TERAPIA ANTI-CD30 E BLOQUEIO DE PD-1 NO LINFOMA DE HODGKIN REFRATÁRIO COM RECIDIVA PRECOCE APÓS TRANSPLANTE AUTÓLOGO: RELATO DE CASO
- 1Santa Casa de Porto Alegre, Porto Alegre, RS, Brasil
Abstract
Introdução: O linfoma de Hodgkin clássico (LHc) apresenta elevada taxa de cura na população pediátrica; entretanto, pacientes com doença primariamente refratária ou recidiva precoce constituem um grupo de alto risco e apresentam maior probabilidade de falha às estratégias convencionais de resgate. As células de Hodgkin/Reed-Sternberg expressam intensamente CD30 e frequentemente apresentam alterações do locus 9p24.1, com aumento da expressão de PD-L1 e PD-L2 e consequente escape da resposta imune [1]. Esses mecanismos forneceram racional biológico para o uso do brentuximabe vedotina (BV), conjugado anticorpo-fármaco direcionado ao CD30, e dos inibidores de checkpoint anti-PD-1, como o nivolumabe. Estudos em crianças, adolescentes e adultos jovens com LHc recidivado/refratário demonstram elevadas taxas de resposta metabólica completa com a combinação BV e nivolumabe [2]. Relato de caso: Paciente de 14 anos, diagnosticado com LHc estádio IV, apresentando extensa doença mediastinal e abdominal, com disseminação hepática e óssea. Durante o tratamento de primeira linha apresentou progressão da doença, caracterizando refratariedade primária. Foi indicada terapia de resgate seguida de transplante autólogo de células-tronco hematopoéticas (TACTH). Recebeu esquema ICE associado a BV, obtendo resposta quase completa, e posteriormente foi submetido ao TACTH, alcançando remissão completa. Após o transplante, iniciou manutenção com BV [3]. Três meses após o TACTH, evoluiu com dor lombar e a reavaliação demonstrou recidiva precoce da doença. Diante da progressão, foi associado nivolumabe ao BV. Após dois ciclos da combinação, o paciente alcançou nova remissão completa. Foram realizados oito ciclos de BV associado a nivolumabe, mantendo resposta completa, e o tratamento foi finalizado 12 meses após o transplante, permanecendo em remissão completa. Conclusão: O caso demonstra a agressividade do LHc primariamente refratário e o prognóstico desfavorável associado à recidiva muito precoce após TACTH. A obtenção de remissão completa após apenas dois ciclos de BV associado a nivolumabe, mesmo após exposição prévia ao anti-CD30, reforça a expressiva atividade do bloqueio de PD-1 neste cenário. A incorporação de terapias direcionadas ao CD30 e ao eixo PD-1/PD-L1 ampliou significativamente as possibilidades terapêuticas no LHc recidivado/refratário. Este relato destaca o potencial da combinação BV-nivolumabe para obtenção de respostas profundas em adolescentes com doença de altíssimo risco e reforça a necessidade de estudos que definam duração, sequência e estratégias de consolidação ideais após resposta à imunoterapia.
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AU - Sabrina Moraes SCHNEIDER
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AU - Samir Abou Ghaouche MORAES
AU - Patrice Quartiero Gross BOZZ
PY - 2026
DA - 2026/10/23
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DO - 10.1016/j.htct.2026.107718
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AB - Introdução: O linfoma de Hodgkin clássico (LHc) apresenta elevada taxa de cura na população pediátrica; entretanto, pacientes com doença primariamente refratária ou recidiva precoce constituem um grupo de alto risco e apresentam maior probabilidade de falha às estratégias convencionais de resgate. As células de Hodgkin/Reed-Sternberg expressam intensamente CD30 e frequentemente apresentam alterações do locus 9p24.1, com aumento da expressão de PD-L1 e PD-L2 e consequente escape da resposta imune [1]. Esses mecanismos forneceram racional biológico para o uso do brentuximabe vedotina (BV), conjugado anticorpo-fármaco direcionado ao CD30, e dos inibidores de checkpoint anti-PD-1, como o nivolumabe. Estudos em crianças, adolescentes e adultos jovens com LHc recidivado/refratário demonstram elevadas taxas de resposta metabólica completa com a combinação BV e nivolumabe [2]. Relato de caso: Paciente de 14 anos, diagnosticado com LHc estádio IV, apresentando extensa doença mediastinal e abdominal, com disseminação hepática e óssea. Durante o tratamento de primeira linha apresentou progressão da doença, caracterizando refratariedade primária. Foi indicada terapia de resgate seguida de transplante autólogo de células-tronco hematopoéticas (TACTH). Recebeu esquema ICE associado a BV, obtendo resposta quase completa, e posteriormente foi submetido ao TACTH, alcançando remissão completa. Após o transplante, iniciou manutenção com BV [3]. Três meses após o TACTH, evoluiu com dor lombar e a reavaliação demonstrou recidiva precoce da doença. Diante da progressão, foi associado nivolumabe ao BV. Após dois ciclos da combinação, o paciente alcançou nova remissão completa. Foram realizados oito ciclos de BV associado a nivolumabe, mantendo resposta completa, e o tratamento foi finalizado 12 meses após o transplante, permanecendo em remissão completa. Conclusão: O caso demonstra a agressividade do LHc primariamente refratário e o prognóstico desfavorável associado à recidiva muito precoce após TACTH. A obtenção de remissão completa após apenas dois ciclos de BV associado a nivolumabe, mesmo após exposição prévia ao anti-CD30, reforça a expressiva atividade do bloqueio de PD-1 neste cenário. A incorporação de terapias direcionadas ao CD30 e ao eixo PD-1/PD-L1 ampliou significativamente as possibilidades terapêuticas no LHc recidivado/refratário. Este relato destaca o potencial da combinação BV-nivolumabe para obtenção de respostas profundas em adolescentes com doença de altíssimo risco e reforça a necessidade de estudos que definam duração, sequência e estratégias de consolidação ideais após resposta à imunoterapia.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -