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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

LASERTERAPIA DE BAIXA POTÊNCIA INTRAORAL E CERVICAL NO TRANSPLANTE DE CÉLULAS-TRONCO HEMATOPOIÉTICAS ALOGÊNICO: ENSAIO CLÍNICO RANDOMIZADO FASE III

  1. 1Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Abstract

Introdução: A laserterapia de baixa potência (LBP) é a principal estratégia para prevenção de mucosite oral e dor orofaríngea, toxicidades relevantes no contexto do Transplante de Células-Tronco Hematopoiéticas (TCTH). OBJETIVO: Comparar os efeitos de dois protocolos de laserterapia de baixa potência com aplicações intra e extraorais (região cervical) na prevenção de mucosite oral, dor oral e orofaríngea, disfagia, uso de nutrição parenteral total e opioides em pacientes submetidos ao TCTH alogênico. Material e Métodos: Trata-se de um ensaio clínico randomizado (fase III), duplo-cego, conduzido em um hospital público com pacientes adultos submetidos ao TCTH alogênico. O estudo comparou dois protocolos de LBP (diodos de InGaAlP e AlGaAs, 100mW). No grupo A foram realizadas aplicações de 4J/ponto extraoral (808nm) e 1J/ponto intraoral (660nm); no grupo B, os pontos extraorais receberam 2J de cada um dos comprimentos de onda, de forma simultânea, assim como os intraorais (0,5J de cada), do início do condicionamento até a pega da medula ou descontinuação. O cálculo amostral previu a inclusão de 37 pacientes em cada grupo, avaliados por intenção de tratamento. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética (CAAE:67172223.9.0000.5274) e está registrado no Clinical Trials (NCT06071637). Resultados: O estudo incluiu 74 pacientes (mediana de 37 anos), majoritariamente homens (58,1%), com diagnóstico de leucemias agudas (60,8%), submetidos ao TCTH alogênico haploidêntico (70,4%) com fonte de células em sangue periférico (90,5%). Os grupos foram homogêneos nas características basais (p>0,05). As incidências de mucosite oral (qualquer grau e grave) foram de 73,0% e 43,2% no grupo A e 83,8% e 48,6% no grupo B, respectivamente. Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre os grupos quanto à incidência, gravidade ou duração da mucosite oral, disfagia, dor oral/orofaríngea, uso de opioides, necessidade de nutrição parenteral ou sobrevida livre de mucosite e disfagia (todos p>0,05). Discussão: A evolução tecnológica dos aparelhos de LBP permitiu a emissão de comprimentos de onda simultâneos por dispositivos modernos. Essa nova perspectiva levanta a hipótese de que a associação de mecanismos de comprimentos de onda isolados possa apresentar benefícios clínicos superiores. O protocolo realizado no grupo B, com irradiação dupla simultânea, não se demonstrou superior ao protocolo do grupo A para os desfechos clínicos analisados. Um potencial benefício da irradiação dupla simultânea é o menor tempo de atendimento por paciente. Assim, fatores operacionais, como tempo de aplicação e logística do serviço, podem direcionar a escolha entre os protocolos quando se busca otimizar o fluxo assistencial, em especial nos grandes centros de tratamento, com elevado número de pacientes. Por se tratar de uma tecnologia recente, com poucos estudos na literatura, especialmente no contexto do TCTH, a busca pela dosimetria ideal para irradiação dupla simultânea ainda é incipiente, o que ratifica a necessidade de futuros estudos sobre o tema. Conclusão: A LBP com dupla irradiação simultânea não demonstrou superioridade clínica em relação ao protocolo de espectro isolado na prevenção da mucosite oral, dor oral e orofaríngea, disfagia, uso de nutrição parenteral total e opioides em pacientes submetidos ao TCTH alogênico. Novos estudos são necessários para determinar a eficácia clínica e a dosimetria ideais dessa tecnologia.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -