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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

PERFIL DE PACIENTES COM MIELOMA MÚLTIPLO ENCAMINHADOS A SERVIÇO DE TRANSPLANTE AUTÓLOGO DE CÉLULAS TRONCO HEMATOPOIÉTICAS EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DO SUS

  1. 1Faculdade de Ciências Médicas e da saúde da PUC-SP, Sorocaba, SP, Brasil
  2. 2Conjunto Hospitalar de Sorocaba/Seconci, Sorocaba, SP, Brasil
  3. 3Unimed Sorocaba, Sorocaba, SP, Brasil

Abstract

Introdução: O Mieloma Múltiplo (MM) é uma neoplasia hematológica, cuja etiologia permanece pouco esclarecida. A realização de transplante de células tronco autólogo em pacientes com MM é uma abordagem terapêutica indicada para se aprofundar a resposta e se obter uma melhor sobrevida livre de progressão, principalmente no SUS, onde não estão disponíveis as drogas mais modernas, mas mesmo com a utilização de algumas drogas novas, ainda tem sua utilidade. Os dados referentes ao perfil clínico e laboratorial daqueles que são encaminhados para esse procedimento em serviços públicos de saúde, mostram uma realidade diferente daquela da literatura atual. Dessa forma, a caracterização desses indivíduos é importante para a compreensão do perfil epidemiológico e clínico da população atendida, além de auxiliar na avaliação da assistência prestada e no planejamento de estratégias terapêuticas e de acompanhamento. Objetivos: Rastrear o perfil dos indivíduos com mieloma múltiplo encaminhados nos últimos 5 anos para transplante de células tronco autólogo em um hospital universitário. Material e métodos: Trata-se de um estudo observacional, retrospectivo e descritivo, realizado em um hospital universitário do SUS. Foram avaliados 76 pacientes com diagnóstico de MM encaminhados ao serviço de transplante autólogo de células-tronco hematopoéticas entre o período de janeiro de 2020 e dezembro de 2025. Resultados: A idade média ao diagnóstico foi de 61.9 ± 7.4 anos (mediana 62 anos; IQR 57–66; variação de 40 a 75 anos; n = 54). A distribuição por faixa etária mostrou concentração entre 50 e 69 anos (44 pacientes, 81.5%), com 3 pacientes (5.6%) diagnosticados antes dos 50 anos e 7 pacientes (13.0%) com 70 anos ou mais. Não houve diferença estatisticamente significativa de idade entre os sexos (p = 0,471). A maior parte dos diagnósticos concentrou-se em 2022–2023 (57,9%). Durante a pesquisa constatou-se que nem todos os pacientes transplantados possuíam os seus dados bioquímicos disponíveis nos seus prontuários. Assim, 64,47% dos pacientes possuíam estes exames completos, 11,84% não apresentavam os resultados após o transplante e 23,69% não possuíam os dados em prontuário eletrônico ou físico. Com base nos 58 pacientes que possuíam todos os dados bioquímicos pré TCT autólogo, foi analisado o estadiamento inicial do Mieloma Múltiplo por meio do Sistema Internacional de Estadiamento (ISS), sendo 28,1% (n=16) ISS1, 45,6% (n=26) ISS2 e 26,3% (n=15) ISS3. Quanto aos valores bioquímicos, a albumina sérica inicial apresentou média de 3.55 ± 0.72 g/dL (mediana 3.60; n = 57) e a beta-2-microglobulina inicial, média de 4.69 ± 5.30 mg/L (mediana 2.98; n = 53) Também foram analisados os isotipos do componente monoclonal obtido por imunofixação ao diagnóstico. Entre os pacientes com isotipo definido, predominou IgG kappa (17 pacientes), seguido de IgG lambda (10 pacientes). O esquema mais utilizado para tratamento antes do TCT autólogo foi VTD (32 pacientes, 57.1%), seguido de VCD (14 pacientes, 25.0%) e CTD (7 pacientes antes de 2022=12.5%). Os demais esquemas (DaraVD, MPT e um caso com CyDex) somaram 3 pacientes. O número de ciclos de indução foi constatado em 42 pacientes, com média de 5.8 ± 1.8 ciclos (mediana 6; variação de 3 a 9 ciclos), sem diferença relevante entre VTD (média 5,8 ciclos) e VCD (média 5,7 ciclos). Entre os 51 pacientes com resposta avaliável, 56.9% obtiveram resposta parcial muito boa e 43.1% resposta completa após o TCT autólogo.

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SN  - 2531-1379
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