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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

PREDOMINÂNCIA DE ALOIMUNIZAÇÃO PRÉ-TRANSFUSIONAL EM PACIENTES COM PESQUISA DE ANTICORPOS IRREGULARES POSITIVA EM UM HOSPITAL PÚBLICO DE EMERGÊNCIA

  1. 1Universidade de Pernambuco (UPE), Recife, PE, Brasil
  2. 2Hospital Getúlio Vargas (HGV), Recife, PE, Brasil

Abstract

Introdução: A aloimunização eritrocitária constitui uma das principais complicações da terapia transfusional, podendo comprometer a compatibilização de concentrados de hemácias e aumentar o risco de reações hemolíticas. Em hospitais de emergência, a identificação precoce de anticorpos irregulares é essencial para garantir maior segurança transfusional e evitar atrasos terapêuticos. Objetivos: Avaliar o perfil de aloimunização pré e pós-transfusional em pacientes com pesquisa de anticorpos irregulares (PAI) positiva atendidos em uma agência transfusional de um hospital público de emergência de Recife-PE. Material e métodos: Estudo descritivo, transversal e quantitativo realizado na Agência Transfusional do Hospital Getúlio Vargas (AT-HGV/PE), utilizando dados secundários coletados entre janeiro de 2022 e janeiro de 2024. A PAI foi executada pela técnica de gel-centrifugação em cartelas Liss/Coombs, e as amostras positivas encaminhadas a Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco (HEMOPE) para identificação da especificidade dos anticorpos por meio de painéis de hemácias. Foram analisadas variáveis clínico-epidemiológicas, momento da positividade da PAI e quantidade de concentrados de hemácias transfundidos. Resultados: No período analisado, ocorreram 13.255 transfusões, sendo identificados 136 pacientes com PAI positiva, correspondendo a uma taxa de aloimunização de 1,02. Foram caracterizados 161 anticorpos, dos quais 123 (76,40%) eram aloanticorpos, 24 (14,91%) não-identificados e 14 (8,69%) autoanticorpos. Houve predominância do sexo feminino (81 pacientes), com mediana 57 anos de idade e de 2 concentrados de hemácias transfundidos. Os aloanticorpos distribuíram-se em oito sistemas de grupos sanguíneos, com predomínio do sistema Rh (74 anticorpos), seguido de MNS (16), Kell (13) e Kidd (9). Os anticorpos mais frequentes foram Anti-E (36), Anti-D (23), Anti-K (13), Anti-M (12) e Anti-C (10). Discussão: Observou-se que 101 pacientes (74,27%) já apresentavam PAI positiva na admissão hospitalar, enquanto 35 (25,73%) desenvolveram aloimunização durante o internamento. Esse achado sugere-se sensibilização prévia como através de transfusões realizadas em outros serviços ou gestações. A presença de aloimunização antes da transfusão representa um importante desafio assistencial, pois pode dificultar a localização de unidades fenotipicamente compatíveis, prolongar o tempo de liberação do hemocomponente e aumentar o risco de incompatibilidades e reações hemolíticas transfusionais. Além disso, a elevada frequência de anticorpos do sistema Rh reforça o impacto clínico desses anticorpos na rotina imuno-hematológica, especialmente em pacientes com necessidade de suporte transfusional em contexto de urgência. Conclusão: A predominância de aloimunização detectada na admissão hospitalar evidencia a importância da triagem imuno-hematológica sistemática e da rastreabilidade do histórico transfusional dos pacientes. O predomínio de anticorpos do sistema Rh, especialmente Anti-E e Anti-D, demonstra a relevância desses anticorpos na prática transfusional e seu potencial de dificultar a compatibilização de hemocomponentes. Os resultados reforçam a necessidade de estratégias integradas entre agências transfusionais e hemocentros para reduzir riscos relacionados à aloimunização pré-transfusional e ampliar a segurança transfusional em hospitais de emergência.

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AB  - Introdução: A aloimunização eritrocitária constitui uma das principais complicações da terapia transfusional, podendo comprometer a compatibilização de concentrados de hemácias e aumentar o risco de reações hemolíticas. Em hospitais de emergência, a identificação precoce de anticorpos irregulares é essencial para garantir maior segurança transfusional e evitar atrasos terapêuticos. Objetivos: Avaliar o perfil de aloimunização pré e pós-transfusional em pacientes com pesquisa de anticorpos irregulares (PAI) positiva atendidos em uma agência transfusional de um hospital público de emergência de Recife-PE. Material e métodos: Estudo descritivo, transversal e quantitativo realizado na Agência Transfusional do Hospital Getúlio Vargas (AT-HGV/PE), utilizando dados secundários coletados entre janeiro de 2022 e janeiro de 2024. A PAI foi executada pela técnica de gel-centrifugação em cartelas Liss/Coombs, e as amostras positivas encaminhadas a Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco (HEMOPE) para identificação da especificidade dos anticorpos por meio de painéis de hemácias. Foram analisadas variáveis clínico-epidemiológicas, momento da positividade da PAI e quantidade de concentrados de hemácias transfundidos. Resultados: No período analisado, ocorreram 13.255 transfusões, sendo identificados 136 pacientes com PAI positiva, correspondendo a uma taxa de aloimunização de 1,02. Foram caracterizados 161 anticorpos, dos quais 123 (76,40%) eram aloanticorpos, 24 (14,91%) não-identificados e 14 (8,69%) autoanticorpos. Houve predominância do sexo feminino (81 pacientes), com mediana 57 anos de idade e de 2 concentrados de hemácias transfundidos. Os aloanticorpos distribuíram-se em oito sistemas de grupos sanguíneos, com predomínio do sistema Rh (74 anticorpos), seguido de MNS (16), Kell (13) e Kidd (9). Os anticorpos mais frequentes foram Anti-E (36), Anti-D (23), Anti-K (13), Anti-M (12) e Anti-C (10). Discussão: Observou-se que 101 pacientes (74,27%) já apresentavam PAI positiva na admissão hospitalar, enquanto 35 (25,73%) desenvolveram aloimunização durante o internamento. Esse achado sugere-se sensibilização prévia como através de transfusões realizadas em outros serviços ou gestações. A presença de aloimunização antes da transfusão representa um importante desafio assistencial, pois pode dificultar a localização de unidades fenotipicamente compatíveis, prolongar o tempo de liberação do hemocomponente e aumentar o risco de incompatibilidades e reações hemolíticas transfusionais. Além disso, a elevada frequência de anticorpos do sistema Rh reforça o impacto clínico desses anticorpos na rotina imuno-hematológica, especialmente em pacientes com necessidade de suporte transfusional em contexto de urgência. Conclusão: A predominância de aloimunização detectada na admissão hospitalar evidencia a importância da triagem imuno-hematológica sistemática e da rastreabilidade do histórico transfusional dos pacientes. O predomínio de anticorpos do sistema Rh, especialmente Anti-E e Anti-D, demonstra a relevância desses anticorpos na prática transfusional e seu potencial de dificultar a compatibilização de hemocomponentes. Os resultados reforçam a necessidade de estratégias integradas entre agências transfusionais e hemocentros para reduzir riscos relacionados à aloimunização pré-transfusional e ampliar a segurança transfusional em hospitais de emergência.
SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -