IMPACTO DA INCORPORAÇÃO DO BORTEZOMIBE NA INDUÇÃO EM PRIMEIRA LINHA SOBRE A SOBREVIDA DE PACIENTES COM MIELOMA MÚLTIPLO SUBMETIDOS A TRANSPLANTE AUTÓLOGO DE CÉLULAS TRONCO HEMATOPOIÉTICAS EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DE BRASÍLIA
- 1Hospital Universitário de Brasília, Brasília, DF, Brasil
Abstract
Introdução: O Mieloma Múltiplo (MM) representa cerca de 10% das neoplasias hematológicas. Nas últimas décadas, houve um crescimento exponencial das opções terapêuticas para essa condição, elevando significativamente a sobrevida global (SG) e sobrevida livre de progressão (SLP). No Brasil, a incorporação do bortezomibe ao Sistema Único de Saúde (SUS) representou um importante avanço terapêutico para pacientes, especialmente diante das limitações terapêuticas previamente existentes. Objetivos: Avaliar o impacto em SG e SLP do uso de Bortezomibe nos regimes de indução em 1ª linha em pacientes com MM submetidos a transplante autólogo de células tronco hematopoiéticas (ATMO). Material e métodos: Estudo observacional e unicêntrico, com revisão de prontuário eletrônico e exames laboratoriais e de imagem de 128 pacientes consecutivamente diagnosticados e tratados no Hospital Universitário de Brasília (HUB) de Novembro de 2014 a Fevereiro de 2026. Os dados foram coletados através de formulário do Microsoft Forms institucional e tabelados eno programa Excel versão Office 365 da Microsoft. Os dados foram analisados na plataforma STATA®12.0. As curvas de SG e SLP foram estimadas pelo método de Kaplan-Meier e a análise estatística por teste t de Student e a análise de regressão de Cox, adotando-se estatisticamente significativas as diferenças com p<0,05. Resultados: Foram incluídos 128 pacientes diagnosticados com MM no HUB e selecionados os que realizaram ATMO. Desses, foram comparados os que fizeram 1ª linha com CTd (n=28) versus aqueles que iniciaram tratamento com esquemas terapêuticos contendo Bortezomibe - VTd/VCd (n=20). Com uma mediana de follow-up de 4,2 anos, a SLP em 4 anos foi 21,4% no grupo do CTd e 65% no VCd/VTd (HR 0,55, p 0,0023), representando uma redução de 45% no risco de progressão ou morte naqueles que usaram esquemas com Bortezomibe. Já a SG em 4 anos foi de 57,1% no grupo do CTd e 94,1% no VCd/VTd (HR 0,29, p 0,0004). Discussão: Inicialmente, as opções terapêuticas disponíveis na rede pública para MM limitavam-se a corticosteroides, talidomida, ciclofosfamida e melfalano. Nesse contexto, pacientes elegíveis a transplante eram majoritariamente tratados com o esquema CTd, seguido de ATMO, enquanto os inelegíveis recebiam o regime MPT, conforme diretrizes da SCTIE/MS. O uso de CTd baseava-se nos resultados do estudo Myeloma IX que demonstrou não inferioridade deste esquema em comparação com CVAD em SG (71 meses vs. 63 meses) e em SLP (26 meses vs. 24 meses). A incorporação do bortezomibe pelas Portarias SCTIE/MS nº 43 e nº 44 (2020) modificou esse cenário. Os dados do HOVON-65/GMMG-HD4 mostram que a integração do Bortezomibe na indução e manutenção proporciona melhorias significativas e duradouras na SLP e, em subgrupos específicos, na SG, corroborando os dados observados neste trabalho. Metanálises posteriores compararam indução com VTd versus VCd e demonstraram que o VTD é superior em alcançar taxas de resposta profundas e é melhor tolerado, porém sem fornecerem dados diretos de SG e SLP. Conclusão: Os resultados reforçam a importância da incorporação do bortezomibe ao SUS e demonstram que sua utilização em 1ª linha proporciona benefícios significativos também em um cenário de vida real. Esses achados sustentam a necessidade de ampliar o acesso a terapias mais eficazes no sistema público e fortalecem a adoção de esquemas baseados em inibidores de proteassoma como padrão de tratamento para pacientes elegíveis ao transplante.
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AU - Rebeka Moreira Leite NERES
AU - Nathalia Ferreira LOUSEK
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AU - Flávia Dias XAVIER
PY - 2026
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AB - Introdução: O Mieloma Múltiplo (MM) representa cerca de 10% das neoplasias hematológicas. Nas últimas décadas, houve um crescimento exponencial das opções terapêuticas para essa condição, elevando significativamente a sobrevida global (SG) e sobrevida livre de progressão (SLP). No Brasil, a incorporação do bortezomibe ao Sistema Único de Saúde (SUS) representou um importante avanço terapêutico para pacientes, especialmente diante das limitações terapêuticas previamente existentes. Objetivos: Avaliar o impacto em SG e SLP do uso de Bortezomibe nos regimes de indução em 1ª linha em pacientes com MM submetidos a transplante autólogo de células tronco hematopoiéticas (ATMO). Material e métodos: Estudo observacional e unicêntrico, com revisão de prontuário eletrônico e exames laboratoriais e de imagem de 128 pacientes consecutivamente diagnosticados e tratados no Hospital Universitário de Brasília (HUB) de Novembro de 2014 a Fevereiro de 2026. Os dados foram coletados através de formulário do Microsoft Forms institucional e tabelados eno programa Excel versão Office 365 da Microsoft. Os dados foram analisados na plataforma STATA®12.0. As curvas de SG e SLP foram estimadas pelo método de Kaplan-Meier e a análise estatística por teste t de Student e a análise de regressão de Cox, adotando-se estatisticamente significativas as diferenças com p<0,05. Resultados: Foram incluídos 128 pacientes diagnosticados com MM no HUB e selecionados os que realizaram ATMO. Desses, foram comparados os que fizeram 1ª linha com CTd (n=28) versus aqueles que iniciaram tratamento com esquemas terapêuticos contendo Bortezomibe - VTd/VCd (n=20). Com uma mediana de follow-up de 4,2 anos, a SLP em 4 anos foi 21,4% no grupo do CTd e 65% no VCd/VTd (HR 0,55, p 0,0023), representando uma redução de 45% no risco de progressão ou morte naqueles que usaram esquemas com Bortezomibe. Já a SG em 4 anos foi de 57,1% no grupo do CTd e 94,1% no VCd/VTd (HR 0,29, p 0,0004). Discussão: Inicialmente, as opções terapêuticas disponíveis na rede pública para MM limitavam-se a corticosteroides, talidomida, ciclofosfamida e melfalano. Nesse contexto, pacientes elegíveis a transplante eram majoritariamente tratados com o esquema CTd, seguido de ATMO, enquanto os inelegíveis recebiam o regime MPT, conforme diretrizes da SCTIE/MS. O uso de CTd baseava-se nos resultados do estudo Myeloma IX que demonstrou não inferioridade deste esquema em comparação com CVAD em SG (71 meses vs. 63 meses) e em SLP (26 meses vs. 24 meses). A incorporação do bortezomibe pelas Portarias SCTIE/MS nº 43 e nº 44 (2020) modificou esse cenário. Os dados do HOVON-65/GMMG-HD4 mostram que a integração do Bortezomibe na indução e manutenção proporciona melhorias significativas e duradouras na SLP e, em subgrupos específicos, na SG, corroborando os dados observados neste trabalho. Metanálises posteriores compararam indução com VTd versus VCd e demonstraram que o VTD é superior em alcançar taxas de resposta profundas e é melhor tolerado, porém sem fornecerem dados diretos de SG e SLP. Conclusão: Os resultados reforçam a importância da incorporação do bortezomibe ao SUS e demonstram que sua utilização em 1ª linha proporciona benefícios significativos também em um cenário de vida real. Esses achados sustentam a necessidade de ampliar o acesso a terapias mais eficazes no sistema público e fortalecem a adoção de esquemas baseados em inibidores de proteassoma como padrão de tratamento para pacientes elegíveis ao transplante.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -