AVALIAÇÃO DE EFICÁCIA E SEGURANÇA EM TRANSFUSÕES DE PLAQUETAS POR AFÉRESE COM INCOMPATIBILIDADE ABO MAIOR
- 1Hemocentro do Hospital das Clínicas, Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB), Universidade Estadual Paulista (UNESP), Botucatu, SP, Brasil
Abstract
A transfusão de concentrados de plaquetas por aférese é um suporte terapêutico fundamental na hemoterapia. Embora a transfusão isogrupo seja a escolha preferencial, a limitação de estoques frequentemente exige a utilização de hemocomponentes com incompatibilidade ABO. Na incompatibilidade ABO maior, a presença de isoaglutininas no plasma do receptor direcionadas aos antígenos plaquetários do doador levanta questionamentos sobre a eficácia (rendimento transfusional) e a segurança do procedimento. Este estudo visa avaliar a eficácia, através do Índice de Incremento Corrigido (CCI), e a segurança clínica e laboratorial de transfusões de plaquetas por aférese com incompatibilidade ABO maior. Trata-se de um estudo retrospectivo e descritivo, no qual foram analisados dados de transfusões de plaquetas por aférese realizadas ao longo de 2025. Os procedimentos foram categorizados quanto à compatibilidade do sistema ABO. Para o subgrupo de incompatibilidade maior, foram avaliados dados sociodemográficos, diagnóstico de base, contagem plaquetária (pré e pós-transfusão) e antropometria para cálculo do CCI. A segurança foi analisada sob duas vertentes: avaliação de hemovigilância (registro de reações transfusionais em todos os grupos) e análise da variação da bilirrubina não conjugada (Δ Bilirrubina) como marcador bioquímico de hemólise nos casos refratários. Foram analisadas 981 transfusões, distribuídas em: 639 isogrupo (65,1%), 145 com incompatibilidade menor (14,7%), 99 bidirecionais (10%) e 98 com incompatibilidade maior (10%). No grupo de incompatibilidade maior (n = 98), o CCI foi calculado em 26 procedimentos, revelando sucesso transfusional (CCI ≥ 7.500) em 16 episódios (61,5%) e refratariedade em 10 (38,5%). Para investigar a segurança associada a essa falha de rendimento, o Δ Bilirrubina foi aferido em 8 dos 10 pacientes refratários, demonstrando: ausência de hemólise em 3 pacientes (Δ ≤ 0), flutuação subclínica em 4 (Δ entre 0,1 e 1,0 mg/dL) e apenas 1 caso com elevação expressiva (Δ > 1,0 mg/dL), este último justificado pelo diagnóstico basal de Doença de Cushing. Adicionalmente, a análise de hemovigilância identificou apenas 10 reações transfusionais no período global: 6 alérgicas leves (4 isogrupo e 2 incompatibilidade menor), 3 reações febris não hemolíticas (2 isogrupo e 1 incompatibilidade maior) e 1 sobrecarga circulatória (TACO) em isogrupo. O único episódio adverso no grupo de incompatibilidade maior não apresentou sinais clínicos ou laboratoriais de hemólise (incremento plaquetário satisfatório e bilirrubinas estáveis), e o paciente tolerou uma subsequente aférese com incompatibilidade maior após três dias, sem novas intercorrências. O estudo demonstra que a transfusão de plaquetas por aférese com incompatibilidade ABO maior apresenta comprometimento do rendimento em uma parcela dos pacientes (38,5%), possivelmente devido ao consumo imunológico. No entanto, a análise combinada evidenciou que essa refratariedade não cursa com hemólise clinicamente relevante e a estabilidade nas reações transfusionais indicam que, na indisponibilidade de hemocomponentes isogrupo, esta pode ser utilizada como uma estratégia de suporte viável e segura dentro dos limites observados no estudo.
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AB - A transfusão de concentrados de plaquetas por aférese é um suporte terapêutico fundamental na hemoterapia. Embora a transfusão isogrupo seja a escolha preferencial, a limitação de estoques frequentemente exige a utilização de hemocomponentes com incompatibilidade ABO. Na incompatibilidade ABO maior, a presença de isoaglutininas no plasma do receptor direcionadas aos antígenos plaquetários do doador levanta questionamentos sobre a eficácia (rendimento transfusional) e a segurança do procedimento. Este estudo visa avaliar a eficácia, através do Índice de Incremento Corrigido (CCI), e a segurança clínica e laboratorial de transfusões de plaquetas por aférese com incompatibilidade ABO maior. Trata-se de um estudo retrospectivo e descritivo, no qual foram analisados dados de transfusões de plaquetas por aférese realizadas ao longo de 2025. Os procedimentos foram categorizados quanto à compatibilidade do sistema ABO. Para o subgrupo de incompatibilidade maior, foram avaliados dados sociodemográficos, diagnóstico de base, contagem plaquetária (pré e pós-transfusão) e antropometria para cálculo do CCI. A segurança foi analisada sob duas vertentes: avaliação de hemovigilância (registro de reações transfusionais em todos os grupos) e análise da variação da bilirrubina não conjugada (Δ Bilirrubina) como marcador bioquímico de hemólise nos casos refratários. Foram analisadas 981 transfusões, distribuídas em: 639 isogrupo (65,1%), 145 com incompatibilidade menor (14,7%), 99 bidirecionais (10%) e 98 com incompatibilidade maior (10%). No grupo de incompatibilidade maior (n = 98), o CCI foi calculado em 26 procedimentos, revelando sucesso transfusional (CCI ≥ 7.500) em 16 episódios (61,5%) e refratariedade em 10 (38,5%). Para investigar a segurança associada a essa falha de rendimento, o Δ Bilirrubina foi aferido em 8 dos 10 pacientes refratários, demonstrando: ausência de hemólise em 3 pacientes (Δ ≤ 0), flutuação subclínica em 4 (Δ entre 0,1 e 1,0 mg/dL) e apenas 1 caso com elevação expressiva (Δ > 1,0 mg/dL), este último justificado pelo diagnóstico basal de Doença de Cushing. Adicionalmente, a análise de hemovigilância identificou apenas 10 reações transfusionais no período global: 6 alérgicas leves (4 isogrupo e 2 incompatibilidade menor), 3 reações febris não hemolíticas (2 isogrupo e 1 incompatibilidade maior) e 1 sobrecarga circulatória (TACO) em isogrupo. O único episódio adverso no grupo de incompatibilidade maior não apresentou sinais clínicos ou laboratoriais de hemólise (incremento plaquetário satisfatório e bilirrubinas estáveis), e o paciente tolerou uma subsequente aférese com incompatibilidade maior após três dias, sem novas intercorrências. O estudo demonstra que a transfusão de plaquetas por aférese com incompatibilidade ABO maior apresenta comprometimento do rendimento em uma parcela dos pacientes (38,5%), possivelmente devido ao consumo imunológico. No entanto, a análise combinada evidenciou que essa refratariedade não cursa com hemólise clinicamente relevante e a estabilidade nas reações transfusionais indicam que, na indisponibilidade de hemocomponentes isogrupo, esta pode ser utilizada como uma estratégia de suporte viável e segura dentro dos limites observados no estudo.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -