TROMBOCITOPENIA REFRATÁRIA NA INFÂNCIA: DOENÇA DE DEPÓSITO COMO DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DA TROMBOCITOPENIA IMUNE
- 1Centro Universitário UNINTA, Sobral, CE, Brasil
- 2Universidade Federal do Ceará (UFC), Sobral, CE, Brasil
Abstract
Introdução: A trombocitopenia imune é diagnóstico de exclusão e causa frequente de trombocitopenia adquirida na infância. Entretanto, evolução atípica e ausência de resposta sustentada a sucessivas linhas terapêuticas devem motivar revisão diagnóstica, particularmente antes da esplenectomia. Algumas doenças de depósito lisossômico podem cursar com trombocitopenia e comprometimento esplênico, devendo ser consideradas no diagnóstico diferencial de quadros atípicos ou refratários. Descrição do caso: Paciente masculino, com início do quadro aos 2 anos, em agosto de 2022, apresentando manifestações hemorrágicas cutâneas e trombocitopenia. Mielograma inicial evidenciou medula normocelular, ausência de blastos, células tumorais ou parasitas e hiperplasia do setor megacariocítico, com plaquetopoese pouco evidente e dismegacariopoese. Após investigação inicial, passou a ser acompanhado como trombocitopenia imune. Evoluiu com trombocitopenia persistente, episódios de sangramento cutaneomucoso, múltiplas internações e necessidade de sucessivas intervenções terapêuticas. Em 2026 apresentou nova descompensação, com plaquetas de aproximadamente 6.000/mm³. Recebeu corticosteroides em diferentes esquemas e altas doses, imunoglobulina intravenosa e encontrava-se em uso de eltrombopague, sem resposta sustentada adequada. Diante da refratariedade, foi indicada esplenectomia. O procedimento ocorreu sem intercorrências, com elevação subsequente das plaquetas para 440.000/mm³. O exame anatomopatológico do baço evidenciou histiócitos com acúmulo lipídico, levantando a possibilidade de distúrbio metabólico/lipidose e motivando reavaliação diagnóstica. Discussão: A ausência de resposta sustentada a múltiplas modalidades terapêuticas deve ser considerada sinal de alerta em pacientes acompanhados por trombocitopenia imune. Embora a hiperplasia megacariocítica possa ser compatível com destruição periférica de plaquetas, não é específica para trombocitopenia imune e não exclui outras etiologias. Doenças de depósito lisossômico podem cursar com trombocitopenia e comprometimento esplênico. Nesse contexto, a discordância entre o comportamento clínico e a resposta esperada ao tratamento deve estimular revisão da história, dos exames anteriores e investigação de diagnósticos alternativos. Conclusão: A refratariedade terapêutica na trombocitopenia presumidamente imune deve motivar reavaliação diagnóstica sistemática. Neste caso, o achado anatomopatológico esplênico de depósito lipídico após anos de tratamento como trombocitopenia imune motivou investigação direcionada para doenças de depósito. Reconhecer sinais de alerta para diagnósticos alternativos pode reduzir exposição a tratamentos potencialmente desnecessários e favorecer diagnóstico etiológico mais precoce.
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PY - 2026
DA - 2026/10/23
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AB - Introdução: A trombocitopenia imune é diagnóstico de exclusão e causa frequente de trombocitopenia adquirida na infância. Entretanto, evolução atípica e ausência de resposta sustentada a sucessivas linhas terapêuticas devem motivar revisão diagnóstica, particularmente antes da esplenectomia. Algumas doenças de depósito lisossômico podem cursar com trombocitopenia e comprometimento esplênico, devendo ser consideradas no diagnóstico diferencial de quadros atípicos ou refratários. Descrição do caso: Paciente masculino, com início do quadro aos 2 anos, em agosto de 2022, apresentando manifestações hemorrágicas cutâneas e trombocitopenia. Mielograma inicial evidenciou medula normocelular, ausência de blastos, células tumorais ou parasitas e hiperplasia do setor megacariocítico, com plaquetopoese pouco evidente e dismegacariopoese. Após investigação inicial, passou a ser acompanhado como trombocitopenia imune. Evoluiu com trombocitopenia persistente, episódios de sangramento cutaneomucoso, múltiplas internações e necessidade de sucessivas intervenções terapêuticas. Em 2026 apresentou nova descompensação, com plaquetas de aproximadamente 6.000/mm³. Recebeu corticosteroides em diferentes esquemas e altas doses, imunoglobulina intravenosa e encontrava-se em uso de eltrombopague, sem resposta sustentada adequada. Diante da refratariedade, foi indicada esplenectomia. O procedimento ocorreu sem intercorrências, com elevação subsequente das plaquetas para 440.000/mm³. O exame anatomopatológico do baço evidenciou histiócitos com acúmulo lipídico, levantando a possibilidade de distúrbio metabólico/lipidose e motivando reavaliação diagnóstica. Discussão: A ausência de resposta sustentada a múltiplas modalidades terapêuticas deve ser considerada sinal de alerta em pacientes acompanhados por trombocitopenia imune. Embora a hiperplasia megacariocítica possa ser compatível com destruição periférica de plaquetas, não é específica para trombocitopenia imune e não exclui outras etiologias. Doenças de depósito lisossômico podem cursar com trombocitopenia e comprometimento esplênico. Nesse contexto, a discordância entre o comportamento clínico e a resposta esperada ao tratamento deve estimular revisão da história, dos exames anteriores e investigação de diagnósticos alternativos. Conclusão: A refratariedade terapêutica na trombocitopenia presumidamente imune deve motivar reavaliação diagnóstica sistemática. Neste caso, o achado anatomopatológico esplênico de depósito lipídico após anos de tratamento como trombocitopenia imune motivou investigação direcionada para doenças de depósito. Reconhecer sinais de alerta para diagnósticos alternativos pode reduzir exposição a tratamentos potencialmente desnecessários e favorecer diagnóstico etiológico mais precoce.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -