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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

DEFICIÊNCIA DE FATOR XI E TTPA ALARGADO EM PRÉ-OPERATÓRIO: RELATO DE CASO

  1. 1Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE), Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Abstract

Introdução: A deficiência de fator XI, também chamada de hemofilia C ou doença de Rosenthal é um distúrbio autossômico que provoca episódios hemorrágicos significativos associados a procedimentos cirúrgicos e odontológicos. O acompanhamento desses pacientes pode ser desafiador, visto que não há correlação direta entre a intensidade do sangramento e os níveis de fator XI. O achado de TTPa alargado deve sempre ser valorizado e investigado, mesmo na ausência de histórico hemorrágico prévio, uma vez que o sangramento relacionado à deficiência do fator XI se manifesta após injúria cirúrgica ou traumática. Relato de caso: Paciente masculino, 53 anos, internado para realização de troca de valva mitral com plastia de valva tricúspide. No pré-operatório apresentava TTPa 1.8, porém sem histórico de eventos hemorrágicos. No intra-operatório, apresentou difícil controle hemostático, sendo realizado tromboelastograma (TEG) com resultado não disponível em prontuário, mas com relato anestésico de realização de complexo protrombínico e plasma fresco congelado. Vinte e quatro horas após o procedimento, necessitou de reabordagem de urgência com toracotomia exploradora devido a sangramento intenso em dreno de tórax. Durante a internação, evoluiu com anemia grave (hb 4.7 g/dL) associado a hemotórax persistente, com necessidade frequente de transfusão de concentrado de hemácias e pouco aproveitamento transfusional. Nesse contexto, a hematologia foi chamada para elucidar a etiologia do sangramento. O paciente não possuía histórico de abordagem cirúrgica prévia, sangramento anormal ou história familiar de episódios hemorrágicos. Como o TTPa era alargado no pré-operatório, foi solicitado teste da mistura para rastreio de deficiência de fator de coagulação. Houve correção do TTPa para níveis normais após o teste da mistura, indicando deficiência de fator da via intrínseca da coagulação. A atividade dos fatores XI, X, IX, VIII e V foi solicitada, e todos, à exceção do fator XI, se encontravam dentro da normalidade. Foi evidenciado 27% de atividade do fator XI (valor de referência 65% – 150%), corroborando o diagnóstico de hemofilia C. Devido à indisponibilidade de concentrado de fator XI foi optado por reposição de plasma 10-15 mL/Kg/dia até controle do sangramento e, em caso de reabordagem cirúrgica, preparo no pré e pós-operatório com mesma dose até correção do TTPa, além de TEG no intra-operatório para guiar a reposição de plasma durante a cirurgia. Nas semanas seguintes, após reposição de plasma, houve melhora do hemotórax e da anemia, com manutenção de TTPa alargado (1.69). Foi obtido consentimento do paciente para o relato do caso. Conclusão: A deficiência de fator XI deve ser considerada na investigação de pacientes com TTPa isoladamente prolongado, mesmo na ausência de história hemorrágica prévia. Este caso reforça que a doença se manifesta com sangramento grave após cirurgias de grande porte, ressaltando a importância da adequada estratificação pré-operatória e do planejamento hemostático individualizado para redução da morbidade associada.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -