EXPERIÊNCIA UNICÊNTRICA NA TRANSIÇÃO DE PROTOCOLO HYPERCVAD PARA ESQUEMAS DE BASE PEDIÁTRICA NO TRATAMENTO DE LEUCEMIA LINFOBLÁSTICA AGUDA EM ADULTOS: ESTUDO DE COORTE RETROSPECTIVO EM UM SERVIÇO PÚBLICO DE SAÚDE
- 1Faculdade de Medicina do ABC, Santo André, SP, Brasil
- 2Faculdade de Medicina do ABC, São Bernardo do Campo, SP, Brasil
Abstract
Introdução: A leucemia linfoide aguda (LLA) é uma neoplasia caracterizada pela proliferação desordenada de células precursoras da linhagem linfoide bloqueadas em um estágio inicial de diferenciação. 1 Ela é a neoplasia mais comum na infância, representando 26,8% dos casos pediátricos. 2 Embora seu pico de incidência seja entre 1 e 4 anos de idade, a doença pode acometer todas as faixas etárias, inclusive adultos. 1,3,4 No entanto, ao contrário da LLA pediátrica, que apresenta taxa de cura superior a 90%, a LLA adulta possui pior prognóstico, com índice de cura inferior a 40%. Mais recentemente, a literatura tem sugerido melhores resultados com protocolos de backbone pediátricos, em particular em adultos jovens. Mas esses protocolos trazem seus próprios desafios. Esquemas com múltiplas drogas e fases, efeitos colaterais específicos e a falta de disponibilidade de dosagem de L-asparaginase em múltiplos centros do Sistema Único de Saúde são alguns dos desafios. Em nosso centro houve fases de inclusão desses protocolos, com o BRALLA em 2018 e, mais recentemente, em 2024, os protocolos GRAAPH2005, CALGB 10403 e CALGB 9511. Aqui trazemos os resultados dessa implementação, em comparação com pacientes submetidos a HyperCVAD, para discutir os desafios, ganhos e dificuldades desse processo e confrontar a literatura vigente com a realidade do Sistema Único de Saúde, particularmente em um centro onde a indução de leucemias agudas ocorre em quarto triplo e há desafios infecciosos sensíveis, com altos níveis de resistência bacteriana. Metodologia: Trata-se de um estudo de coorte retrospectivo, baseado na análise de dados de pacientes adultos diagnosticados com LLA e que iniciaram tratamento no Hospital Mário Covas entre 2010 e 2025. Os pacientes serão analisados separadamente quanto à positividade para BCR-ABL e ao grupo etário, com corte em ≥ 45 anos. As comparações serão apresentadas em sobrevida global e em sobrevida livre de doença, por meio de Kaplan-Meier, com teste de log-rank e razões de risco (hazard ratios). Resultado: Ao todo, foram analisados 51 pacientes, dos quais 17 eram BCR-ABL positivos. A mediana de idade dos grupos foi semelhante entre os esquemas terapêuticos, e observou-se leve predominância de pacientes do sexo masculino. Em todos os grupos analisados, não se observou diferença significativa em sg e sld, com tendência de maior mortalidade precoce nos grupos com protocolo pediátrico BCR-ABL negativo, mas menor mortalidade tardia e de recidiva, com as curvas se cruzando pouco após os 12 meses. No grupo BCR-ABL positivo, o protocolo GRAAPH sugere melhor resultado, mas sem diferença estatística (p = 0,466; HR = 0,61; 0,16–2; mediana sg = 8,4 contra não atingida). A mediana de sg da amostra foi de 8,7 meses e sld de 20,1 meses, com sg em 5 anos de 24% para BCR-ABL negativo e 38% para BCR-ABL positivo. Discussão: Em nossa coorte, até o momento, os protocolos pediátricos têm sugerido melhor controle da doença a longo prazo, mas às custas de maior mortalidade precoce, particularmente entre os BCR-ABL negativos. Em particular, especialmente entre os mais idosos, a mortalidade associada à asparaginase pode ser determinante desse resultado. Por outro lado, no HyperCVAD, os óbitos tendem a ocorrer de forma mais distribuída ao longo do primeiro ano. A definição de qual protocolo seguir, à luz dessa vivência, parece balancear o manejo adequado da asparaginase e a agilidade no TCPH permitindo encurtar o número total de ciclos de HyperCVAD.
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AU - Carolina Gouveia ADABO
AU - Davimar Miranda Maciel BORDUCCHI
AU - Vitor Augusto Queiroz MAUAD
PY - 2026
DA - 2026/10/23
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AB - Introdução: A leucemia linfoide aguda (LLA) é uma neoplasia caracterizada pela proliferação desordenada de células precursoras da linhagem linfoide bloqueadas em um estágio inicial de diferenciação. 1 Ela é a neoplasia mais comum na infância, representando 26,8% dos casos pediátricos. 2 Embora seu pico de incidência seja entre 1 e 4 anos de idade, a doença pode acometer todas as faixas etárias, inclusive adultos. 1,3,4 No entanto, ao contrário da LLA pediátrica, que apresenta taxa de cura superior a 90%, a LLA adulta possui pior prognóstico, com índice de cura inferior a 40%. Mais recentemente, a literatura tem sugerido melhores resultados com protocolos de backbone pediátricos, em particular em adultos jovens. Mas esses protocolos trazem seus próprios desafios. Esquemas com múltiplas drogas e fases, efeitos colaterais específicos e a falta de disponibilidade de dosagem de L-asparaginase em múltiplos centros do Sistema Único de Saúde são alguns dos desafios. Em nosso centro houve fases de inclusão desses protocolos, com o BRALLA em 2018 e, mais recentemente, em 2024, os protocolos GRAAPH2005, CALGB 10403 e CALGB 9511. Aqui trazemos os resultados dessa implementação, em comparação com pacientes submetidos a HyperCVAD, para discutir os desafios, ganhos e dificuldades desse processo e confrontar a literatura vigente com a realidade do Sistema Único de Saúde, particularmente em um centro onde a indução de leucemias agudas ocorre em quarto triplo e há desafios infecciosos sensíveis, com altos níveis de resistência bacteriana. Metodologia: Trata-se de um estudo de coorte retrospectivo, baseado na análise de dados de pacientes adultos diagnosticados com LLA e que iniciaram tratamento no Hospital Mário Covas entre 2010 e 2025. Os pacientes serão analisados separadamente quanto à positividade para BCR-ABL e ao grupo etário, com corte em ≥ 45 anos. As comparações serão apresentadas em sobrevida global e em sobrevida livre de doença, por meio de Kaplan-Meier, com teste de log-rank e razões de risco (hazard ratios). Resultado: Ao todo, foram analisados 51 pacientes, dos quais 17 eram BCR-ABL positivos. A mediana de idade dos grupos foi semelhante entre os esquemas terapêuticos, e observou-se leve predominância de pacientes do sexo masculino. Em todos os grupos analisados, não se observou diferença significativa em sg e sld, com tendência de maior mortalidade precoce nos grupos com protocolo pediátrico BCR-ABL negativo, mas menor mortalidade tardia e de recidiva, com as curvas se cruzando pouco após os 12 meses. No grupo BCR-ABL positivo, o protocolo GRAAPH sugere melhor resultado, mas sem diferença estatística (p = 0,466; HR = 0,61; 0,16–2; mediana sg = 8,4 contra não atingida). A mediana de sg da amostra foi de 8,7 meses e sld de 20,1 meses, com sg em 5 anos de 24% para BCR-ABL negativo e 38% para BCR-ABL positivo. Discussão: Em nossa coorte, até o momento, os protocolos pediátricos têm sugerido melhor controle da doença a longo prazo, mas às custas de maior mortalidade precoce, particularmente entre os BCR-ABL negativos. Em particular, especialmente entre os mais idosos, a mortalidade associada à asparaginase pode ser determinante desse resultado. Por outro lado, no HyperCVAD, os óbitos tendem a ocorrer de forma mais distribuída ao longo do primeiro ano. A definição de qual protocolo seguir, à luz dessa vivência, parece balancear o manejo adequado da asparaginase e a agilidade no TCPH permitindo encurtar o número total de ciclos de HyperCVAD.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -