SUBGRUPO BM IDENTIFICADO EM DOADOR DE REPETIÇÃO: RELATO DE CASO
- 1Grupo GSH, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
- 2Grupo GSH, São Paulo, SP, Brasil
Abstract
Introdução: O subgrupo Bm constitui uma variante fenotípica rara do sistema ABO, caracterizada pela expressão extremamente reduzida do antígeno B na membrana eritrocitária, tornando-o indetectável nos testes de tipagem direta convencionais. Essa condição decorre de alterações moleculares que suprimem a atividade da glicosiltransferase B na linhagem eritroide, gerando discrepâncias entre as provas direta e reversa. Na população brasileira, a literatura correlaciona a ocorrência dessa variante a indivíduos de ancestralidade afrodescendente. Objetivos: Relatar o caso de um doador de repetição, previamente classificado como doador do grupo O, que apresentou discrepância imuno-hematológica entre as tipagens direta e reversa em sua última doação. Relato de caso: Doador do sexo masculino, 60 anos, pardo, doador de repetição no serviço desde junho de 2017. Na triagem laboratorial de sua 14ª doação, a prova direta não demonstrou aglutinação com os reagentes anti-A, anti-B e anti-AB. Contudo, a prova reversa evidenciou reatividade em temperatura ambiente exclusivamente com hemácias A. A investigação sorológica complementar demonstrou forte presença do antígeno H nas hemácias do doador, com aglutinação 4+ utilizando Lectina Ulex europaeus (Anti-H). A pesquisa de anticorpos irregulares (PAI) e o teste de antiglobulina direto (TAD) resultaram negativos. Ensaios adicionais sob incubação a 4 °C e técnicas avançadas de adsorção e eluição não demonstraram variação nos resultados, mantendo a discrepância inconclusiva por métodos sorológicos. A amostra foi submetida à investigação molecular, revelando o genótipo ABO*B(c.28+5890G)/ABO*O.01. A análise genética confirmou a presença do gene B associado à mutação c.28+5890T>G na região promotora eritroide GATA, localizada no íntron 1, responsável por interferir na transcrição e expressão do antígeno B. Discussão: O perfil imuno-hematológico inicial apresentou um padrão discrepante clássico, com prova direta compatível com o grupo O e prova reversa indicativa do grupo B. Frente ao insucesso das técnicas tradicionais de adsorção-eluição para demonstrar a presença do antígeno fraco, a biologia molecular consolidou-se como ferramenta definitiva para a identificação do subgrupo Bm. Este caso destaca a necessidade de uma investigação rigorosa e aprofundada diante de discrepâncias ABO na triagem de doadores. A correta determinação do grupo sanguíneo não apenas assegura a confiabilidade dos registros do serviço de hemoterapia e a retenção do doador, mas é vital para a segurança transfusional, prevenindo o risco de incompatibilidades e reações hemolíticas agudas nos receptores de hemocomponentes.
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BibTeX
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RIS
TY - JOUR
TI - SUBGRUPO BM IDENTIFICADO EM DOADOR DE REPETIÇÃO: RELATO DE CASO
AU - Lyanna Peixoto OSORIO
AU - Marilia VALVASORI
AU - Fabricio Jose BENATI
PY - 2026
DA - 2026/10/23
JO - Hematology, Transfusion and Cell Therapy
DO - 10.1016/j.htct.2026.107012
UR - https://doi.org/10.1016/j.htct.2026.107012
AB - Introdução: O subgrupo Bm constitui uma variante fenotípica rara do sistema ABO, caracterizada pela expressão extremamente reduzida do antígeno B na membrana eritrocitária, tornando-o indetectável nos testes de tipagem direta convencionais. Essa condição decorre de alterações moleculares que suprimem a atividade da glicosiltransferase B na linhagem eritroide, gerando discrepâncias entre as provas direta e reversa. Na população brasileira, a literatura correlaciona a ocorrência dessa variante a indivíduos de ancestralidade afrodescendente. Objetivos: Relatar o caso de um doador de repetição, previamente classificado como doador do grupo O, que apresentou discrepância imuno-hematológica entre as tipagens direta e reversa em sua última doação. Relato de caso: Doador do sexo masculino, 60 anos, pardo, doador de repetição no serviço desde junho de 2017. Na triagem laboratorial de sua 14ª doação, a prova direta não demonstrou aglutinação com os reagentes anti-A, anti-B e anti-AB. Contudo, a prova reversa evidenciou reatividade em temperatura ambiente exclusivamente com hemácias A. A investigação sorológica complementar demonstrou forte presença do antígeno H nas hemácias do doador, com aglutinação 4+ utilizando Lectina Ulex europaeus (Anti-H). A pesquisa de anticorpos irregulares (PAI) e o teste de antiglobulina direto (TAD) resultaram negativos. Ensaios adicionais sob incubação a 4 °C e técnicas avançadas de adsorção e eluição não demonstraram variação nos resultados, mantendo a discrepância inconclusiva por métodos sorológicos. A amostra foi submetida à investigação molecular, revelando o genótipo ABO*B(c.28+5890G)/ABO*O.01. A análise genética confirmou a presença do gene B associado à mutação c.28+5890T>G na região promotora eritroide GATA, localizada no íntron 1, responsável por interferir na transcrição e expressão do antígeno B. Discussão: O perfil imuno-hematológico inicial apresentou um padrão discrepante clássico, com prova direta compatível com o grupo O e prova reversa indicativa do grupo B. Frente ao insucesso das técnicas tradicionais de adsorção-eluição para demonstrar a presença do antígeno fraco, a biologia molecular consolidou-se como ferramenta definitiva para a identificação do subgrupo Bm. Este caso destaca a necessidade de uma investigação rigorosa e aprofundada diante de discrepâncias ABO na triagem de doadores. A correta determinação do grupo sanguíneo não apenas assegura a confiabilidade dos registros do serviço de hemoterapia e a retenção do doador, mas é vital para a segurança transfusional, prevenindo o risco de incompatibilidades e reações hemolíticas agudas nos receptores de hemocomponentes.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -