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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

INFECÇÕES DA CORRENTE SANGUÍNEA POR FUNGOS E ASSOCIAÇÃO COM MORTALIDADE EM 7 E 30 DIAS EM PACIENTES PEDIÁTRICOS SUBMETIDOS AO TRANSPLANTE DE CÉLULAS-TRONCO HEMATOPOÉTICAS: ESTUDO UNICÊNTRICO, 2013–2025

  1. 1Universidade Federal Fluminense (UFF), Niterói, RJ, Brasil
  2. 2Instituto Nacional de Câncer (INCA), Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Abstract

Introdução: As infecções da corrente sanguínea (ICS) constituem uma complicação relevante após o transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH). Embora menos frequentes que as Infecções de corrente sanguínea bacterianas, as infecções fúngicas estão associadas a dificuldades diagnósticas e terapêuticas e a desfechos clínicos desfavoráveis. Objetivo: Descrever as Infecções de corrente sanguínea por fungos em pacientes pediátricos submetidos ao Transplante de celulas tronco hematopoiéticas e avaliar sua associação com o óbito em até 7 e 30 dias após o diagnóstico. Métodos: Estudo observacional e retrospectivo, baseado em uma série de casos de Infecções de corrente sanguínea, laboratorialmente confirmadas, em pacientes de 0 a 17 anos atendidos no Centro de Transplante de Medula Óssea do Instituto Nacional de Câncer, Rio de Janeiro, entre 2013 e 2025. Resultados: Foram identificados 118 episódios de Infecções de corrente sanguínea, com isolamento de 130 microrganismos: 64 Gram-negativos (49,2%), 50 Gram-positivos (38,5%) e 16 fungos (12,3%). Doze episódios (10,2%) foram polimicrobianos. Os fungos estiveram presentes em 16 episódios (13,6%), dos quais nove foram exclusivamente fúngicos. Foram identificados Candida spp. em seis episódios (5,1%), Fusarium spp. em seis (5,1%), Rhodotorula spp. em dois (1,7%), Trichosporon spp. em um (0,8%) e fungo demáceo em um (0,8%). A mortalidade geral foi de 11,0% (13/118) em 7 dias e 18,6% (22/118) em 30 dias. Entre as Infecções de corrente sanguínea por fungos, alcançou 37,5% (6/16) e 56,3% (9/16), respectivamente. A presença de fungos esteve associada a maior chance de óbito em 7 dias [OR = 8,14; IC95%: 2,29–29,00; χ²(1) = 13,24; p < 0,001] e em 30 dias [OR = 8,80; IC95%: 2,80–27,70; χ²(1) = 17,26; p < 0,001]. Discussão: Candida spp. correspondeu a 37,5% das ICS fúngicas, em consonância com a literatura, que reconhece esse gênero como importante agente de fungemia em pacientes pediátricos imunocomprometidos. A identificação de espécies não albicans apresenta relevância clínica: C. parapsilosis possui capacidade de aderência a dispositivos intravasculares, enquanto C. krusei apresenta resistência intrínseca ao fluconazol. Fusarium spp. foi identificado com a mesma frequência de Candida spp., achado que diferencia esta casuística de estudos nos quais a candidemia predomina. A fusariose invasiva ocorre sobretudo em pacientes com imunossupressão intensa e neutropenia profunda ou prolongada e está associada a elevada letalidade. A magnitude das associações observadas reforça a relevância prognóstica das Infecções de corrente sanguínea fúngicas; entretanto, a amplitude dos intervalos de confiança indica imprecisão das estimativas, provavelmente relacionada ao pequeno número de episódios. Conclusão: As Infecções de corrente sanguínea por fungos foram menos frequentes que as bacterianas, porém apresentaram diversidade etiológica e elevada mortalidade. Candida spp. e Fusarium spp. foram os agentes predominantes. A presença de fungos esteve associada a chances aproximadamente oito vezes maiores de óbito em 7 e 30 dias, embora os resultados devam ser interpretados considerando o reduzido número de episódios fúngicos e o caráter unicêntrico do estudo.

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AB  - Introdução: As infecções da corrente sanguínea (ICS) constituem uma complicação relevante após o transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH). Embora menos frequentes que as Infecções de corrente sanguínea bacterianas, as infecções fúngicas estão associadas a dificuldades diagnósticas e terapêuticas e a desfechos clínicos desfavoráveis. Objetivo: Descrever as Infecções de corrente sanguínea por fungos em pacientes pediátricos submetidos ao Transplante de celulas tronco hematopoiéticas e avaliar sua associação com o óbito em até 7 e 30 dias após o diagnóstico. Métodos: Estudo observacional e retrospectivo, baseado em uma série de casos de Infecções de corrente sanguínea, laboratorialmente confirmadas, em pacientes de 0 a 17 anos atendidos no Centro de Transplante de Medula Óssea do Instituto Nacional de Câncer, Rio de Janeiro, entre 2013 e 2025. Resultados: Foram identificados 118 episódios de Infecções de corrente sanguínea, com isolamento de 130 microrganismos: 64 Gram-negativos (49,2%), 50 Gram-positivos (38,5%) e 16 fungos (12,3%). Doze episódios (10,2%) foram polimicrobianos. Os fungos estiveram presentes em 16 episódios (13,6%), dos quais nove foram exclusivamente fúngicos. Foram identificados Candida spp. em seis episódios (5,1%), Fusarium spp. em seis (5,1%), Rhodotorula spp. em dois (1,7%), Trichosporon spp. em um (0,8%) e fungo demáceo em um (0,8%). A mortalidade geral foi de 11,0% (13/118) em 7 dias e 18,6% (22/118) em 30 dias. Entre as Infecções de corrente sanguínea por fungos, alcançou 37,5% (6/16) e 56,3% (9/16), respectivamente. A presença de fungos esteve associada a maior chance de óbito em 7 dias [OR = 8,14; IC95%: 2,29–29,00; χ²(1) = 13,24; p < 0,001] e em 30 dias [OR = 8,80; IC95%: 2,80–27,70; χ²(1) = 17,26; p < 0,001]. Discussão: Candida spp. correspondeu a 37,5% das ICS fúngicas, em consonância com a literatura, que reconhece esse gênero como importante agente de fungemia em pacientes pediátricos imunocomprometidos. A identificação de espécies não albicans apresenta relevância clínica: C. parapsilosis possui capacidade de aderência a dispositivos intravasculares, enquanto C. krusei apresenta resistência intrínseca ao fluconazol. Fusarium spp. foi identificado com a mesma frequência de Candida spp., achado que diferencia esta casuística de estudos nos quais a candidemia predomina. A fusariose invasiva ocorre sobretudo em pacientes com imunossupressão intensa e neutropenia profunda ou prolongada e está associada a elevada letalidade. A magnitude das associações observadas reforça a relevância prognóstica das Infecções de corrente sanguínea fúngicas; entretanto, a amplitude dos intervalos de confiança indica imprecisão das estimativas, provavelmente relacionada ao pequeno número de episódios. Conclusão: As Infecções de corrente sanguínea por fungos foram menos frequentes que as bacterianas, porém apresentaram diversidade etiológica e elevada mortalidade. Candida spp. e Fusarium spp. foram os agentes predominantes. A presença de fungos esteve associada a chances aproximadamente oito vezes maiores de óbito em 7 e 30 dias, embora os resultados devam ser interpretados considerando o reduzido número de episódios fúngicos e o caráter unicêntrico do estudo.
SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -