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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

LINFOMA NÃO HODGIN DIFUSO DE GRANDES CÉLULAS B COM ACOMETIMENTO UTERINO PRIMÁRIO

  1. 1Universidade Católica de Brasília (UCB), Brasília, DF, Brasil
  2. 2Hospital Sírio Libanês, Brasília, DF, Brasil

Abstract

Introdução: O linfoma uterino primário é uma neoplasia linfoide maligna extremamente rara, correspondendo a menos de 1% dos linfomas não Hodgkin extranodais e das neoplasias uterinas. Acomete predominantemente mulheres de meia-idade, sendo o colo uterino o sítio mais afetado e o linfoma difuso de grandes células B (DLBCL) o subtipo predominante. A apresentação é inespecífica: sangramento uterino anormal (SUA) e massa pélvica, mimetizando neoplasias ginecológicas mais comuns e atrasando frequentemente o diagnóstico. Descrição do Caso: Paciente do sexo feminino, 44 anos, apresentou SUA com início em novembro de 2025. Não apresentava sintomas constitucionais. A investigação evidenciou massa em região vaginal e colo uterino, sendo realizada biópsia. A revisão anatomopatológica e imuno-histoquímica confirmou DLBCL, sem outra especificação, subtipo de centro germinativo (GCB), com expressão de CD20, CD10, BCL6 e BCL2, Ki-67 de 90% e sem rearranjos envolvendo MYC, BCL2 e BCL6 por FISH. O PET-CT inicial demonstrou lesão expansiva cervicovaginal de 9 cm, com intensa captação de FDG (SUVmáx 55,9), com linfonodomegalias pélvicas discretas. Após avaliação clínica e ecocardiográfica, foi iniciado tratamento com R-CHOP. Após quatro ciclos, a paciente está assintomática e a ressonância magnética evidenciou importante redução da lesão primária e das linfonodomegalias pélvicas, compatível com resposta favorável ao tratamento. Discussão: O relato descreve um caso de DLBCL de sítio ginecológico em paciente de 44 anos com SUA e massa cervicovaginal, achados compatíveis com a literatura. Com pouco mais de 150 casos descritos, trata-se de entidade rara. Estudos demonstram que os linfomas ginecológicos primários acometem predominantemente mulheres da meia idade, sendo o colo uterino o local mais frequentemente envolvido. Além disso, o DLBCL constitui o subtipo histológico predominante nesses casos, seguido pelo linfoma folicular, enquanto outros subtipos são menos comuns. O SUA é a principal manifestação clínica, associado à presença de massa pélvica, mimetizando neoplasias ginecológicas mais prevalentes. Nesse contexto, a biópsia com estudo imuno-histoquímico é o padrão-ouro para o diagnóstico, enquanto os exames de imagem auxiliam no estadiamento e avaliação da extensão da doença. Neste caso, o diagnóstico histopatológico precoce evitou abordagem cirúrgica inicial. A resposta clínica radiológica observada após quatro ciclos de R-CHOP está em concordância com a literatura, que descreve prognóstico favorável, especialmente em pacientes com doença localizada e diagnóstico precoce. Apesar do curto seguimento, a resposta inicial reforça a importância do diagnóstico precoce para evitar procedimentos desnecessários e possibilitar tratamento sistêmico oportuno. Conclusão: O DLBCL primário do trato genital feminino é uma neoplasia rara, capaz de mimetizar neoplasias ginecológicas mais prevalentes e retardar o diagnóstico. Este relato reforça a importância da correlação clínico-patológica no diagnóstico preciso e no início precoce da quimioimunoterapia, evitando cirurgias desnecessárias. A resposta ao R-CHOP confirma a sensibilidade dessa neoplasia ao tratamento sistêmico. Diante à escassez de evidências, casos como este contribuem para ampliar o reconhecimento dessa apresentação e para o aprimoramento do manejo clínico.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -