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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

ALOIMUNIZAÇÃO ERITROCITÁRIA POR ANTI-LEWISᵃ E ANTI-LEWISᵇ EM PACIENTE POLITRANSFUNDIDO SUBMETIDO À COMPATIBILIZAÇÃO PARA OS SISTEMAS RH E KELL: RELATO DE CASO

  1. 1Grupo GSH, Rio Claro, SP, Brasil
  2. 2Grupo GSH, Brasília, DF, Brasil

Abstract

Introdução: A aloimunização eritrocitária é uma importante complicação da terapia transfusional em pacientes submetidos a transfusões repetidas. Embora a compatibilização estendida para os sistemas Rh e Kell reduza esse risco, ela não impede a formação de aloanticorpos contra outros sistemas eritrocitários. Pacientes com neoplasia de próstata e hematúria recorrente frequentemente necessitam de múltiplas transfusões, aumentando o risco de aloimunização. Objetivo: Relatar um caso de aloimunização para o sistema Lewis em paciente politransfundido submetido à compatibilização estendida para os sistemas Rh e Kell. Caso: Paciente masculino, negro, portador de neoplasia de próstata, com hematúria recorrente e necessidade de suporte transfusional. Apresentava grupo sanguíneo A RhD positivo, fenótipo eritrocitário C- c+ E- e+ K- e pesquisa de anticorpos irregulares (PAI) negativa antes da primeira transfusão. Durante o acompanhamento recebeu 17 concentrados de hemácias. A PAI foi monitorada a cada 72 horas, permanecendo inicialmente negativa. As transfusões foram realizadas com compatibilização para os antígenos C, E e K, conforme protocolo institucional. Excepcionalmente, na quarta e na nona transfusões, não foi possível respeitar a compatibilidade para o antígeno C devido à indisponibilidade de unidades e à urgência clínica. Após a 17ª transfusão ocorreu soroconversão da PAI, com identificação de anti-Leᵃ e anti-Leᵇ. A investigação confirmou ausência dos antígenos Leᵃ e Leᵇ nas hemácias do paciente, caracterizando o fenótipo Le(a-b-). A partir desse momento, passou a receber concentrados de hemácias compatíveis também para o sistema Lewis, evoluindo sem evidências de reações transfusionais hemolíticas. Discussão: O caso demonstra que a compatibilização estendida para os sistemas Rh e Kell reduz, mas não elimina, a ocorrência de aloimunização, podendo haver formação de anticorpos contra sistemas não contemplados rotineiramente, como o Lewis. O paciente era negro, e o fenótipo Le(a-b-) é descrito com maior frequência em populações de ascendência africana. A soroconversão após 17 transfusões reforça a importância do monitoramento imuno-hematológico seriado e da investigação de anticorpos contra outros sistemas eritrocitários em pacientes politransfundidos. Conclusão: A compatibilização estendida para os sistemas Rh e Kell constitui estratégia eficaz para reduzir a aloimunização eritrocitária, porém não previne a formação de aloanticorpos contra outros sistemas, como o Lewis. O relato destaca a importância da vigilância imuno-hematológica contínua e da investigação complementar para ampliar a segurança transfusional em pacientes submetidos a transfusões repetidas.

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AB  - Introdução: A aloimunização eritrocitária é uma importante complicação da terapia transfusional em pacientes submetidos a transfusões repetidas. Embora a compatibilização estendida para os sistemas Rh e Kell reduza esse risco, ela não impede a formação de aloanticorpos contra outros sistemas eritrocitários. Pacientes com neoplasia de próstata e hematúria recorrente frequentemente necessitam de múltiplas transfusões, aumentando o risco de aloimunização. Objetivo: Relatar um caso de aloimunização para o sistema Lewis em paciente politransfundido submetido à compatibilização estendida para os sistemas Rh e Kell. Caso: Paciente masculino, negro, portador de neoplasia de próstata, com hematúria recorrente e necessidade de suporte transfusional. Apresentava grupo sanguíneo A RhD positivo, fenótipo eritrocitário C- c+ E- e+ K- e pesquisa de anticorpos irregulares (PAI) negativa antes da primeira transfusão. Durante o acompanhamento recebeu 17 concentrados de hemácias. A PAI foi monitorada a cada 72 horas, permanecendo inicialmente negativa. As transfusões foram realizadas com compatibilização para os antígenos C, E e K, conforme protocolo institucional. Excepcionalmente, na quarta e na nona transfusões, não foi possível respeitar a compatibilidade para o antígeno C devido à indisponibilidade de unidades e à urgência clínica. Após a 17ª transfusão ocorreu soroconversão da PAI, com identificação de anti-Leᵃ e anti-Leᵇ. A investigação confirmou ausência dos antígenos Leᵃ e Leᵇ nas hemácias do paciente, caracterizando o fenótipo Le(a-b-). A partir desse momento, passou a receber concentrados de hemácias compatíveis também para o sistema Lewis, evoluindo sem evidências de reações transfusionais hemolíticas. Discussão: O caso demonstra que a compatibilização estendida para os sistemas Rh e Kell reduz, mas não elimina, a ocorrência de aloimunização, podendo haver formação de anticorpos contra sistemas não contemplados rotineiramente, como o Lewis. O paciente era negro, e o fenótipo Le(a-b-) é descrito com maior frequência em populações de ascendência africana. A soroconversão após 17 transfusões reforça a importância do monitoramento imuno-hematológico seriado e da investigação de anticorpos contra outros sistemas eritrocitários em pacientes politransfundidos. Conclusão: A compatibilização estendida para os sistemas Rh e Kell constitui estratégia eficaz para reduzir a aloimunização eritrocitária, porém não previne a formação de aloanticorpos contra outros sistemas, como o Lewis. O relato destaca a importância da vigilância imuno-hematológica contínua e da investigação complementar para ampliar a segurança transfusional em pacientes submetidos a transfusões repetidas.
SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
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