O EFEITO DO TEMPO DE ARMAZENAMENTO SOBRE OS PARÂMETROS DA QUALIDADE DOS CONCENTRADOS DE PLAQUETAS OBTIDOS POR AFÉRESE
- 1Hospital Municipal Daniel Gonçalves, Canaã Dos Carajás, PA, Brasil
- 2Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG), EBSERH,Goiânia, GO, Brasil
Abstract
Introdução: As plaquetas são fragmentos citoplasmáticos essenciais à hemostasia primária, sendo sua transfusão indicada principalmente em casos de falência medular. O concentrado de plaquetas (CP) pode ser obtido por doação de sangue total, resultando em plaquetas randômicas, ou por aférese, sendo o concentrado de plaquetas por aférese (CPAF) de qualidade superior por provir de único doador, reduzindo a exposição antigênica do receptor. É indicado para politransfundidos ou com reações transfusionais prévias. Apesar das vantagens, apresenta custo elevado e exige mão de obra especializada. Como o CP possui validade de apenas cinco dias, há descarte expressivo por vencimento, reforçando a relevância de investigar sua viabilidade ao longo do armazenamento. Objetivos: Analisar a influência do tempo de armazenamento sobre a qualidade de concentrados de plaquetas obtidos por aférese, através da avaliação da contagem plaquetária, do pH e da contaminação microbiológica nos dias cinco, sete e dez após a coleta, comparando os resultados aos limites da Portaria de Consolidação nº 5/2017. Materiais e métodos: Estudo experimental, tipo controle de qualidade, realizado no Banco de Sangue do Hospital das Clínicas da UFG/Ebserh, com 20 CPAF (5 simples e 15 duplas) de diferentes doadores. Após 24h da doação, foi coletada alíquota da bolsa satélite, armazenada a 20-24ºC sob agitação constante, com coletas nos dias cinco, sete e dez. A contagem de plaquetas foi feita de forma manual, em câmara de Neubauer, diluição 1:200, realizada às cegas. O pH foi aferido por fitas reativas e o controle microbiológico realizado de forma automatizada (BD Bactec FX®). Os dados foram tabulados em Excel® para cálculo de média, desvio padrão e coeficiente de variação. Resultados: Todos os volumes estiveram conformes (CPAF simples: 250 mL; CPAF dupla: média 434,47 mL). A concentração média das CPAF simples foi 4,2x10¹¹ no dia cinco, caindo para 3,9x10¹¹ nos dias sete e dez; apenas CP02 no dia sete não conformou. Nas duplas, a concentração variou entre 7,6x10¹¹ (dia 5), 7,4x10¹¹ (dia 7) e 7,8x10¹¹ (dia 10), com duas amostras (CP11 e CP14) não conformes desde o dia cinco. O pH foi o parâmetro que mais variou, caindo de 6,8 para 6,4 nas simples e de 6,6 para 6,2 nas duplas; apenas cinco duplas mantiveram-se conformes até o décimo dia. Não houve resultado positivo no controle microbiológico em nenhuma amostra, em nenhum dos dias. Discussão e conclusão: A concentração de plaquetas manteve-se dentro dos parâmetros mesmo com armazenamento prolongado, resultado convergente com a literatura. A queda progressiva do pH é esperada, decorrente da produção de ácido lático pelo metabolismo plaquetário e do consumo do bicarbonato plasmático como tampão. O achado mais relevante foi a ausência de contaminação microbiológica em todas as amostras, mesmo no décimo dia, sugerindo que eventual contaminação já estaria presente desde o início do armazenamento. Como limitação, destaca-se a ausência de testes funcionais de agregação plaquetária e o número reduzido de amostras. Conclui-se que a ampliação do prazo de validade das plaquetas por aférese é viável, desde que respaldada por estratégias que garantam a segurança transfusional, como já adotado pela FDA, ainda pendente de plena implementação pela ANVISA no Brasil.
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AB - Introdução: As plaquetas são fragmentos citoplasmáticos essenciais à hemostasia primária, sendo sua transfusão indicada principalmente em casos de falência medular. O concentrado de plaquetas (CP) pode ser obtido por doação de sangue total, resultando em plaquetas randômicas, ou por aférese, sendo o concentrado de plaquetas por aférese (CPAF) de qualidade superior por provir de único doador, reduzindo a exposição antigênica do receptor. É indicado para politransfundidos ou com reações transfusionais prévias. Apesar das vantagens, apresenta custo elevado e exige mão de obra especializada. Como o CP possui validade de apenas cinco dias, há descarte expressivo por vencimento, reforçando a relevância de investigar sua viabilidade ao longo do armazenamento. Objetivos: Analisar a influência do tempo de armazenamento sobre a qualidade de concentrados de plaquetas obtidos por aférese, através da avaliação da contagem plaquetária, do pH e da contaminação microbiológica nos dias cinco, sete e dez após a coleta, comparando os resultados aos limites da Portaria de Consolidação nº 5/2017. Materiais e métodos: Estudo experimental, tipo controle de qualidade, realizado no Banco de Sangue do Hospital das Clínicas da UFG/Ebserh, com 20 CPAF (5 simples e 15 duplas) de diferentes doadores. Após 24h da doação, foi coletada alíquota da bolsa satélite, armazenada a 20-24ºC sob agitação constante, com coletas nos dias cinco, sete e dez. A contagem de plaquetas foi feita de forma manual, em câmara de Neubauer, diluição 1:200, realizada às cegas. O pH foi aferido por fitas reativas e o controle microbiológico realizado de forma automatizada (BD Bactec FX®). Os dados foram tabulados em Excel® para cálculo de média, desvio padrão e coeficiente de variação. Resultados: Todos os volumes estiveram conformes (CPAF simples: 250 mL; CPAF dupla: média 434,47 mL). A concentração média das CPAF simples foi 4,2x10¹¹ no dia cinco, caindo para 3,9x10¹¹ nos dias sete e dez; apenas CP02 no dia sete não conformou. Nas duplas, a concentração variou entre 7,6x10¹¹ (dia 5), 7,4x10¹¹ (dia 7) e 7,8x10¹¹ (dia 10), com duas amostras (CP11 e CP14) não conformes desde o dia cinco. O pH foi o parâmetro que mais variou, caindo de 6,8 para 6,4 nas simples e de 6,6 para 6,2 nas duplas; apenas cinco duplas mantiveram-se conformes até o décimo dia. Não houve resultado positivo no controle microbiológico em nenhuma amostra, em nenhum dos dias. Discussão e conclusão: A concentração de plaquetas manteve-se dentro dos parâmetros mesmo com armazenamento prolongado, resultado convergente com a literatura. A queda progressiva do pH é esperada, decorrente da produção de ácido lático pelo metabolismo plaquetário e do consumo do bicarbonato plasmático como tampão. O achado mais relevante foi a ausência de contaminação microbiológica em todas as amostras, mesmo no décimo dia, sugerindo que eventual contaminação já estaria presente desde o início do armazenamento. Como limitação, destaca-se a ausência de testes funcionais de agregação plaquetária e o número reduzido de amostras. Conclui-se que a ampliação do prazo de validade das plaquetas por aférese é viável, desde que respaldada por estratégias que garantam a segurança transfusional, como já adotado pela FDA, ainda pendente de plena implementação pela ANVISA no Brasil.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -