CANDIDÍASE DISSEMINADA CRÔNICA EM LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA
- 1Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Campinas, SP, Brasil
Abstract
Objetivo: ilustrar os desafios diagnósticos da candidíase disseminada crônica (CDC) e o impacto no tratamento quimioterápico na leucemia mieloide aguda (LMA). Material e método: relato de caso com dados de prontuário e discussão baseada em literatura médica. Relato de caso: Paciente do sexo feminino de 66 anos, com LMA de risco intermediário, iniciou indução com 3+7 em 02/04/2026 (D1), sob profilaxia antifúngica com voriconazol. Evoluiu com neutropenia febril a partir de D12, mantendo febre mesmo após tratamento efetivo para infecção de corrente sanguínea por Enterococcus faecalis e afastamento de endocardite. Após sete dias de incubação, hemocultura coletada no D21 identificou Candida tropicalis resistente a fluconazol, motivando prescrição de micafungina. Houve recuperação medular no D22 e resposta completa confirmada no D23. Depois disso, mais de dez pares de hemoculturas foram coletados, todos negativos apesar de febre persistente. Tomografias de 28/04/2026 identificaram nódulos subcutâneos e musculares nos membros, nódulos pulmonares não calcificados bilaterais e lesões esplênicas hipoatenuantes, todos hipercaptantes em PET-CT de 18/05/2026. Biópsia cutânea no D35 e lavado broncoalveolar no D37 isolaram C. tropicalis. Por suspeita de acometimento cerebral após ressonância de 06/05/2026 sugerir abcessos intra-axiais de até 0,9cm, antifúngico transicionado para anfotericina B lipossomal, sem corticoterapia. Recebeu 2 ciclos de consolidação com doses intermediárias de citarabina a partir de 21/05 e 24/07/2026. Permanece em uso de anfotericina lipossomal, em programação de completar 3 ciclos de consolidação com citarabina e avaliações seriadas com ressonância de crânio. Discussão: A CDC é complicação rara e potencialmente fatal, mais comumente relatada em pacientes com LMA. Fatores predisponentes essenciais são presença de neutropenia profunda e prolongada e dano à mucosa induzido pela quimioterapia, possibilitando translocação e disseminação hematogênica da Candida spp colonizadora do trato gastrointestinal. Com a recuperação neutrofílica, desenvolve-se intensa resposta inflamatória direcionada ao fungo - justificando o quadro febril prolongado e formação de granulomas. À semelhança da síndrome de reconstituição imune, a doença oportunista é subclínica em sua origem e os sintomas inflamatórios surgem após recuperação da imunossupressão. A suspeita diagnóstica se fundamenta, sobretudo, na persistência da febre após o período de recuperação medular. Dor em quadrante superior direito, náuseas, vômitos e elevação da fosfatase alcalina podem corroborar à apresentação. Tomografia, ressonância e PET-CT são úteis para identificar lesões, orientar biópsias e acompanhar sua evolução. A confirmação diagnóstica é desafiadora, pois a evidência micológica nem sempre é facilmente encontrada: a biópsia de lesões pode revelar leveduras, mas organismos podem não ser vistos em espécimes e frequentemente não crescem em cultura. Não há ensaios clínicos randomizados que direcionem o tratamento. Equinocandinas e anfotericina B lipossomal são recomendados como primeira linha durante a imunossupressão e até resolução radiológica das lesões. Como a mortalidade na CDC está altamente ligada à recidiva ou progressão da leucemia, quimioterapia e transplante não devem ser adiados. Conclusão: É necessária alta suspeição clínica para o diagnóstico da CDC em pacientes com LMA, bem como tratamento agressivo para possibilitar a manutenção, sem atrasos, do tratamento oncológico.
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PY - 2026
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AB - Objetivo: ilustrar os desafios diagnósticos da candidíase disseminada crônica (CDC) e o impacto no tratamento quimioterápico na leucemia mieloide aguda (LMA). Material e método: relato de caso com dados de prontuário e discussão baseada em literatura médica. Relato de caso: Paciente do sexo feminino de 66 anos, com LMA de risco intermediário, iniciou indução com 3+7 em 02/04/2026 (D1), sob profilaxia antifúngica com voriconazol. Evoluiu com neutropenia febril a partir de D12, mantendo febre mesmo após tratamento efetivo para infecção de corrente sanguínea por Enterococcus faecalis e afastamento de endocardite. Após sete dias de incubação, hemocultura coletada no D21 identificou Candida tropicalis resistente a fluconazol, motivando prescrição de micafungina. Houve recuperação medular no D22 e resposta completa confirmada no D23. Depois disso, mais de dez pares de hemoculturas foram coletados, todos negativos apesar de febre persistente. Tomografias de 28/04/2026 identificaram nódulos subcutâneos e musculares nos membros, nódulos pulmonares não calcificados bilaterais e lesões esplênicas hipoatenuantes, todos hipercaptantes em PET-CT de 18/05/2026. Biópsia cutânea no D35 e lavado broncoalveolar no D37 isolaram C. tropicalis. Por suspeita de acometimento cerebral após ressonância de 06/05/2026 sugerir abcessos intra-axiais de até 0,9cm, antifúngico transicionado para anfotericina B lipossomal, sem corticoterapia. Recebeu 2 ciclos de consolidação com doses intermediárias de citarabina a partir de 21/05 e 24/07/2026. Permanece em uso de anfotericina lipossomal, em programação de completar 3 ciclos de consolidação com citarabina e avaliações seriadas com ressonância de crânio. Discussão: A CDC é complicação rara e potencialmente fatal, mais comumente relatada em pacientes com LMA. Fatores predisponentes essenciais são presença de neutropenia profunda e prolongada e dano à mucosa induzido pela quimioterapia, possibilitando translocação e disseminação hematogênica da Candida spp colonizadora do trato gastrointestinal. Com a recuperação neutrofílica, desenvolve-se intensa resposta inflamatória direcionada ao fungo - justificando o quadro febril prolongado e formação de granulomas. À semelhança da síndrome de reconstituição imune, a doença oportunista é subclínica em sua origem e os sintomas inflamatórios surgem após recuperação da imunossupressão. A suspeita diagnóstica se fundamenta, sobretudo, na persistência da febre após o período de recuperação medular. Dor em quadrante superior direito, náuseas, vômitos e elevação da fosfatase alcalina podem corroborar à apresentação. Tomografia, ressonância e PET-CT são úteis para identificar lesões, orientar biópsias e acompanhar sua evolução. A confirmação diagnóstica é desafiadora, pois a evidência micológica nem sempre é facilmente encontrada: a biópsia de lesões pode revelar leveduras, mas organismos podem não ser vistos em espécimes e frequentemente não crescem em cultura. Não há ensaios clínicos randomizados que direcionem o tratamento. Equinocandinas e anfotericina B lipossomal são recomendados como primeira linha durante a imunossupressão e até resolução radiológica das lesões. Como a mortalidade na CDC está altamente ligada à recidiva ou progressão da leucemia, quimioterapia e transplante não devem ser adiados. Conclusão: É necessária alta suspeição clínica para o diagnóstico da CDC em pacientes com LMA, bem como tratamento agressivo para possibilitar a manutenção, sem atrasos, do tratamento oncológico.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -