LEUCEMIA AGUDA DE FENÓTIPO MISTO COM FUSÃO BCR::ABL: DO RESGATE COM BLINATUMOMABE E PONATINIBE À INFECÇÃO DISSEMINADA POR ADENOVÍRUS PÓS-TRANSPLANTE
- 1Universidade Católica de Brasília (UCB), Brasília, DF, Brasil
- 2Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES), Brasília, DF, Brasil
- 3Hospital Sírio Libanês, Brasília, DF, Brasil
Abstract
Introdução: A leucemia aguda de fenótipo misto com BCR::ABL é rara e de prognóstico desfavorável. A recidiva molecular exige resgate para remissão profunda antes do alo-TCTH, período associado a intensa imunossupressão e infecções oportunistas. Descrição do Caso: Mulher, 62 anos, com leucemia aguda de fenótipo misto com fusão BCR::ABL (p210), diagnosticada em jan/2024. Foi tratada com GMALL e imatinibe, apresentou boa resposta inicial, com doença residual mensurável (DRM) negativa e queda progressiva do BCR::ABL1, mas houve recidiva molecular e imunofenotípica em jul/2025, enquanto aguardava liberação do alo-TCTH. Foi resgatada com blinatumomabe e ponatinibe, evoluindo para Síndrome de Neurotoxicidade Associada a Células Efetoras Imunes grau 2 e Síndrome de Liberação de Citocinas grau 1, ambas revertidas com dexametasona. Atingiu a 2ª remissão, agora completa, com DRM negativa e BCR::ABL1 indetectável. Após 17 dias, foi submetida a alo-TCTH não aparentado 9/10, fonte de sangue periférico, condicionamento com BuFlu2 e profilaxia com ciclofosfamida pós-transplante e ciclosporina. Teve enxertia neutrofílica no D+15 e plaquetária no D+21. Apresentou reativação precoce e autolimitada de adenovírus no D+18, sem necessitar de tratamento, com negativação da carga viral. No D+70, evoluiu com hematúria e carga viral urinária do adenovírus de 16.845.311 cópias/mL, seguida de viremia sistêmica progressiva, com pico de 31.967.965 cópias/mL no D+88, apresentando disseminação e acometimento pulmonar confirmado por lavado broncoalveolar. Evoluiu, em menos de 6 horas, de ar ambiente para insuficiência respiratória hiperaguda, com intubação orotraqueal por 5 dias. Tratada com imunoglobulina e cidofovir 5 mg/kg em quatro doses, com resposta virológica sustentada, negativação em fev/2026 e recuperação completa, sem nefrotoxicidade ou sequelas. Em D+288, mantém remissão completa, em uso de ponatinibe 15 mg via oral diário. Discussão: A recidiva molecular e imunofenotípica antes da recaída morfológica reforça a DRM como instrumento para antecipar falha terapêutica. Blinatumomabe e ponatinibe combinam imunoterapia anti-CD19 e inibição potente de BCR::ABL1, sem quimioterapia intensiva. No estudo de fase 2 de Jabbour et al. (2023), pacientes com LLA Ph+ recidivada ou refratária apresentaram resposta global de 92% e resposta molecular completa de 79%, sustentando o esquema como resgate e ponte ao alo-TCTH. Sua aplicação na leucemia de fenótipo misto BCR::ABL ainda se baseia em extrapolação biológica e evidências limitadas, o que torna este caso relevante por demonstrar viabilidade e resposta profunda nesse cenário raro. Após o alo-TCTH, o adenovírus disseminado é incomum em adultos, porém pode evoluir rapidamente para doença multissistêmica. A reativação autolimitada inicial, seguida por acometimento urinário, sérico e pneumonite, mostra que a negativação transitória não exclui disseminação tardia e reforça o valor da PCR seriada. O manejo inclui redução da imunossupressão, quando possível; além de cidofovir, troca com alto potencial nefrotóxico. O papel da imunoglobulina permanece pouco padronizado, mas pode ter benefício adicional. No caso da nossa paciente, a resposta ao tratamento foi excelente, com rápida recuperação. Conclusão: Tal caso ilustra a evolução dos tratamentos da LLA Ph, possibilitando a negativação da DRM pré alo-TCTH. Além disso, a ocorrência de adenovírus disseminado é rara em adultos e de difícil tratamento.
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PY - 2026
DA - 2026/10/23
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AB - Introdução: A leucemia aguda de fenótipo misto com BCR::ABL é rara e de prognóstico desfavorável. A recidiva molecular exige resgate para remissão profunda antes do alo-TCTH, período associado a intensa imunossupressão e infecções oportunistas. Descrição do Caso: Mulher, 62 anos, com leucemia aguda de fenótipo misto com fusão BCR::ABL (p210), diagnosticada em jan/2024. Foi tratada com GMALL e imatinibe, apresentou boa resposta inicial, com doença residual mensurável (DRM) negativa e queda progressiva do BCR::ABL1, mas houve recidiva molecular e imunofenotípica em jul/2025, enquanto aguardava liberação do alo-TCTH. Foi resgatada com blinatumomabe e ponatinibe, evoluindo para Síndrome de Neurotoxicidade Associada a Células Efetoras Imunes grau 2 e Síndrome de Liberação de Citocinas grau 1, ambas revertidas com dexametasona. Atingiu a 2ª remissão, agora completa, com DRM negativa e BCR::ABL1 indetectável. Após 17 dias, foi submetida a alo-TCTH não aparentado 9/10, fonte de sangue periférico, condicionamento com BuFlu2 e profilaxia com ciclofosfamida pós-transplante e ciclosporina. Teve enxertia neutrofílica no D+15 e plaquetária no D+21. Apresentou reativação precoce e autolimitada de adenovírus no D+18, sem necessitar de tratamento, com negativação da carga viral. No D+70, evoluiu com hematúria e carga viral urinária do adenovírus de 16.845.311 cópias/mL, seguida de viremia sistêmica progressiva, com pico de 31.967.965 cópias/mL no D+88, apresentando disseminação e acometimento pulmonar confirmado por lavado broncoalveolar. Evoluiu, em menos de 6 horas, de ar ambiente para insuficiência respiratória hiperaguda, com intubação orotraqueal por 5 dias. Tratada com imunoglobulina e cidofovir 5 mg/kg em quatro doses, com resposta virológica sustentada, negativação em fev/2026 e recuperação completa, sem nefrotoxicidade ou sequelas. Em D+288, mantém remissão completa, em uso de ponatinibe 15 mg via oral diário. Discussão: A recidiva molecular e imunofenotípica antes da recaída morfológica reforça a DRM como instrumento para antecipar falha terapêutica. Blinatumomabe e ponatinibe combinam imunoterapia anti-CD19 e inibição potente de BCR::ABL1, sem quimioterapia intensiva. No estudo de fase 2 de Jabbour et al. (2023), pacientes com LLA Ph+ recidivada ou refratária apresentaram resposta global de 92% e resposta molecular completa de 79%, sustentando o esquema como resgate e ponte ao alo-TCTH. Sua aplicação na leucemia de fenótipo misto BCR::ABL ainda se baseia em extrapolação biológica e evidências limitadas, o que torna este caso relevante por demonstrar viabilidade e resposta profunda nesse cenário raro. Após o alo-TCTH, o adenovírus disseminado é incomum em adultos, porém pode evoluir rapidamente para doença multissistêmica. A reativação autolimitada inicial, seguida por acometimento urinário, sérico e pneumonite, mostra que a negativação transitória não exclui disseminação tardia e reforça o valor da PCR seriada. O manejo inclui redução da imunossupressão, quando possível; além de cidofovir, troca com alto potencial nefrotóxico. O papel da imunoglobulina permanece pouco padronizado, mas pode ter benefício adicional. No caso da nossa paciente, a resposta ao tratamento foi excelente, com rápida recuperação. Conclusão: Tal caso ilustra a evolução dos tratamentos da LLA Ph, possibilitando a negativação da DRM pré alo-TCTH. Além disso, a ocorrência de adenovírus disseminado é rara em adultos e de difícil tratamento.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -