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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

VALOR CLÍNICO DA FERRITINA PRÉ-TRANSPLANTE EM PACIENTES COM LEUCEMIAS AGUDAS SUBMETIDOS À TCTH ALOGÊNICO: DEVEMOS VALORIZAR?

  1. 1Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), Porto Alegre, RS, Brasil

Abstract

Introdução: A hiperferritinemia é frequentemente observada em pacientes com leucemias agudas candidatos ao transplante alogênico de células-tronco hematopoéticas (TCTH). Embora tradicionalmente atribuída à sobrecarga de ferro secundária ao suporte transfusional, níveis elevados de ferritina também podem refletir inflamação sistêmica, lesão tecidual e maior atividade da doença. Estudos prévios sugerem associação entre hiperferritinemia e piores desfechos após o transplante, porém os resultados permanecem inconsistentes, especialmente em coortes contemporâneas com estratégias modernas de condicionamento e suporte. Objetivos: Avaliar a associação da ferritina sérica pré-transplante com características clínicas basais e com os principais desfechos após o primeiro TCTH alogênico em pacientes com leucemias agudas. Material e métodos: Estudo retrospectivo unicêntrico incluindo pacientes adultos submetidos ao primeiro TCTH alogênico por leucemia mieloide aguda (LMA), leucemia linfoblástica aguda (LLA) ou leucemia aguda de fenótipo misto (MPAL). Foram coletadas características clínicas, HCT-CI, Karnofsky, estado da doença, doença residual mensurável (DRM), ferritina pré-transplante, tipo de doador, intensidade do condicionamento e fonte celular. A ferritina foi analisada como variável contínua e categorizada (≥ 2.500 ng/mL). Os desfechos incluíram mortalidade global, recaída, doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH), enxertia e quimerismo. As comparações utilizaram teste exato de Fisher, Mann–Whitney e correlação de Spearman. Resultados: Foram incluídos 48 pacientes, com mediana de idade de 37 anos (IIQ 28–48); 54,2% apresentavam LMA, 39,6% LLA e 6,2% MPAL. A maioria encontrava-se em remissão no momento do transplante (79,2%) e 27,1% apresentava DRM positiva. A mediana da ferritina pré-transplante foi de 1.567 ng/mL (IIQ 1.004–3.465), sendo que 75% dos pacientes apresentavam níveis superiores a 1.000 ng/mL e 39,6% superiores a 2.500 ng/mL. Pacientes com ferritina ≥ 2.500 ng/mL apresentaram maior frequência de DRM positiva quando comparados aos demais (47,4% vs. 13,8%; p = 0,019). Observou-se ainda correlação inversa entre ferritina e o intervalo entre diagnóstico e transplante (ρ = -0,30; p = 0,036). Não houve associação entre ferritina e idade, HCT-CI, Karnofsky, tipo de doador ou intensidade do condicionamento. Durante o seguimento ocorreram 22 óbitos (45,8%), sem associação significativa entre ferritina pré-transplante e mortalidade global (p = 0,877), recaída (p = 0,904), DECH aguda (p = 0,409), DECH crônica (p = 0,575), tempo para enxertia ou perda do quimerismo. Discussão: Neste estudo, a hiperferritinemia foi altamente prevalente, porém não se associou aos principais desfechos clínicos após o TCTH. Em contrapartida, sua associação com DRM positiva sugere que níveis elevados de ferritina possam refletir maior atividade biológica da doença no momento do transplante, mais do que exclusivamente sobrecarga de ferro relacionada a transfusões. Conclusão: A ferritina pré-transplante não demonstrou valor prognóstico independente para mortalidade, recaída ou complicações pós-transplante. Entretanto, sua associação com DRM positiva sugere que esse biomarcador possa representar um marcador indireto de atividade da doença antes do transplante.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
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