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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

CITOMEGALOVIROSE VULVAR LOCALIZADA COM PCR SÉRICA NEGATIVA APÓS TRANSPLANTE ALOGÊNICO DE CÉLULAS-TRONCO HEMATOPOIÉTICAS: RELATO DE CASO

  1. 1Hospital Universitário Walter Cantídio, Fortaleza, CE, Brasil

Abstract

Introdução: A infecção por citomegalovírus (CMV) é comum em pacientes imunocomprometidos, especialmente após o transplante alogênico de células-tronco hematopoiéticas, sendo a apresentação sistêmica com envolvimento de órgãos sólidos a mais habitual. No entanto, a infecção por CMV com acometimento mucocutâneo é rara, se apresenta, geralmente, com lesões bolhosas semelhantes ao pênfigo bolhoso e/ou lesões periorais e perianais. Neste relato de caso descrevemos uma paciente de 45 anos, com diagnóstico de leucemia mieloide crônica em crise blástica sem resposta a 2 linhas de Inibidores de Tirosina Kinase (ITK), submetida então ao transplante alogênico de células tronco hematopoiéticas, com posterior acometimento de região vulvar por lesões com histopatológico e imunohistoquímica compatíveis com infecção por citomegalovírus com PCR sérico negativo. Relato de caso: Paciente feminina, 45 anos, diagnóstico de leucemia mieloide crônica em crise blástica em fevereiro de 2024 (BCR-ABL p210 positivo), refratária a dois Inibidores de Tirosina Kinase (ITK) de 2ª geração. Apresentou resposta hematológica após início de ponatinibe 45 mg/dia (ITK de 3ª geração) sem resposta molecular. Foi submetida a TCTH alogênico não aparentado (10/10), com condicionamento mieloablativo. Apresentou primo-detecção de viremia para CMV em 30/06/2025 (D+ 27), sendo tratada com ganciclovir por 14 dias. Evoluiu com múltiplas reativações de CMV durante o seguimento. Em novembro de 2025 havia retornado uso de ponatinibe em dose de 15 mg/dia após checagem de PCR para CMV indetectável. Manteve uso por duas semanas, com posterior suspensão após nova reativação de CMV. Em dezembro de 2025 retornou à consulta no ambulatório do pós alogênico apresentando lesões em região vulvar, com secreção purulenta, dor local, odor fétido e viremia de CMV negativa. Tratada com cefalosporina de 1ª geração por suspeita de furunculose. Após 14 dias persistiu com lesões vulvares e viremia para CMV negativa, sendo decidido pelo internamento hospitalar para biópsia de lesão e novo ciclo de ganciclovir em janeiro de 2026 por reativação de CMV confirmada por PCR sérico. A paciente apresentou curso clínico flutuante, com múltiplos ciclos de tratamento antiviral. Resultado de histopatológico e imunohistoquímica foram compatíveis com CMV (IHQ: clone CCH2+ DD G9 POSITIVO). Apresentou melhora progressiva das lesões, com resolução completa em março de 2026 com PCR para CMV negativa e sem novo ciclo de tratamento antiviral. Discussão: O acometimento mucocutâneo por citomegalovírus (CMV) é uma manifestação rara após o transplante alogênico de células-tronco hematopoiéticas e representa importante desafio diagnóstico. Neste caso, a ausência de viremia no momento do quadro clínico não excluiu doença localizada por CMV, confirmada por histopatologia e imunohistoquímica. O relato reforça a necessidade de considerar CMV no diagnóstico diferencial de lesões vulvares persistentes em pacientes transplantados, mesmo com PCR sérica negativa, destacando a importância da biópsia para o diagnóstico precoce e instituição do tratamento adequado. Conclusão: A ausência de viremia para CMV não exclui doença localizada. Em pacientes transplantados com lesões vulvares persistentes, a investigação histopatológica precoce é essencial para o diagnóstico e o tratamento adequados.

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AB  - Introdução: A infecção por citomegalovírus (CMV) é comum em pacientes imunocomprometidos, especialmente após o transplante alogênico de células-tronco hematopoiéticas, sendo a apresentação sistêmica com envolvimento de órgãos sólidos a mais habitual. No entanto, a infecção por CMV com acometimento mucocutâneo é rara, se apresenta, geralmente, com lesões bolhosas semelhantes ao pênfigo bolhoso e/ou lesões periorais e perianais. Neste relato de caso descrevemos uma paciente de 45 anos, com diagnóstico de leucemia mieloide crônica em crise blástica sem resposta a 2 linhas de Inibidores de Tirosina Kinase (ITK), submetida então ao transplante alogênico de células tronco hematopoiéticas, com posterior acometimento de região vulvar por lesões com histopatológico e imunohistoquímica compatíveis com infecção por citomegalovírus com PCR sérico negativo. Relato de caso: Paciente feminina, 45 anos, diagnóstico de leucemia mieloide crônica em crise blástica em fevereiro de 2024 (BCR-ABL p210 positivo), refratária a dois Inibidores de Tirosina Kinase (ITK) de 2ª geração. Apresentou resposta hematológica após início de ponatinibe 45 mg/dia (ITK de 3ª geração) sem resposta molecular. Foi submetida a TCTH alogênico não aparentado (10/10), com condicionamento mieloablativo. Apresentou primo-detecção de viremia para CMV em 30/06/2025 (D+ 27), sendo tratada com ganciclovir por 14 dias. Evoluiu com múltiplas reativações de CMV durante o seguimento. Em novembro de 2025 havia retornado uso de ponatinibe em dose de 15 mg/dia após checagem de PCR para CMV indetectável. Manteve uso por duas semanas, com posterior suspensão após nova reativação de CMV. Em dezembro de 2025 retornou à consulta no ambulatório do pós alogênico apresentando lesões em região vulvar, com secreção purulenta, dor local, odor fétido e viremia de CMV negativa. Tratada com cefalosporina de 1ª geração por suspeita de furunculose. Após 14 dias persistiu com lesões vulvares e viremia para CMV negativa, sendo decidido pelo internamento hospitalar para biópsia de lesão e novo ciclo de ganciclovir em janeiro de 2026 por reativação de CMV confirmada por PCR sérico. A paciente apresentou curso clínico flutuante, com múltiplos ciclos de tratamento antiviral. Resultado de histopatológico e imunohistoquímica foram compatíveis com CMV (IHQ: clone CCH2+ DD G9 POSITIVO). Apresentou melhora progressiva das lesões, com resolução completa em março de 2026 com PCR para CMV negativa e sem novo ciclo de tratamento antiviral. Discussão: O acometimento mucocutâneo por citomegalovírus (CMV) é uma manifestação rara após o transplante alogênico de células-tronco hematopoiéticas e representa importante desafio diagnóstico. Neste caso, a ausência de viremia no momento do quadro clínico não excluiu doença localizada por CMV, confirmada por histopatologia e imunohistoquímica. O relato reforça a necessidade de considerar CMV no diagnóstico diferencial de lesões vulvares persistentes em pacientes transplantados, mesmo com PCR sérica negativa, destacando a importância da biópsia para o diagnóstico precoce e instituição do tratamento adequado. Conclusão: A ausência de viremia para CMV não exclui doença localizada. Em pacientes transplantados com lesões vulvares persistentes, a investigação histopatológica precoce é essencial para o diagnóstico e o tratamento adequados.
SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -