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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

SARCOMA MIELOIDE (GRANULOCÍTICO) COMO NEOPLASIA SECUNDÁRIA PÓS-TRATAMENTO DE TUMOR DE CÉLULAS GERMINATIVAS DE TESTÍCULO: DESAFIO DIAGNÓSTICO E TERAPÊUTICO

  1. 1Hospital Erasto Gartner, Curitiba, PR, Brasil

Abstract

Introdução: Neoplasias de células germinativas e neoplasias hematológicas podem compartilhar interações biológicas e eventos oncogênicos secundários ao tratamento. A ocorrência de neoplasias mieloides associadas ao tratamento representa desafio diagnóstico. Relato de caso: Paciente do sexo masculino, sem comorbidades prévias relatas, encaminhado ao serviço em 2021, aos 28 anos para investigação de neoplasia testicular. A avaliação inicial demonstrou lesão sólido-cística no testículo esquerdo, acompanhada de massa expansiva retroperitoneal e formação extrapulmonar/pericárdica à direita associada a volumoso derrame pleural, com elevação dos marcadores tumorais séricos. Em julho de 2021, o paciente foi submetido à orquiectomia radical esquerda, cujo laudo anatomopatológico confirmou tumor de células germinativas misto, não seminomatoso — composto por tumor do saco vitelino (55%), teratoma pós-puberal (40%) e coriocarcinoma (5%) —, estabelecendo o estadiamento clínico IIIB. Iniciado tratamento sistêmico com 4 ciclos do esquema BEP (Bleomicina, Etoposídeo e Cisplatina). Após quimioterapia, observou-se normalização dos marcadores séricos (β-hCG e AFP), porém com persistência de massa residual em tórax e abdome. Como consolidação o paciente foi submetido à linfadenectomia retroperitoneal com ressecção da massa abdominal e, em 2022, à segmentectomia pulmonar direita, com anatomopatológico confirmando 100% de teratoma maduro em ambas as peças, mantendo-se em vigilância ativa até 2024. Naquele ano, apresentou progressão tumoral rápida com massa retroperitoneal, carcinomatose e lesões na parede abdominal, sem elevação de marcadores tumorais. A biópsia com imunohistoquímica positiva para CD99 e FLI-1 levou à hipótese inicial de teratoma com transformação somática maligna (fenótipo Ewing-like), sendo iniciado esquema VAC (Vincristina, Dactinomicina e Ciclofosfamida) com proposta de transplante autólogo. Em 2025, a presença de blastos circulantes associada a citopenias estabeleceu o diagnóstico de Leucemia Mieloide Aguda mielomonocítica. A revisão tecidual realizada em outubro de 2025 confirmou que a massa abdominal surgida em 2024 se tratava, na verdade, da manifestação extramedular inicial (Sarcoma Mieloide). Submetido à indução com o esquema 7+3 em outubro de 2025, o paciente atingiu remissão completa morfológica com DRM negativa, além de resposta metabólica completa no PET-CT de dezembro de 2025. Seguiu com consolidação, finalizada em março de 2026, mantendo-se em remissão clínica, metabólica e hematológica completa de ambas as neoplasias, com DRM negativa mantida na medula óssea, aguarda atualmente transplante alogênico. Conclusão: A presença de positividade para CD99 e FLI-1 em biópsias teciduais representa uma armadilha diagnóstica, uma vez que o CD99 pode ser expresso em precursores mieloides. O uso do Etoposídeo está associado ao desenvolvimento de neoplasias mieloides secundárias, que frequentemente se manifestam com latência curta e apresentações monoblásticas ou extramedulares. Marcadores mieloides no painel imunohistoquímico é fundamental.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -