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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

PERFIL DE ALOIMUNIZAÇÃO ERITROCITÁRIA EM RECEPTORES POLITRANSFUNDIDOS DE UM HEMOCENTRO DA AMAZÔNIA: APLICAÇÃO DO MÉTODO 2×2 PARA IDENTIFICAÇÃO DE ALOANTICORPOS CLINICAMENTE SIGNIFICATIVOS

  1. 1Instituto de Hematologia e Hemoterapia do Amapá (HEMOAP), Macapá, AP, Brasil

Abstract

Introdução: A aloimunização eritrocitária constitui importante complicação da terapia transfusional em receptores politransfundidos, com implicações de hemocomponentes compatíveis e aumento do risco de reações hemolíticas. O método 2×2 constitui estratégia sistematizada para interpretação de painéis de hemácias, nos princípios de exclusão (rule-out), confirmação (rule-in) e avaliação do efeito dose. Objetivo: Caracterizar o perfil de aloimunização eritrocitária em receptores politransfundidos atendidos em um hemocentro da Amazônia brasileira, com a aplicabilidade do método 2×2. Material e métodos: Estudo observacional, retrospectivo, realizado no Laboratório de Imunohematologia do Receptor do Instituto de Hematologia e Hemoterapia do Amapá (HEMOAP), durante janeiro de 2025 a julho de 2026. Foram realizadas 363 Pesquisas de Anticorpos Irregulares (PAI) em amostras de receptores de concentrado de hemácias, 243 em 2025 e 120 entre janeiro a julho de 2026. A identificação de anticorpos foi feita em aglutinação em coluna de gel, com painéis comerciais de hemácias. Foram calculadas frequências absolutas e relativas, prevalência de PAI positiva com intervalo de confiança de 95% (IC95%) e razão de prevalências. A comparação entre 2025 e janeiro a julho de 2026 foi realizada pelo teste exato de Fisher, nível de significância de 5%. Resultados: Das 363 pesquisas realizadas, 25 foram positivas (6,89%) (IC95%: 4,51–10,00%). Em 2025, foram identificadas 12 amostras positivas (4,94%; IC95%: 2,58–8,47%), em 2026 foram identificadas 13 positivas (10,83%; IC95%: 5,90–17,81%). Observou-se frequência proporcionalmente maior de PAI positiva em 2026, com razão de prevalências de 2,19, diferença estatisticamente significativa pelo teste exato de Fisher (p = 0,047). Foram identificadas 25 especificidades de aloanticorpos, com predominância do sistema Rh (16/25; 64,0%), anti-E (n = 11), anti-D (n = 3), anti-c (n = 1) e anti-e (n = 1), seguido pelos sistemas Kell (4/25; 16,0%) e MNS (4/25; 16,0%). Foi identificado um anti-Diᵃ (4,0%). Discussão: A predominância de aloanticorpos do sistema Rh, especialmente anti-E, evidencia a importância desse sistema na aloimunização de receptores politransfundidos. A ocorrência de anticorpos dos sistemas Kell e MNS reforça a necessidade de investigação além do sistema ABO/RhD na seleção de hemocomponentes para pacientes com histórico transfusional. A identificação de anti-Diᵃ apresenta particular interesse no contexto amazônico, pela composição genética heterogênea da população e a contribuição ameríndia para a distribuição dos antígenos eritrocitários. A utilização do método 2×2 mostra-se aplicável à rotina laboratorial, pela interpretação sistemática dos painéis e maior segurança na definição da especificidade dos aloanticorpos. Conclusão: A frequência global de PAI positiva foi de 6,89%, com predominância de aloanticorpos do sistema Rh, especialmente anti-E, seguido pelos sistemas Kell e MNS. A identificação de anti-Diᵃ evidencia a relevância de características imunogenéticas próprias da população amazônica na investigação imunohematológica. O método 2×2 mostra-se uma ferramenta útil para a identificação sistemática de aloanticorpos clinicamente significativos, contribuindo para a segurança transfusional e para a seleção de concentrados de hemácias compatíveis em receptores politransfundidos.

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AB  - Introdução: A aloimunização eritrocitária constitui importante complicação da terapia transfusional em receptores politransfundidos, com implicações de hemocomponentes compatíveis e aumento do risco de reações hemolíticas. O método 2×2 constitui estratégia sistematizada para interpretação de painéis de hemácias, nos princípios de exclusão (rule-out), confirmação (rule-in) e avaliação do efeito dose. Objetivo: Caracterizar o perfil de aloimunização eritrocitária em receptores politransfundidos atendidos em um hemocentro da Amazônia brasileira, com a aplicabilidade do método 2×2. Material e métodos: Estudo observacional, retrospectivo, realizado no Laboratório de Imunohematologia do Receptor do Instituto de Hematologia e Hemoterapia do Amapá (HEMOAP), durante janeiro de 2025 a julho de 2026. Foram realizadas 363 Pesquisas de Anticorpos Irregulares (PAI) em amostras de receptores de concentrado de hemácias, 243 em 2025 e 120 entre janeiro a julho de 2026. A identificação de anticorpos foi feita em aglutinação em coluna de gel, com painéis comerciais de hemácias. Foram calculadas frequências absolutas e relativas, prevalência de PAI positiva com intervalo de confiança de 95% (IC95%) e razão de prevalências. A comparação entre 2025 e janeiro a julho de 2026 foi realizada pelo teste exato de Fisher, nível de significância de 5%. Resultados: Das 363 pesquisas realizadas, 25 foram positivas (6,89%) (IC95%: 4,51–10,00%). Em 2025, foram identificadas 12 amostras positivas (4,94%; IC95%: 2,58–8,47%), em 2026 foram identificadas 13 positivas (10,83%; IC95%: 5,90–17,81%). Observou-se frequência proporcionalmente maior de PAI positiva em 2026, com razão de prevalências de 2,19, diferença estatisticamente significativa pelo teste exato de Fisher (p = 0,047). Foram identificadas 25 especificidades de aloanticorpos, com predominância do sistema Rh (16/25; 64,0%), anti-E (n = 11), anti-D (n = 3), anti-c (n = 1) e anti-e (n = 1), seguido pelos sistemas Kell (4/25; 16,0%) e MNS (4/25; 16,0%). Foi identificado um anti-Diᵃ (4,0%). Discussão: A predominância de aloanticorpos do sistema Rh, especialmente anti-E, evidencia a importância desse sistema na aloimunização de receptores politransfundidos. A ocorrência de anticorpos dos sistemas Kell e MNS reforça a necessidade de investigação além do sistema ABO/RhD na seleção de hemocomponentes para pacientes com histórico transfusional. A identificação de anti-Diᵃ apresenta particular interesse no contexto amazônico, pela composição genética heterogênea da população e a contribuição ameríndia para a distribuição dos antígenos eritrocitários. A utilização do método 2×2 mostra-se aplicável à rotina laboratorial, pela interpretação sistemática dos painéis e maior segurança na definição da especificidade dos aloanticorpos. Conclusão: A frequência global de PAI positiva foi de 6,89%, com predominância de aloanticorpos do sistema Rh, especialmente anti-E, seguido pelos sistemas Kell e MNS. A identificação de anti-Diᵃ evidencia a relevância de características imunogenéticas próprias da população amazônica na investigação imunohematológica. O método 2×2 mostra-se uma ferramenta útil para a identificação sistemática de aloanticorpos clinicamente significativos, contribuindo para a segurança transfusional e para a seleção de concentrados de hemácias compatíveis em receptores politransfundidos.
SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
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