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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

A INIBIÇÃO FARMACOLÓGICA DA VIA DE SINALIZAÇÃO INSR/IGF1R–IRS1/2 POTENCIALIZA A ATIVIDADE ANTILEUCÊMICA DOS INIBIDORES DE FLT3 NA LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA FLT3-ITD

  1. 1Departamento Médico de Imagens, Hematologia e Oncologia Clínica, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, SP, Brasil,
  2. 2Department of Experimental Hematology, Cancer Research Center Groningen, University Medical Center Groningen, Groningen, Holanda

Abstract

Introdução: A progressão da leucemia é impulsionada por alterações coordenadas em redes de sinalização e adaptações metabólicas que favorecem proliferação, plasticidade, sobrevivência e resistência terapêutica. Na leucemia mieloide aguda (LMA) com mutação FLT3-ITD, a ativação compensatória de receptores tirosina-quinase (RTKs) tem sido associada à resistência aos inibidores de FLT3, embora os mecanismos moleculares envolvidos permaneçam pouco compreendidos. Objetivos: Considerando que o eixo INSR/IGF1R–IRS1/2 integra vias de sinalização de proliferação, sobrevivência e metabolismo celular, investigamos e comparamos os efeitos celulares, moleculares e metabólicos da sua inibição com a inibição de FLT3 em modelos celulares de LMA FLT3-ITD. Metodologia: Combinamos análises computacionais, in sílico, e a caracterização funcional e metabólica em modelos celulares de LMA FLT3-ITD (MOLM-13 e MV4;11). Resultados: O alinhamento estrutural de proteínas (PyMOL) revelou elevada similaridade entre a porção tirosina quinase de IGF1R e FLT3 (RMSD = 1,021 Å), enquanto a análise de interação proteína-proteína (STRING) identificou crosstalk funcional entre FLT3 e o eixo INSR/IGF1R–IRS1/2, compartilhando 99 proteínas downstream, convergindo nas vias PI3K-AKT e RAS. Complementarmente, análises transcriptômicas da coorte TCGA-AML e de dependência gênica das linhagens celulares de LMA (DepMap) demonstraram remodelamento da rede transcricional do eixo INSR/IGF1R–IRS1/2 em pacientes com FLT3 mutado, apesar da manutenção da dependência funcional de IGF1R e INSR em células FLT3-ITD. Nas linhagens FLT3-ITD MOLM-13 e MV4-11, inibidores farmacológicos de INSR e IGF1R–IRS1/2 linsitinibe e NT157 reduziram a viabilidade (MTT) e a proliferação celular (Ki67 e contagem de células), concomitantemente ao aumento da apoptose (Anexina V/PI). Por imunoblotting, observou-se redução da fosforilação de FLT3, IGF1R, AKT, STAT5 e 4EBP1, acompanhada por aumento de γH2AX, a partir de 24h de tratamento com o linsitinib ou NT157. A avaliação do metabolismo e integridade mitocondrial por TMRE, MitoTrackerGreen e Seahorse XF revelou despolarização do potencial de membrana mitocondrial e aumento da massa mitocondrial com maiores efeitos em 48h, acompanhado do comprometimento bioenergético, caracterizado pela redução da fosforilação oxidativa e da capacidade glicolítica. Em seguida, a associação de linsitinibe ou NT157 com os inibidores de FLT3 midostaurina ou quizartinibe foi funcionalmente investigada. As combinações promoveram efeitos aditivos e sinérgicos (ZIP > 10) em 48 e 72h respectivamente, potencializando a apoptose e reduzindo a proliferação celular comparados a monoterapia. Metabolicamente, a combinação dos inibidores levou a maior redução do potencial de membrana mitocondrial em comparação às monoterapias (p<0,001). Conclusão: Em conjunto, nossos achados indicam que a mutação FLT3-ITD remodela a rede de sinalização INSR/IGF1R–IRS1/2 mantendo sua dependência funcional, criando uma vulnerabilidade metabólica passível de exploração terapêutica. O bloqueio do eixo INSR/IGF1R–IRS1/2 compromete a sobrevivência e o metabolismo das células leucêmicas e potencializa a resposta aos inibidores de FLT3, reforçando seu potencial como estratégia terapêutica para a LMA FLT3-ITD.

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AU  - David BASTOS
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AB  - Introdução: A progressão da leucemia é impulsionada por alterações coordenadas em redes de sinalização e adaptações metabólicas que favorecem proliferação, plasticidade, sobrevivência e resistência terapêutica. Na leucemia mieloide aguda (LMA) com mutação FLT3-ITD, a ativação compensatória de receptores tirosina-quinase (RTKs) tem sido associada à resistência aos inibidores de FLT3, embora os mecanismos moleculares envolvidos permaneçam pouco compreendidos. Objetivos: Considerando que o eixo INSR/IGF1R–IRS1/2 integra vias de sinalização de proliferação, sobrevivência e metabolismo celular, investigamos e comparamos os efeitos celulares, moleculares e metabólicos da sua inibição com a inibição de FLT3 em modelos celulares de LMA FLT3-ITD. Metodologia: Combinamos análises computacionais, in sílico, e a caracterização funcional e metabólica em modelos celulares de LMA FLT3-ITD (MOLM-13 e MV4;11). Resultados: O alinhamento estrutural de proteínas (PyMOL) revelou elevada similaridade entre a porção tirosina quinase de IGF1R e FLT3 (RMSD = 1,021 Å), enquanto a análise de interação proteína-proteína (STRING) identificou crosstalk funcional entre FLT3 e o eixo INSR/IGF1R–IRS1/2, compartilhando 99 proteínas downstream, convergindo nas vias PI3K-AKT e RAS. Complementarmente, análises transcriptômicas da coorte TCGA-AML e de dependência gênica das linhagens celulares de LMA (DepMap) demonstraram remodelamento da rede transcricional do eixo INSR/IGF1R–IRS1/2 em pacientes com FLT3 mutado, apesar da manutenção da dependência funcional de IGF1R e INSR em células FLT3-ITD. Nas linhagens FLT3-ITD MOLM-13 e MV4-11, inibidores farmacológicos de INSR e IGF1R–IRS1/2 linsitinibe e NT157 reduziram a viabilidade (MTT) e a proliferação celular (Ki67 e contagem de células), concomitantemente ao aumento da apoptose (Anexina V/PI). Por imunoblotting, observou-se redução da fosforilação de FLT3, IGF1R, AKT, STAT5 e 4EBP1, acompanhada por aumento de γH2AX, a partir de 24h de tratamento com o linsitinib ou NT157. A avaliação do metabolismo e integridade mitocondrial por TMRE, MitoTrackerGreen e Seahorse XF revelou despolarização do potencial de membrana mitocondrial e aumento da massa mitocondrial com maiores efeitos em 48h, acompanhado do comprometimento bioenergético, caracterizado pela redução da fosforilação oxidativa e da capacidade glicolítica. Em seguida, a associação de linsitinibe ou NT157 com os inibidores de FLT3 midostaurina ou quizartinibe foi funcionalmente investigada. As combinações promoveram efeitos aditivos e sinérgicos (ZIP > 10) em 48 e 72h respectivamente, potencializando a apoptose e reduzindo a proliferação celular comparados a monoterapia. Metabolicamente, a combinação dos inibidores levou a maior redução do potencial de membrana mitocondrial em comparação às monoterapias (p<0,001). Conclusão: Em conjunto, nossos achados indicam que a mutação FLT3-ITD remodela a rede de sinalização INSR/IGF1R–IRS1/2 mantendo sua dependência funcional, criando uma vulnerabilidade metabólica passível de exploração terapêutica. O bloqueio do eixo INSR/IGF1R–IRS1/2 compromete a sobrevivência e o metabolismo das células leucêmicas e potencializa a resposta aos inibidores de FLT3, reforçando seu potencial como estratégia terapêutica para a LMA FLT3-ITD.
SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -