IMPLEMENTAÇÃO DE UM FLUXO ASSISTENCIAL PARA TRANSPLANTE AUTÓLOGO DE CÉLULAS-TRONCO HEMATOPOIÉTICAS A FRESCO: EXPERIÊNCIA INICIAL EM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO
- 1Hospital Universitário Pedro Ernesto, Rio de Janeiro, RJ, Brazil
- 2Hospital Universitário dos Servidores, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Abstract
Introdução: O transplante autólogo de células-tronco hematopoiéticas sem o uso de criopreservantes, denominado “a fresco”, apresenta vantagens clínicas e econômicas em relação ao transplante convencional, incluindo maior viabilidade celular, recuperação hematológica mais rápida, eliminação da toxicidade associada ao dimetilsulfóxido (DMSO) e reduz custos relacionados à criopreservação e armazenamento das bolsas. Entretanto, esta modalidade de transplante exige sincronização entre as etapas de coleta, processamento, condicionamento e infusão para a viabilidade do procedimento. Nesse contexto, a equipe de enfermagem atua na integração e organização logística entre a equipe multiprofissional e cuidado assistencial. Objetivo: Descrever o fluxo assistencial utilizado na implementação do transplante autólogo de células-tronco hematopoiéticas a fresco em hospital universitário. Metodologia: Relato de experiência retrospectivo e descritivo referente ao planejamento da logística e execução de transplante autólogo de células-tronco hematopoiéticas a fresco. Foram avaliados os primeiros cinco pacientes consecutivos submetidos ao procedimento entre novembro de 2025 e julho de 2026, no Rio de Janeiro. Resultados: O fluxo assistencial foi coordenado pela equipe de enfermagem, desde a mobilização celular até a infusão das células-tronco hematopoiéticas frescas. Foram mobilizados três pacientes com mieloma múltiplo e dois com síndrome de POEMS utilizando fator estimulador de colônias de granulócitos (G- CSF). Os pacientes foram internados no D4 de mobilização para coleta de exames laboratoriais e envio de amostra pré-coleta ao centro de processamento celular para quantificação de células CD34 +. Com contagem periférica superior a 07 células CD34 +/ mm³, a aférese foi programada para o D5 pela manhã. As coletas foram realizadas no próprio setor pela equipe de enfermagem do transplante e enviadas imediatamente ao centro de processamento para quantificação de células CD34+ no produto coletado. Após confirmação de contagem mínima de 2,0 × 10⁶ células CD34+/kg, foram programados o condicionamento quimioterápico, a retirada da bolsa no centro de processamento celular e infusão. Todos atingiram o alvo em coleta única. A média de células CD34 + infundidas foi 3.5 × 10⁶ células CD34 +/ kg. As infusões foram realizadas respeitando intervalo mínimo de 24 horas após o condicionamento quimioterápico e máximo de 48 horas após o término da coleta celular. A enxertia neutrofílica ocorreu, em média, em 10 dias e plaquetária em 12 dias. Discussão: A obtenção do produto, em coleta única nos cinco pacientes, com valor superior ao alvo mínimo, reforça o protocolo de coleta em D5. Os tempos de enxertia observados foram compatíveis com dados descritos em literatura. O alinhamento preciso entre os setores envolvidos foi crucial para o cumprimento dos intervalos preconizados entre coleta, condicionamento e infusão. A sincronização constitui ponto crítico para a execução do transplante com células-tronco não criopreservadas. Conclusão: A experiência inicial demonstrou que o transplante autólogo a fresco apresenta viabilidade operacional e recuperação hematológica adequada. A padronização do fluxo assistencial e a integração intersetorial são fundamentais para o cumprimento das etapas críticas e continuidade da assistência. Os resultados reforçam a importância da capacitação técnica da equipe e articulação multiprofissional para segurança e efetividade do procedimento.
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AU - Ana Claudia Navarro FIGUEIREDO
AU - Thais Da Conceição Peixoto RAIMUNDO
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PY - 2026
DA - 2026/10/23
JO - Hematology, Transfusion and Cell Therapy
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AB - Introdução: O transplante autólogo de células-tronco hematopoiéticas sem o uso de criopreservantes, denominado “a fresco”, apresenta vantagens clínicas e econômicas em relação ao transplante convencional, incluindo maior viabilidade celular, recuperação hematológica mais rápida, eliminação da toxicidade associada ao dimetilsulfóxido (DMSO) e reduz custos relacionados à criopreservação e armazenamento das bolsas. Entretanto, esta modalidade de transplante exige sincronização entre as etapas de coleta, processamento, condicionamento e infusão para a viabilidade do procedimento. Nesse contexto, a equipe de enfermagem atua na integração e organização logística entre a equipe multiprofissional e cuidado assistencial. Objetivo: Descrever o fluxo assistencial utilizado na implementação do transplante autólogo de células-tronco hematopoiéticas a fresco em hospital universitário. Metodologia: Relato de experiência retrospectivo e descritivo referente ao planejamento da logística e execução de transplante autólogo de células-tronco hematopoiéticas a fresco. Foram avaliados os primeiros cinco pacientes consecutivos submetidos ao procedimento entre novembro de 2025 e julho de 2026, no Rio de Janeiro. Resultados: O fluxo assistencial foi coordenado pela equipe de enfermagem, desde a mobilização celular até a infusão das células-tronco hematopoiéticas frescas. Foram mobilizados três pacientes com mieloma múltiplo e dois com síndrome de POEMS utilizando fator estimulador de colônias de granulócitos (G- CSF). Os pacientes foram internados no D4 de mobilização para coleta de exames laboratoriais e envio de amostra pré-coleta ao centro de processamento celular para quantificação de células CD34 +. Com contagem periférica superior a 07 células CD34 +/ mm³, a aférese foi programada para o D5 pela manhã. As coletas foram realizadas no próprio setor pela equipe de enfermagem do transplante e enviadas imediatamente ao centro de processamento para quantificação de células CD34+ no produto coletado. Após confirmação de contagem mínima de 2,0 × 10⁶ células CD34+/kg, foram programados o condicionamento quimioterápico, a retirada da bolsa no centro de processamento celular e infusão. Todos atingiram o alvo em coleta única. A média de células CD34 + infundidas foi 3.5 × 10⁶ células CD34 +/ kg. As infusões foram realizadas respeitando intervalo mínimo de 24 horas após o condicionamento quimioterápico e máximo de 48 horas após o término da coleta celular. A enxertia neutrofílica ocorreu, em média, em 10 dias e plaquetária em 12 dias. Discussão: A obtenção do produto, em coleta única nos cinco pacientes, com valor superior ao alvo mínimo, reforça o protocolo de coleta em D5. Os tempos de enxertia observados foram compatíveis com dados descritos em literatura. O alinhamento preciso entre os setores envolvidos foi crucial para o cumprimento dos intervalos preconizados entre coleta, condicionamento e infusão. A sincronização constitui ponto crítico para a execução do transplante com células-tronco não criopreservadas. Conclusão: A experiência inicial demonstrou que o transplante autólogo a fresco apresenta viabilidade operacional e recuperação hematológica adequada. A padronização do fluxo assistencial e a integração intersetorial são fundamentais para o cumprimento das etapas críticas e continuidade da assistência. Os resultados reforçam a importância da capacitação técnica da equipe e articulação multiprofissional para segurança e efetividade do procedimento.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -