TIREOIDITE DE DE QUERVAIN ASSOCIADA À RECAÍDA DE LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA APÓS TRANSPLANTE ALOGÊNICO DE CÉLULAS-TRONCO HEMATOPOIÉTICAS: RELATO DE CASO
- 1IBCC, São Paulo, SP, Brasil
- 2Hospital São Camilo, São Paulo, SP, Brasil
Abstract
Introdução: A tireoidite de De Quervain é uma manifestação pouco frequente na leucemia mieloide aguda (LMA), especialmente após transplante alogênico de células-tronco hematopoéticas (TCTH). Nesta população é desafiador, devido ao amplo espectro de diagnósticos diferenciais, incluindo infecções oportunistas, infiltração leucêmica, doença do enxerto contra o hospedeiro e toxicidade relacionada ao tratamento. Relatamos um caso de tireoidite de De Quervain durante recaída de LMA após TCTH alogênico. Relato de caso: Paciente do sexo feminino, 52 anos, diagnosticada em maio de 2025 com LMA de alto risco, submetida à indução quimioterápica com D3A7 seguida de TCTH alogênico aparentado HLA idêntico em setembro de 2025. Durante o seguimento apresentou recaída da doença em fevereiro de 2026, caracterizada por 30% de blastos em mielograma, perda do quimerismo para 27% e ganho da mutação FLT3-ITD, portanto, iniciado tratamento com azacitidina e venetoclax. Após o C1 do tratamento de resgate, evoluiu com febre persistente, dor, edema cervical e odinofagia, associadas à elevação de marcadores inflamatórios. A investigação incluiu pesquisas seriadas para CMV, EBV, HHV-6, vírus respiratórios e galactomanana, não sendo identificado infecção relacionada ao acometimento tireoidiano. A tomografia computadorizada de pescoço demonstrou aumento difuso e heterogêneo da glândula tireoide, associado à presença de líquido peritireoidiano, compatível com tireoidite, e a ultrassonografia evidenciou parênquima difusamente heterogêneo com hiperfluxo ao Doppler, sem lesões nodulares ou linfonodomegalias, confirmando sinais de tireoidite. A investigação laboratorial revelou TSH de 0,02 µU/mL, T4L de 7,77 ng/dL e VHS de 54 mm/h, compatíveis com fase tireotóxica. Foi instituído tratamento com betabloqueador e corticoterapia sistêmica, evoluindo com melhora clínica progressiva e queda gradual do T4 livre (>7,77; 5,16; 4,79; 3,02; 1,56 ng/dL), com recuperação do TSH. Discussão: O acometimento tireoidiano em pacientes com LMA é raro, descrito principalmente em situações de infiltração leucêmica, toxicidade medicamentosa ou complicações relacionadas ao transplante. A associação entre recaída de LMA após TCTH e tireoidite subaguda é incomum na literatura, existindo apenas relatos isolados. Neste caso, o diagnóstico foi sustentado pela associação entre quadro clínico típico, alterações laboratoriais compatíveis com tireotoxicose e achados característicos nos exames de imagem. A investigação negativa para os principais agentes oportunistas reforçou a hipótese de tireoidite inflamatória, permitindo o tratamento específico com corticoterapia e betabloqueador, com resposta clínica satisfatória. Conclusão: A tireoidite de De Quervain é uma manifestação incomum em pacientes com LMA recidivada após TCTH alogênico. Este relato traz a importância de incluir o acometimento tireoidiano no diagnóstico diferencial de pacientes com dor cervical e síndrome inflamatória persistente após transplante, especialmente quando a investigação infecciosa não identifica etiologia evidente. O reconhecimento precoce permite instituir tratamento adequado e contribui para ampliar o conhecimento sobre uma associação ainda pouco descrita.
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AB - Introdução: A tireoidite de De Quervain é uma manifestação pouco frequente na leucemia mieloide aguda (LMA), especialmente após transplante alogênico de células-tronco hematopoéticas (TCTH). Nesta população é desafiador, devido ao amplo espectro de diagnósticos diferenciais, incluindo infecções oportunistas, infiltração leucêmica, doença do enxerto contra o hospedeiro e toxicidade relacionada ao tratamento. Relatamos um caso de tireoidite de De Quervain durante recaída de LMA após TCTH alogênico. Relato de caso: Paciente do sexo feminino, 52 anos, diagnosticada em maio de 2025 com LMA de alto risco, submetida à indução quimioterápica com D3A7 seguida de TCTH alogênico aparentado HLA idêntico em setembro de 2025. Durante o seguimento apresentou recaída da doença em fevereiro de 2026, caracterizada por 30% de blastos em mielograma, perda do quimerismo para 27% e ganho da mutação FLT3-ITD, portanto, iniciado tratamento com azacitidina e venetoclax. Após o C1 do tratamento de resgate, evoluiu com febre persistente, dor, edema cervical e odinofagia, associadas à elevação de marcadores inflamatórios. A investigação incluiu pesquisas seriadas para CMV, EBV, HHV-6, vírus respiratórios e galactomanana, não sendo identificado infecção relacionada ao acometimento tireoidiano. A tomografia computadorizada de pescoço demonstrou aumento difuso e heterogêneo da glândula tireoide, associado à presença de líquido peritireoidiano, compatível com tireoidite, e a ultrassonografia evidenciou parênquima difusamente heterogêneo com hiperfluxo ao Doppler, sem lesões nodulares ou linfonodomegalias, confirmando sinais de tireoidite. A investigação laboratorial revelou TSH de 0,02 µU/mL, T4L de 7,77 ng/dL e VHS de 54 mm/h, compatíveis com fase tireotóxica. Foi instituído tratamento com betabloqueador e corticoterapia sistêmica, evoluindo com melhora clínica progressiva e queda gradual do T4 livre (>7,77; 5,16; 4,79; 3,02; 1,56 ng/dL), com recuperação do TSH. Discussão: O acometimento tireoidiano em pacientes com LMA é raro, descrito principalmente em situações de infiltração leucêmica, toxicidade medicamentosa ou complicações relacionadas ao transplante. A associação entre recaída de LMA após TCTH e tireoidite subaguda é incomum na literatura, existindo apenas relatos isolados. Neste caso, o diagnóstico foi sustentado pela associação entre quadro clínico típico, alterações laboratoriais compatíveis com tireotoxicose e achados característicos nos exames de imagem. A investigação negativa para os principais agentes oportunistas reforçou a hipótese de tireoidite inflamatória, permitindo o tratamento específico com corticoterapia e betabloqueador, com resposta clínica satisfatória. Conclusão: A tireoidite de De Quervain é uma manifestação incomum em pacientes com LMA recidivada após TCTH alogênico. Este relato traz a importância de incluir o acometimento tireoidiano no diagnóstico diferencial de pacientes com dor cervical e síndrome inflamatória persistente após transplante, especialmente quando a investigação infecciosa não identifica etiologia evidente. O reconhecimento precoce permite instituir tratamento adequado e contribui para ampliar o conhecimento sobre uma associação ainda pouco descrita.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -