ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE PACIENTES COM LINFOMAS INFECTADOS E NÃO INFECTADOS PELO HIV NO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO GAFFRÉE E GUINLE
- 1Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Abstract
Introdução: A infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) está associada a maior risco de desenvolvimento de neoplasias hematológicas, especialmente os linfomas. Os linfomas não Hodgkin (LNH) representam as neoplasias malignas mais frequentes nessa população, geralmente com comportamento clínico mais agressivo e necessidade de tratamento intensivo. Com a introdução da terapia antirretroviral (TARV), observou-se redução da incidência dos LNH relacionados ao HIV e melhora expressiva da sobrevida das pessoas vivendo com HIV (PVHIV). Entretanto, persistem diferenças no perfil clínico, no estadiamento ao diagnóstico e no prognóstico quando comparadas às pessoas não vivendo com HIV (não PVHIV), justificando investigações em diferentes populações. Objetivo: Comparar o quadro clínico de pacientes com linfomas PVHIV e não PVHIV acompanhados no Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG), avaliando perfil epidemiológico, fatores prognósticos da doença e possibilidades terapêuticas. Métodos: Estudo retrospectivo, descritivo, baseado na revisão dos prontuários de pacientes diagnosticados com linfoma entre 2012 e 2022. Foram avaliadas as variáveis sexo, raça/cor, idade ao diagnóstico, subtipo histológico, estadiamento de Ann Arbor, sorologia para HIV, controle da carga viral, esquema quimioterápico, desfecho clínico e sobrevida. O tempo de sobrevida foi calculado entre a data do diagnóstico e 08/03/2024 utilizando a função DATADIF do Excel®, sendo posteriormente convertido em meses. As análises de sobrevida foram realizadas pelo método de Kaplan-Meier no software SPSS®. Resultados: Foram incluídos 125 pacientes (72 LNH e 53 LH), sendo 19 PVHIV e 106 não PVHIV. O pequeno número de PVHIV limitou análises comparativas com significância estatística. Os PVHIV apresentaram maior frequência de doença em estadiamentos avançados ao diagnóstico. Nos LNH, idade mais avançada e raça/cor preta associaram-se à menor sobrevida (p < 0,05). O subtipo histológico mais frequente foi o linfoma difuso de grandes células B (LDGCB), tanto na população geral quanto entre os PVHIV, sendo também um dos subtipos associados às maiores sobrevidas. Nos linfomas de Hodgkin, observou-se predomínio do subtipo Esclerose Nodular na população geral e de Celularidade Mista entre os PVHIV, sendo os estadiamentos I e II associados a um melhor prognóstico (p < 0,001). A sorologia positiva para HIV associou-se à menor sobrevida nos pacientes com linfoma de Hodgkin, mesmo na presença de adequado controle virológico (p < 0,001), enquanto nos LNH essa associação não apresentou significância estatística (p > 0,05). Nos LNH, esquemas quimioterápicos baseados em R-CHOP ou EPOCH estiveram relacionados às maiores sobrevidas. Discussão e Conclusão: Apesar da limitação imposta pelo reduzido tamanho amostral do grupo PVHIV, os resultados demonstram tendência a pior prognóstico nessa população, principalmente em decorrência da maior frequência de apresentação em estágios avançados e da menor sobrevida observada nos casos de linfoma de Hodgkin. Idade avançada, raça/cor preta e estadiamento avançado mostraram-se importantes fatores associados à redução da sobrevida. Os achados reforçam a relevância do diagnóstico precoce, da manutenção da TARV e do acesso oportuno ao tratamento onco-hematológico, além de evidenciarem a necessidade de estudos multicêntricos com maior número de PVHIV para melhor compreensão do impacto da infecção pelo HIV na evolução dos linfomas.
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AB - Introdução: A infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) está associada a maior risco de desenvolvimento de neoplasias hematológicas, especialmente os linfomas. Os linfomas não Hodgkin (LNH) representam as neoplasias malignas mais frequentes nessa população, geralmente com comportamento clínico mais agressivo e necessidade de tratamento intensivo. Com a introdução da terapia antirretroviral (TARV), observou-se redução da incidência dos LNH relacionados ao HIV e melhora expressiva da sobrevida das pessoas vivendo com HIV (PVHIV). Entretanto, persistem diferenças no perfil clínico, no estadiamento ao diagnóstico e no prognóstico quando comparadas às pessoas não vivendo com HIV (não PVHIV), justificando investigações em diferentes populações. Objetivo: Comparar o quadro clínico de pacientes com linfomas PVHIV e não PVHIV acompanhados no Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG), avaliando perfil epidemiológico, fatores prognósticos da doença e possibilidades terapêuticas. Métodos: Estudo retrospectivo, descritivo, baseado na revisão dos prontuários de pacientes diagnosticados com linfoma entre 2012 e 2022. Foram avaliadas as variáveis sexo, raça/cor, idade ao diagnóstico, subtipo histológico, estadiamento de Ann Arbor, sorologia para HIV, controle da carga viral, esquema quimioterápico, desfecho clínico e sobrevida. O tempo de sobrevida foi calculado entre a data do diagnóstico e 08/03/2024 utilizando a função DATADIF do Excel®, sendo posteriormente convertido em meses. As análises de sobrevida foram realizadas pelo método de Kaplan-Meier no software SPSS®. Resultados: Foram incluídos 125 pacientes (72 LNH e 53 LH), sendo 19 PVHIV e 106 não PVHIV. O pequeno número de PVHIV limitou análises comparativas com significância estatística. Os PVHIV apresentaram maior frequência de doença em estadiamentos avançados ao diagnóstico. Nos LNH, idade mais avançada e raça/cor preta associaram-se à menor sobrevida (p < 0,05). O subtipo histológico mais frequente foi o linfoma difuso de grandes células B (LDGCB), tanto na população geral quanto entre os PVHIV, sendo também um dos subtipos associados às maiores sobrevidas. Nos linfomas de Hodgkin, observou-se predomínio do subtipo Esclerose Nodular na população geral e de Celularidade Mista entre os PVHIV, sendo os estadiamentos I e II associados a um melhor prognóstico (p < 0,001). A sorologia positiva para HIV associou-se à menor sobrevida nos pacientes com linfoma de Hodgkin, mesmo na presença de adequado controle virológico (p < 0,001), enquanto nos LNH essa associação não apresentou significância estatística (p > 0,05). Nos LNH, esquemas quimioterápicos baseados em R-CHOP ou EPOCH estiveram relacionados às maiores sobrevidas. Discussão e Conclusão: Apesar da limitação imposta pelo reduzido tamanho amostral do grupo PVHIV, os resultados demonstram tendência a pior prognóstico nessa população, principalmente em decorrência da maior frequência de apresentação em estágios avançados e da menor sobrevida observada nos casos de linfoma de Hodgkin. Idade avançada, raça/cor preta e estadiamento avançado mostraram-se importantes fatores associados à redução da sobrevida. Os achados reforçam a relevância do diagnóstico precoce, da manutenção da TARV e do acesso oportuno ao tratamento onco-hematológico, além de evidenciarem a necessidade de estudos multicêntricos com maior número de PVHIV para melhor compreensão do impacto da infecção pelo HIV na evolução dos linfomas.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -