Skip to content
DraconiticResearch
Search Sources API
194,161 studies31 sourcesUpdated 10 min ago
Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

CANDIDÍASE DISSEMINADA CRÔNICA EM LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA

  1. 1Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Campinas, SP, Brasil

Abstract

Objetivo: ilustrar os desafios diagnósticos da candidíase disseminada crônica (CDC) e o impacto no tratamento quimioterápico na leucemia mieloide aguda (LMA). Material e método: relato de caso com dados de prontuário e discussão baseada em literatura médica. Relato de caso: Paciente do sexo feminino de 66 anos, com LMA de risco intermediário, iniciou indução com 3+7 em 02/04/2026 (D1), sob profilaxia antifúngica com voriconazol. Evoluiu com neutropenia febril a partir de D12, mantendo febre mesmo após tratamento efetivo para infecção de corrente sanguínea por Enterococcus faecalis e afastamento de endocardite. Após sete dias de incubação, hemocultura coletada no D21 identificou Candida tropicalis resistente a fluconazol, motivando prescrição de micafungina. Houve recuperação medular no D22 e resposta completa confirmada no D23. Depois disso, mais de dez pares de hemoculturas foram coletados, todos negativos apesar de febre persistente. Tomografias de 28/04/2026 identificaram nódulos subcutâneos e musculares nos membros, nódulos pulmonares não calcificados bilaterais e lesões esplênicas hipoatenuantes, todos hipercaptantes em PET-CT de 18/05/2026. Biópsia cutânea no D35 e lavado broncoalveolar no D37 isolaram C. tropicalis. Por suspeita de acometimento cerebral após ressonância de 06/05/2026 sugerir abcessos intra-axiais de até 0,9cm, antifúngico transicionado para anfotericina B lipossomal, sem corticoterapia. Recebeu 2 ciclos de consolidação com doses intermediárias de citarabina a partir de 21/05 e 24/07/2026. Permanece em uso de anfotericina lipossomal, em programação de completar 3 ciclos de consolidação com citarabina e avaliações seriadas com ressonância de crânio. Discussão: A CDC é complicação rara e potencialmente fatal, mais comumente relatada em pacientes com LMA. Fatores predisponentes essenciais são presença de neutropenia profunda e prolongada e dano à mucosa induzido pela quimioterapia, possibilitando translocação e disseminação hematogênica da Candida spp colonizadora do trato gastrointestinal. Com a recuperação neutrofílica, desenvolve-se intensa resposta inflamatória direcionada ao fungo - justificando o quadro febril prolongado e formação de granulomas. À semelhança da síndrome de reconstituição imune, a doença oportunista é subclínica em sua origem e os sintomas inflamatórios surgem após recuperação da imunossupressão. A suspeita diagnóstica se fundamenta, sobretudo, na persistência da febre após o período de recuperação medular. Dor em quadrante superior direito, náuseas, vômitos e elevação da fosfatase alcalina podem corroborar à apresentação. Tomografia, ressonância e PET-CT são úteis para identificar lesões, orientar biópsias e acompanhar sua evolução. A confirmação diagnóstica é desafiadora, pois a evidência micológica nem sempre é facilmente encontrada: a biópsia de lesões pode revelar leveduras, mas organismos podem não ser vistos em espécimes e frequentemente não crescem em cultura. Não há ensaios clínicos randomizados que direcionem o tratamento. Equinocandinas e anfotericina B lipossomal são recomendados como primeira linha durante a imunossupressão e até resolução radiológica das lesões. Como a mortalidade na CDC está altamente ligada à recidiva ou progressão da leucemia, quimioterapia e transplante não devem ser adiados. Conclusão: É necessária alta suspeição clínica para o diagnóstico da CDC em pacientes com LMA, bem como tratamento agressivo para possibilitar a manutenção, sem atrasos, do tratamento oncológico.

Related

  1. LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA 15 ANOS APÓS O DIAGNÓSTICO DE LEUCEMIA LINFOCÍTICA CRÔNICA NÃO TRATADA: RELATO DE CASO DE DUAS LEUCEMIAS CONCOMITANTES
    Ana Clara Rédua RIBEIRO, Ana Carolina Podanoschi VERONEZ, Bruno Santos DE OLIVEIRA +6
    Hematology, Transfusion and Cell TherapyPeer-reviewedCC BYFull textEndocrinology & metabolismDOAJ
  2. OSTEOSSARCOMA SEGUIDO DE LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA: ASPECTOS MORFOLÓGICOS NO HEMOGRAMA
    Ingrid De Lucas LIMA, Luis Aparecido MATOS DE OLIVEIRA
    Hematology, Transfusion and Cell TherapyPeer-reviewedCC BYFull textEndocrinology & metabolismDOAJ
  3. IMPACTO PROGNÓSTICO DA FASE ACELERADA DEFINIDA PELA CLASSIFICAÇÃO DE CONSENSO INTERNACIONAL VERSUS A CLASSIFICAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE NA LEUCEMIA MIELOIDE CRÔNICA
    Willian Souza FERNANDES, Rafael Lopes PACCA, Letícia Olops MARANI +4
    Hematology, Transfusion and Cell TherapyPeer-reviewedCC BYFull textEndocrinology & metabolismDOAJ
  4. CRISE BLÁSTICA EXTRAMEDULAR NA LEUCEMIA MIELOIDE CRÔNICA APRESENTANDO-SE COMO SARCOMA MIELOIDE EM LINFONODOS
    Juliana Navas Braga DE SOUZA, Maria Eduarda De Oliveira D'ANGELIS, Anna Clara Toledo DE AZEVEDO +7
    Hematology, Transfusion and Cell TherapyPeer-reviewedCC BYFull textEndocrinology & metabolismDOAJ
  5. DESCOLAMENTO SEROSO DE RETINA ASSOCIADO AO USO DE IMATINIBE EM PACIENTE COM LEUCEMIA MIELOIDE CRÔNICA: RELATO DE CASO
    Clara Luiza BRENNER BURDA, Matheus KREBS KERSUL, Heloise Daniela BORATO +2
    Hematology, Transfusion and Cell TherapyPeer-reviewedCC BYFull textEndocrinology & metabolismDOAJ
BibTeX
@article{osik2026candidíase,
  title = {{CANDIDÍASE DISSEMINADA CRÔNICA EM LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA}},
  author = {Allana Isis OSIK and Ana Carolina Pacheco Menezes RIOS and Bruno Kosa Lino DUARTE},
  journal = {Hematology, Transfusion and Cell Therapy},
  year = {2026},
  month = oct,
  doi = {10.1016/j.htct.2026.107564},
  url = {https://doi.org/10.1016/j.htct.2026.107564},
  note = {CC BY},
}
RIS
TY  - JOUR
TI  - CANDIDÍASE DISSEMINADA CRÔNICA EM LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA
AU  - Allana Isis OSIK
AU  - Ana Carolina Pacheco Menezes RIOS
AU  - Bruno Kosa Lino DUARTE
PY  - 2026
DA  - 2026/10/23
JO  - Hematology, Transfusion and Cell Therapy
DO  - 10.1016/j.htct.2026.107564
UR  - https://doi.org/10.1016/j.htct.2026.107564
AB  - Objetivo: ilustrar os desafios diagnósticos da candidíase disseminada crônica (CDC) e o impacto no tratamento quimioterápico na leucemia mieloide aguda (LMA). Material e método: relato de caso com dados de prontuário e discussão baseada em literatura médica. Relato de caso: Paciente do sexo feminino de 66 anos, com LMA de risco intermediário, iniciou indução com 3+7 em 02/04/2026 (D1), sob profilaxia antifúngica com voriconazol. Evoluiu com neutropenia febril a partir de D12, mantendo febre mesmo após tratamento efetivo para infecção de corrente sanguínea por Enterococcus faecalis e afastamento de endocardite. Após sete dias de incubação, hemocultura coletada no D21 identificou Candida tropicalis resistente a fluconazol, motivando prescrição de micafungina. Houve recuperação medular no D22 e resposta completa confirmada no D23. Depois disso, mais de dez pares de hemoculturas foram coletados, todos negativos apesar de febre persistente. Tomografias de 28/04/2026 identificaram nódulos subcutâneos e musculares nos membros, nódulos pulmonares não calcificados bilaterais e lesões esplênicas hipoatenuantes, todos hipercaptantes em PET-CT de 18/05/2026. Biópsia cutânea no D35 e lavado broncoalveolar no D37 isolaram C. tropicalis. Por suspeita de acometimento cerebral após ressonância de 06/05/2026 sugerir abcessos intra-axiais de até 0,9cm, antifúngico transicionado para anfotericina B lipossomal, sem corticoterapia. Recebeu 2 ciclos de consolidação com doses intermediárias de citarabina a partir de 21/05 e 24/07/2026. Permanece em uso de anfotericina lipossomal, em programação de completar 3 ciclos de consolidação com citarabina e avaliações seriadas com ressonância de crânio. Discussão: A CDC é complicação rara e potencialmente fatal, mais comumente relatada em pacientes com LMA. Fatores predisponentes essenciais são presença de neutropenia profunda e prolongada e dano à mucosa induzido pela quimioterapia, possibilitando translocação e disseminação hematogênica da Candida spp colonizadora do trato gastrointestinal. Com a recuperação neutrofílica, desenvolve-se intensa resposta inflamatória direcionada ao fungo - justificando o quadro febril prolongado e formação de granulomas. À semelhança da síndrome de reconstituição imune, a doença oportunista é subclínica em sua origem e os sintomas inflamatórios surgem após recuperação da imunossupressão. A suspeita diagnóstica se fundamenta, sobretudo, na persistência da febre após o período de recuperação medular. Dor em quadrante superior direito, náuseas, vômitos e elevação da fosfatase alcalina podem corroborar à apresentação. Tomografia, ressonância e PET-CT são úteis para identificar lesões, orientar biópsias e acompanhar sua evolução. A confirmação diagnóstica é desafiadora, pois a evidência micológica nem sempre é facilmente encontrada: a biópsia de lesões pode revelar leveduras, mas organismos podem não ser vistos em espécimes e frequentemente não crescem em cultura. Não há ensaios clínicos randomizados que direcionem o tratamento. Equinocandinas e anfotericina B lipossomal são recomendados como primeira linha durante a imunossupressão e até resolução radiológica das lesões. Como a mortalidade na CDC está altamente ligada à recidiva ou progressão da leucemia, quimioterapia e transplante não devem ser adiados. Conclusão: É necessária alta suspeição clínica para o diagnóstico da CDC em pacientes com LMA, bem como tratamento agressivo para possibilitar a manutenção, sem atrasos, do tratamento oncológico.
SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -