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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

DESAFIO DIAGNÓSTICO NO LINFOMA DIFUSO DE GRANDES CÉLULAS B COM ACOMETIMENTO MAMÁRIO E CUTÂNEO: RELATO DE CASO

  1. 1Hospital Santa Izabel, Salvador, BA, Brasil
  2. 2Núcleo de Oncologia da Bahia, Salvador, BA, Brasil

Abstract

Objetivo: Relatar um caso de desafio diagnóstico de Linfoma Difuso de Grandes Células B (LDGCB) com acometimento extranodal mamário e cutâneo, destacando a importância da correlação clínico-radiológica e anatomopatológica. Relato de caso: Paciente feminina, 47 anos, veterinária e professora, previamente hipertensa, com antecedente de mioma uterino, procurou o ambulatório do Núcleo de Oncologia da Bahia no final de 2023 por lesões cutâneas recorrentes há aproximadamente 10 anos, com regressão espontânea ou após uso de corticosteroide tópico, mas com posterior recidiva. Negava sintomas B. Em 2022, apresentou lesão cutânea em mama direita, de crescimento lento e progressivo, sem resposta ao tratamento tópico. Ultrassonografia mamária de fevereiro de 2023 evidenciou nódulo em mama direita, enquanto a mamografia era normal. Biópsia cutânea realizada em novembro de 2023 foi inicialmente interpretada como distúrbio linfoproliferativo de células T, com positividade para CD2, CD3, CD4, CD5 e CD7, negatividade para CD56, MUM1, PAX5, CD20 e CD30 e Ki-67 de 20%, além de numerosos linfócitos B de permeio. Em janeiro de 2024, a ressonância magnética das mamas demonstrou nódulo de 1,1 × 1,0 × 1,0 cm na mama direita, associado a área não nodular, grosseiramente segmentar, com extensão até a papila. PET/CT da mesma época evidenciou hipercaptação exclusivamente na mama direita, no nódulo e tecido mamário adjacente, com SUVmáx 5,1, sem doença à distância, correspondendo ao estádio I de Ann Arbor. Diante da persistência da lesão e da discordância diagnóstica, foram realizadas novas biópsias do nódulo mamário e da pele em abril de 2024, ambas demonstrando LDGCB, com Ki-67 de 90%. Na imunohistoquímica, ambas foram negativas para CD3 e positivas para CD20 e BCL-2, com a amostra do nódulo positivo para BCL-6 e com MYC inconclusivo. A paciente iniciou R-CHOP em junho de 2024, completando seis ciclos em outubro de 2024. PET/CT durante e após o tratamento demonstraram resposta metabólica completa, com escore de Deauville 1. Atualmente, permanece em resposta completa, assintomática, sem sintomas B ou linfonodomegalias, em acompanhamento ambulatorial, com última ultrassonografia mamária BI-RADS 2. Discussão: O LDGCB pode apresentar acometimento extranodal e, quando localizado na mama, constitui apresentação rara, correspondendo a cerca de 1% dos linfomas não Hodgkin. Sua apresentação clínica e radiológica pode mimetizar o carcinoma mamário, dificultando o diagnóstico. Neste caso, o desafio foi ampliado pela longa história de lesões cutâneas recorrentes e pela discordância entre a primeira biópsia, sugestiva de proliferação de células T, e as amostras subsequentes da mama e da pele, que demonstraram LDGCB de alto grau. O caso reforça a necessidade de adequada correlação clínico-radiológica, obtenção de material representativo e revisão anatomopatológica por equipe especializada em hematopatologia. Conclusão: O diagnóstico de linfoma em sítios extranodais pode ser desafiador, especialmente quando há apresentação semelhante a neoplasias mais prevalentes, como o câncer de mama. A análise criteriosa da história clínica, associada à adequada amostragem tecidual e à avaliação especializada, é fundamental para reduzir erros diagnósticos e possibilitar tratamento oportuno.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -