DISCREPÂNCIA ABO APÓS TRANSPLANTE ALOGÊNICO DE MEDULA ÓSSEA: RELATO DE CASO E INVESTIGAÇÃO IMUNO-HEMATOLÓGICA
- 1Hemobanco, Curitiba, PR, Brasil
Abstract
Introdução: A determinação correta do grupo sanguíneo ABO é fundamental para a segurança transfusional. Discrepâncias entre a tipagem direta e reversa requerem investigação complementar, pois podem estar associadas a subgrupos ABO, anticorpos, transfusões prévias, doenças hematológicas ou transplantes. A interpretação inadequada desses achados pode comprometer a seleção de hemocomponentes e aumentar o risco de incompatibilidades transfusionais. Objetivos: Relatar um caso de discrepância ABO em paciente submetido a transplante alogênico de medula óssea com incompatibilidade ABO maior, enfatizando a importância da correlação entre resultados laboratoriais e histórico clínico para definição segura da conduta transfusional. Material e métodos: Relato de caso de paciente masculino, 56 anos, internado para correção cirúrgica de fratura de fêmur em serviço de hemoterapia de Curitiba (PR). Foram realizados tipagem ABO/Rh direta e reversa (gel teste e tubo), pesquisa e identificação de anticorpos irregulares, autocontrole, teste de antiglobulina direta, pesquisa com lectina Anti-A1 e provas cruzadas. Os achados laboratoriais foram correlacionados ao histórico clínico. Resultados: A tipagem direta demonstrou grupo A RhD positivo, enquanto a tipagem reversa apresentou reatividade contra hemácias A1 (1+) após incubação a 4°C. A pesquisa de anticorpos irregulares, o painel de identificação, o autocontrole e o teste de antiglobulina direta foram negativos. A lectina Anti-A1 também foi negativa. As provas cruzadas com concentrados de hemácias A RhD positivo apresentaram incompatibilidade (2+). A investigação clínica identificou antecedente de transplante alogênico de medula óssea com incompatibilidade ABO maior (receptor O RhD positivo e doador A RhD positivo), sugerindo participação de subgrupo A associado à produção de anti-A1. Discussão: A investigação sistemática permitiu excluir anticorpos irregulares e direcionar a hipótese para alteração relacionada ao sistema ABO. A negatividade da lectina Anti-A1, associada à incompatibilidade nas provas cruzadas, sugere subgrupo A com presença de anti-A1 clinicamente relevante. Embora esse anticorpo seja geralmente considerado de baixa importância clínica, sua associação à incompatibilidade transfusional exige cautela na seleção de hemocomponentes. O histórico de transplante acrescenta complexidade, pois alterações persistentes da expressão antigênica podem ocorrer após incompatibilidade ABO maior, inclusive pela possível influência do fenótipo eritrocitário do doador. O caso demonstra que a tipagem direta isoladamente pode não refletir a real compatibilidade transfusional, especialmente em pacientes transplantados, reforçando a necessidade da investigação laboratorial ampliada antes da definição da conduta transfusional. Conclusão: A investigação integrada entre tipagem direta e reversa, testes de compatibilidade e histórico clínico foi determinante para a definição segura da estratégia transfusional. Até o esclarecimento completo do caso, recomenda-se priorizar concentrados de hemácias O RhD compatíveis, plasma AB e plaquetas ABO compatíveis ou com baixo título de isoaglutininas. O relato reforça que, em pacientes com transplante alogênico de medula óssea, decisões baseadas exclusivamente na tipagem direta podem representar risco transfusional, tornando indispensável uma investigação laboratorial abrangente para garantir maior segurança ao paciente e adequada seleção dos hemocomponentes.
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RIS
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AU - Ariela Felix SILVA
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PY - 2026
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AB - Introdução: A determinação correta do grupo sanguíneo ABO é fundamental para a segurança transfusional. Discrepâncias entre a tipagem direta e reversa requerem investigação complementar, pois podem estar associadas a subgrupos ABO, anticorpos, transfusões prévias, doenças hematológicas ou transplantes. A interpretação inadequada desses achados pode comprometer a seleção de hemocomponentes e aumentar o risco de incompatibilidades transfusionais. Objetivos: Relatar um caso de discrepância ABO em paciente submetido a transplante alogênico de medula óssea com incompatibilidade ABO maior, enfatizando a importância da correlação entre resultados laboratoriais e histórico clínico para definição segura da conduta transfusional. Material e métodos: Relato de caso de paciente masculino, 56 anos, internado para correção cirúrgica de fratura de fêmur em serviço de hemoterapia de Curitiba (PR). Foram realizados tipagem ABO/Rh direta e reversa (gel teste e tubo), pesquisa e identificação de anticorpos irregulares, autocontrole, teste de antiglobulina direta, pesquisa com lectina Anti-A1 e provas cruzadas. Os achados laboratoriais foram correlacionados ao histórico clínico. Resultados: A tipagem direta demonstrou grupo A RhD positivo, enquanto a tipagem reversa apresentou reatividade contra hemácias A1 (1+) após incubação a 4°C. A pesquisa de anticorpos irregulares, o painel de identificação, o autocontrole e o teste de antiglobulina direta foram negativos. A lectina Anti-A1 também foi negativa. As provas cruzadas com concentrados de hemácias A RhD positivo apresentaram incompatibilidade (2+). A investigação clínica identificou antecedente de transplante alogênico de medula óssea com incompatibilidade ABO maior (receptor O RhD positivo e doador A RhD positivo), sugerindo participação de subgrupo A associado à produção de anti-A1. Discussão: A investigação sistemática permitiu excluir anticorpos irregulares e direcionar a hipótese para alteração relacionada ao sistema ABO. A negatividade da lectina Anti-A1, associada à incompatibilidade nas provas cruzadas, sugere subgrupo A com presença de anti-A1 clinicamente relevante. Embora esse anticorpo seja geralmente considerado de baixa importância clínica, sua associação à incompatibilidade transfusional exige cautela na seleção de hemocomponentes. O histórico de transplante acrescenta complexidade, pois alterações persistentes da expressão antigênica podem ocorrer após incompatibilidade ABO maior, inclusive pela possível influência do fenótipo eritrocitário do doador. O caso demonstra que a tipagem direta isoladamente pode não refletir a real compatibilidade transfusional, especialmente em pacientes transplantados, reforçando a necessidade da investigação laboratorial ampliada antes da definição da conduta transfusional. Conclusão: A investigação integrada entre tipagem direta e reversa, testes de compatibilidade e histórico clínico foi determinante para a definição segura da estratégia transfusional. Até o esclarecimento completo do caso, recomenda-se priorizar concentrados de hemácias O RhD compatíveis, plasma AB e plaquetas ABO compatíveis ou com baixo título de isoaglutininas. O relato reforça que, em pacientes com transplante alogênico de medula óssea, decisões baseadas exclusivamente na tipagem direta podem representar risco transfusional, tornando indispensável uma investigação laboratorial abrangente para garantir maior segurança ao paciente e adequada seleção dos hemocomponentes.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -