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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

DOENÇA LINFOPROLIFERATIVA MONOMÓRFICA PÓS-TRANSPLANTE COM APRESENTAÇÕES DISTINTAS: RESPOSTA À REDUÇÃO DA IMUNOSSUPRESSÃO E AO RITUXIMABE SEM QUIMIOTERAPIA CITOTÓXICA

  1. 1Centro de Pesquisas Oncológicas CEPON, Florianópolis, SC, Brasil

Abstract

Introdução: A doença linfoproliferativa pós-transplante (PTLD) ocorre em pacientes submetidos à imunossupressão pós-transplante de órgão sólido ou transplante alogênico de células-tronco hematopoiéticas (TCTH). A maioria dos casos está relacionada ao vírus Epstein-Barr (EBV), cuja proliferação em linfócitos B é favorecida pela deficiência de resposta citotóxica T. Relato de caso: Caso 1: Homem, 25 anos, com leucemia linfoblástica aguda B Ph+, submetido a TCTH alogênico de doador não aparentado HLA 10/10, após condicionamento mieloablativo com ciclofosfamida, irradiação corporal total e globulina antitimócito (ATG). No D+55, foi diagnosticada PTLD monomórfica, compatível com linfoma difuso de grandes células B (LDGCB), subtipo ABC, associado ao EBV. A ciclosporina foi suspensa e administraram-se quatro doses semanais de rituximabe 375mg/m2, sem quimioterapia citotóxica, com resolução da doença. Não houve recorrência durante o seguimento, porém o paciente evoluiu com hipogamaglobulinemia grave e infecções respiratórias recorrentes. Caso 2: Mulher, 48 anos, transplantada renal de doador falecido havia 14 anos e vivendo com HIV sob terapia antirretroviral, com carga viral indetectável e CD4 preservado. Oito anos após o transplante apresentou dor e distensão abdominal, com múltiplos nódulos gástricos, peritoneais e pulmonares. A biópsia gástrica demonstrou PTLD monomórfica do tipo LDGCB, centro germinativo, CD20 positivo, sem demonstração de EBV por imunohistoquímica, estádio IVA. Tacrolimus e azatioprina foram suspensos, mantendo-se prednisona em baixa dose, com regressão radiológica antes da imunoterapia. Foram administradas quatro doses semanais de rituximabe 375mg/m², seguidas de quatro doses de consolidação, com resposta metabólica completa e sem necessidade de quimioterapia citotóxica. A endoscopia não mostrou doença residual, e o PET-CT confirmou resposta completa. A função renal permaneceu estável e por opção do centro transplantador foi mantida apenas a prednisona para imunossupressão. Discussão: Os casos ilustram apresentações contrastantes de PTLD monomórfica: uma precoce, associada ao EBV após TCTH, e outra tardia após transplante renal. Em ambos, a redução da imunossupressão associada ao rituximabe em monoterapia proporcionou resposta completa e duradoura. No segundo caso, a ausência de hibridização in situ para EBER impede classificá-lo definitivamente como EBV-negativo; a sorologia IgG positiva apenas indica infecção prévia. Casos tardios, entretanto, são mais frequentemente EBV-negativos. No primeiro caso, o uso de ATG pode ter contribuído para o desenvolvimento precoce da PTLD por depletar linfócitos T do receptor e do doador, comprometendo o controle imunológico do EBV. Conclusão: Os relatos demonstram a heterogeneidade temporal e virológica da PTLD e ressaltam a redução da imunossupressão como componente central do manejo, associada ao rituximabe em casos selecionados.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -