IMPACTO DA INTRODUÇÃO DE PANFLETOS DE EDUCAÇÃO EM SAÚDE AO PACIENTE APÓS O TRATAMENTO ONCOLOGICO
- 1Hospital do GRAACC, São Paulo, SP, Brasil
Abstract
Introdução: As neoplasias pediátricas representam de 3% a 10% dos casos de câncer em países em desenvolvimento. Com o aumento das taxas de cura o seguimento de longo prazo torna-se essencial para monitorar efeitos tardios na população adolescente e início da idade adulta. Estratégias de educação em saúde são fundamentais para promover a autonomia e o engajamento do sobrevivente no autocuidado. Objetivo: Avaliar a eficácia de materiais educativos impressos na assimilação de informações sobre cuidados de longo prazo e na conscientização de sobreviventes de câncer infantojuvenil maiores de 12 anos sobre possíveis efeitos tardios do tratamento. Método: Estudo quasi-experimental com pacientes pós-tratamento oncológico na infância e adolescência em seguimento ambulatorial utilizando 13 Materiais de Educação ao Paciente (MEP) impressos traduzidos de diretrizes internacionais ( Health Links do Children’s Oncology Group ) cobrindo domínios de saúde mental, cardíaca, hormonal (tireóide e hormônio do crescimento), reprodutiva feminina, reprodutiva masculina, dentária, ocular, renal, auditiva, ortopédica e riscos de segundas neoplasias. O impacto da intervenção foi mensurado pela comparação qualitativa e quantitativa de acertos em testes pré e pós entrega dos MEPs. O intervalo de tempo entre testes foi de 2 semanas. Cada participante recebeu MEPs correspondentes às exposições de risco personalizadas ao próprio tratamento. Resultados: Recrutados 31 pacientes, dos quais 26 aderiram ao pós teste. Observamos ganho de 20% no nível de conhecimento após a introdução dos materiais educativos (pré-teste: 718 acertos e pós teste: 866 acertos). Este ganho não se deu de forma uniforme: o percentual de acertos pré e pós teste entre pacientes variou entre -45% e +158%. O domínio de sintomas de atraso de puberdade masculino apresentou o maior aumento percentual (+31%). O domínio da endocrinologia apresentou a maior lacuna de conhecimento: embora 66% tenham identificado a desaceleração do crescimento como sintoma, nenhum paciente reconheceu sinais de alterações metabólicas ou da tireoide associadas ao tratamento. Nenhum paciente declarou dificuldade de compreensão dos MEPs. Conclusão: A incorporação sistemática de MEPs ao fluxo ambulatorial amplia o repertório de autocuidado e estimula o engajamento familiar. Contudo, a persistência de lacunas em temas específicos, como a endocrinologia, evidencia a necessidade de estratégias complementares e treinamento da equipe multidisciplinar para uma educação em saúde mais proativa e acessível.
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TY - JOUR
TI - IMPACTO DA INTRODUÇÃO DE PANFLETOS DE EDUCAÇÃO EM SAÚDE AO PACIENTE APÓS O TRATAMENTO ONCOLOGICO
AU - Luiza Dornelles Penteado PACHECO E SILVA
AU - Isabela Rodrigues NEVES
AU - Daniela Silva RODRIGUES
AU - Monica Dos Santos CYPRIANO
PY - 2026
DA - 2026/10/23
JO - Hematology, Transfusion and Cell Therapy
DO - 10.1016/j.htct.2026.108142
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AB - Introdução: As neoplasias pediátricas representam de 3% a 10% dos casos de câncer em países em desenvolvimento. Com o aumento das taxas de cura o seguimento de longo prazo torna-se essencial para monitorar efeitos tardios na população adolescente e início da idade adulta. Estratégias de educação em saúde são fundamentais para promover a autonomia e o engajamento do sobrevivente no autocuidado. Objetivo: Avaliar a eficácia de materiais educativos impressos na assimilação de informações sobre cuidados de longo prazo e na conscientização de sobreviventes de câncer infantojuvenil maiores de 12 anos sobre possíveis efeitos tardios do tratamento. Método: Estudo quasi-experimental com pacientes pós-tratamento oncológico na infância e adolescência em seguimento ambulatorial utilizando 13 Materiais de Educação ao Paciente (MEP) impressos traduzidos de diretrizes internacionais ( Health Links do Children’s Oncology Group ) cobrindo domínios de saúde mental, cardíaca, hormonal (tireóide e hormônio do crescimento), reprodutiva feminina, reprodutiva masculina, dentária, ocular, renal, auditiva, ortopédica e riscos de segundas neoplasias. O impacto da intervenção foi mensurado pela comparação qualitativa e quantitativa de acertos em testes pré e pós entrega dos MEPs. O intervalo de tempo entre testes foi de 2 semanas. Cada participante recebeu MEPs correspondentes às exposições de risco personalizadas ao próprio tratamento. Resultados: Recrutados 31 pacientes, dos quais 26 aderiram ao pós teste. Observamos ganho de 20% no nível de conhecimento após a introdução dos materiais educativos (pré-teste: 718 acertos e pós teste: 866 acertos). Este ganho não se deu de forma uniforme: o percentual de acertos pré e pós teste entre pacientes variou entre -45% e +158%. O domínio de sintomas de atraso de puberdade masculino apresentou o maior aumento percentual (+31%). O domínio da endocrinologia apresentou a maior lacuna de conhecimento: embora 66% tenham identificado a desaceleração do crescimento como sintoma, nenhum paciente reconheceu sinais de alterações metabólicas ou da tireoide associadas ao tratamento. Nenhum paciente declarou dificuldade de compreensão dos MEPs. Conclusão: A incorporação sistemática de MEPs ao fluxo ambulatorial amplia o repertório de autocuidado e estimula o engajamento familiar. Contudo, a persistência de lacunas em temas específicos, como a endocrinologia, evidencia a necessidade de estratégias complementares e treinamento da equipe multidisciplinar para uma educação em saúde mais proativa e acessível.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -