transportadores de monocarboxilatos MCT1 e MCT4. Globalmente, 33 estudos classificaram o fenótipo glicolítico como dependência facultativa, um como dependência estrita e quatro apresentaram resultados inconclusivos. Quanto ao risco de viés, 31 estudos foram classificados como baixo risco e sete como risco moderado. Discussão: Os achados indicam que a glicólise aeróbica constitui predominantemente uma adaptação metabólica regulada, e não uma consequência passiva de falência mitocondrial. A redundância bioenergética e o intercâmbio de lactato podem contribuir para escape fenotípico e resistência à inibição isolada de uma rota metabólica. Conclusão: O Efeito Warburg apresentou caráter predominantemente facultativo e plástico, modulado pelo microambiente e pelas interações metabólicas entre compartimentos celulares. Entretanto, a dependência glicolítica estrita permanece possível em contextos tumorais específicos. Os resultados fundamentam a investigação de estratégias combinatórias direcionadas simultaneamente à glicólise, à fosforilação oxidativa e à comunicação metabólica tumor-estroma. Apoio Financeiro: Este trabalho foi financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -