AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA DOS PACIENTES COM DOENÇA FALCIFORME ACOMPANHADOS NO HEMONÚCLEO MANHUAÇU DA FUNDAÇÃO HEMOMINAS
- 1Fundação Centro de Hematologia e Hemoterapia do Estado de Minas Gerais (Hemominas), Manhuaçu, MG, Brasil
Abstract
A doença falciforme (DF) é uma condição genética crônica associada a manifestações clínicas recorrentes, limitações funcionais e repercussões sociais e psicológicas que podem comprometer a qualidade de vida (QV) Este estudo teve como objetivo avaliar a qualidade de vida de pessoas com DF acompanhadas no ambulatório do Hemonúcleo de Manhuaçu, Fundação Hemominas, considerando aspectos sociodemográficos, clínicos e os diferentes domínios da qualidade de vida. Trata-se de estudo quantitativo, descritivo, realizado com amostra por conveniência composta por 10 participantes, com idade entre 13 e 39 anos. A coleta de dados ocorreu por meio do WHOQOL-BREF, questionário sociodemográfico e análise de prontuários clínicos. O WHOQOL-BREF, desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), é um instrumento validado internacionalmente para a avaliação da QV, contemplando quatro domínios principais: físico, psicológico, relações sociais e meio ambiente. Cada domínio foi avaliado em escala de Likert de 1 a 5, com recodificação das questões negativas, permitindo uma análise quantitativa das percepções dos participantes, em que cada número representa o grau de satisfação ou frequência relacionado a determinado aspecto da QV. De modo geral, valores mais altos indicam uma melhor percepção de QV, enquanto valores mais baixos refletem piores condições. A interpretação dos resultados considerou a magnitude dos escores e a comparação entre os quatro domínios, sem estabelecer diagnóstico clínico ou inferir causalidade. Os participantes apresentaram perfil caracterizado por vulnerabilidade socioeconômica e importante carga clínica da doença: 90% declararam-se pretos ou pardos, 70% apresentavam renda familiar de até um salário-mínimo, 80% recebiam Benefício de Prestação Continuada e 100% relataram crises álgicas recorrentes. Quanto aos domínios do WHOQOL-BREF, o maior escore médio foi observado em meio ambiente (62,19), seguido pelos domínios psicológico (58,75) e físico (56,79), enquanto relações sociais apresentou o menor escore médio (49,17). Os resultados indicam que, nesta amostra, a qualidade de vida apresentou maior comprometimento relativo no domínio das relações sociais, seguido do domínio físico, enquanto o domínio meio ambiente apresentou a maior média. A elevada frequência de crises álgicas, as complicações clínicas e as condições socioeconômicas observadas contextualizam os resultados encontrados. De modo integrado, os quatro domínios revelam que os pacientes com DF vivem uma condição de vulnerabilidade multifatorial, em que fatores biológicos, sociais e psicológicos interagem de forma complexa, repercutindo diretamente na percepção de QV. Ressalta-se que o reduzido tamanho amostral e a seleção por conveniência limitam a generalização dos achados para outras populações com DF. Conclui-se que os participantes avaliados apresentaram repercussões da doença falciforme em diferentes dimensões da QV, com destaque para os domínios social e físico. Os achados reforçam a importância de estratégias de cuidado multiprofissional e de acompanhamento integral, considerando as necessidades clínicas e as condições sociais identificadas.
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TI - AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA DOS PACIENTES COM DOENÇA FALCIFORME ACOMPANHADOS NO HEMONÚCLEO MANHUAÇU DA FUNDAÇÃO HEMOMINAS
AU - Thiara GUIMARÃES HELENO DE OLIVEIRA PÔNCIO
AU - Íris Carolina ALVES PEREIRA
PY - 2026
DA - 2026/10/23
JO - Hematology, Transfusion and Cell Therapy
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AB - A doença falciforme (DF) é uma condição genética crônica associada a manifestações clínicas recorrentes, limitações funcionais e repercussões sociais e psicológicas que podem comprometer a qualidade de vida (QV) Este estudo teve como objetivo avaliar a qualidade de vida de pessoas com DF acompanhadas no ambulatório do Hemonúcleo de Manhuaçu, Fundação Hemominas, considerando aspectos sociodemográficos, clínicos e os diferentes domínios da qualidade de vida. Trata-se de estudo quantitativo, descritivo, realizado com amostra por conveniência composta por 10 participantes, com idade entre 13 e 39 anos. A coleta de dados ocorreu por meio do WHOQOL-BREF, questionário sociodemográfico e análise de prontuários clínicos. O WHOQOL-BREF, desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), é um instrumento validado internacionalmente para a avaliação da QV, contemplando quatro domínios principais: físico, psicológico, relações sociais e meio ambiente. Cada domínio foi avaliado em escala de Likert de 1 a 5, com recodificação das questões negativas, permitindo uma análise quantitativa das percepções dos participantes, em que cada número representa o grau de satisfação ou frequência relacionado a determinado aspecto da QV. De modo geral, valores mais altos indicam uma melhor percepção de QV, enquanto valores mais baixos refletem piores condições. A interpretação dos resultados considerou a magnitude dos escores e a comparação entre os quatro domínios, sem estabelecer diagnóstico clínico ou inferir causalidade. Os participantes apresentaram perfil caracterizado por vulnerabilidade socioeconômica e importante carga clínica da doença: 90% declararam-se pretos ou pardos, 70% apresentavam renda familiar de até um salário-mínimo, 80% recebiam Benefício de Prestação Continuada e 100% relataram crises álgicas recorrentes. Quanto aos domínios do WHOQOL-BREF, o maior escore médio foi observado em meio ambiente (62,19), seguido pelos domínios psicológico (58,75) e físico (56,79), enquanto relações sociais apresentou o menor escore médio (49,17). Os resultados indicam que, nesta amostra, a qualidade de vida apresentou maior comprometimento relativo no domínio das relações sociais, seguido do domínio físico, enquanto o domínio meio ambiente apresentou a maior média. A elevada frequência de crises álgicas, as complicações clínicas e as condições socioeconômicas observadas contextualizam os resultados encontrados. De modo integrado, os quatro domínios revelam que os pacientes com DF vivem uma condição de vulnerabilidade multifatorial, em que fatores biológicos, sociais e psicológicos interagem de forma complexa, repercutindo diretamente na percepção de QV. Ressalta-se que o reduzido tamanho amostral e a seleção por conveniência limitam a generalização dos achados para outras populações com DF. Conclui-se que os participantes avaliados apresentaram repercussões da doença falciforme em diferentes dimensões da QV, com destaque para os domínios social e físico. Os achados reforçam a importância de estratégias de cuidado multiprofissional e de acompanhamento integral, considerando as necessidades clínicas e as condições sociais identificadas.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -