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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

DOENÇA LINFOPROLIFERATIVA DE CÉLULAS B POLIMÓRFICA POSITIVA PARA O VÍRUS EPSTEIN-BARR (EBV) EM PACIENTE COM ARTRITE REUMATOIDE SEM FATORES CLÁSSICOS DE IMUNOSSUPRESSÃO: RELATO DE CASO

  1. 1Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), São Paulo, SP, Brasil
  2. 2Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), São Paulo, SP, Brasil

Abstract

A doença linfoproliferativa de células B polimórfica positiva para EBV (poly B-LPD, NOS) é uma entidade clinicopatológica reconhecida pela International Consensus Classification (2022), compreendendo proliferações de células B induzidas pelo EBV que não cumprem os critérios para linfoma. Pode afetar indivíduos de qualquer idade, e o quadro clínico é amplo, podendo manifestar desde linfonodomegalia localizada até acometimento extranodal disseminado. Geralmente, está associada à imunossupressão induzida por fármacos, imunodeficiências primárias e adquiridas ou imunossenescência. Relata-se o caso de uma paciente de 79 anos, com diagnóstico de artrite reumatoide desde os 36 anos e antecedente de tratamento com metotrexato, suspenso há cerca de dois anos, e corticoide, suspenso há cerca de 4 meses. Sem histórico de etilismo ou tabagismo. Cinco meses antes da admissão, apresentou odinofagia, disfagia progressiva e úlcera mucocutânea esbranquiçada em palato e orofaringe. Negava febre, dispneia, sudorese noturna e dor abdominal. Recebeu múltiplos esquemas de antibioticoterapia (azitromicina, cefuroxima, amoxicilina-clavulanato e metronidazol), sem resposta clínica, sendo posteriormente submetida à amigdalectomia palatina e uvulopalatoplastia. O estudo anatomopatológico evidenciou infiltrado polimorfo de células linfoides, com células de pequeno a grande porte, imunoblastos e células semelhantes às de Hodgkin/Reed-Sternberg, com positividade para EBV. À admissão, a sorologia para HIV foi negativas. A TC de pescoço demonstrou múltiplas linfonodomegalias cervicais necróticas, bilateralmente. Foi submetida a biópsia excisional de linfonodo cervical, que revelou linfadenite necrotizante associada ao EBV, com perfil CD15-, CD20+ (focal), CD30+ (raras células), CD3+ (focal), Ki-67+ (baixo índice proliferativo) e PAX-5+ (focal). Após isso, iniciou ganciclovir (10 mg/kg por 21 dias). A paciente evoluiu com necessidade de gastrostomia devido à ausência de melhora e ao desconforto importante. A investigação de foco neoplásico com RM de abdome revelou lesão esplênica, cuja análise sugeriu linfoproliferação de aspecto benigno, atribuída, no contexto, ao EBV. A quantificação de imunoglobulinas e a imunofenotipagem no sangue mostraram alterações discretas. Atualmente, aguarda início de tratamento com rituximabe devido à persistência da doença. Este relato ilustra a interação entre imunossenescência e artrite reumatoide na gênese das doenças linfoproliferativas associadas ao EBV, sendo esses fatores potencialmente relacionados à redução da vigilância imunológica e à reativação viral. Além disso, ocorre sobreposição de aspectos clinicopatológicos com outras doenças linfoproliferativas, ressaltando a importância da integração dos aspectos clínicos, anatomopatológicos e imunofenotípicos no raciocínio diagnóstico. O manejo do quadro baseia-se, principalmente, no uso de rituximabe, associado, quando possível, à reversão da imunossupressão. O seguimento deve incluir avaliação clínica e radiológica seriada, com monitorização da carga viral do EBV. Em conclusão, apresenta-se um caso de doença linfoproliferativa associada ao EBV em paciente sem imunossupressão farmacológica atual, mas com antecedente de uso de metotrexato e corticoide. Ressalta-se a importância do diagnóstico diferencial com outras doenças linfoproliferativas, a fim de evitar terapias inadequadas. Espera-se que este relato contribua para a identificação e o manejo dessa patologia na prática clínica.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
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